Pais de jogadores da base acusam Santos de assédio por contrato; clube nega

Correspondente Lucas Musetti Perazolli - Santos , SP
18/06/2018 15:47:48 — 18/06/2018 16:15:30

Em: Escolha do editor, Futebol, Notícias, Santos
Kaio Jorge, promessa do Santos, pode deixar o clube. E tem mais… (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/SantosFC)

O Santos vive uma crise nas categorias de base, mais precisamente na geração 2002. Familiares de cinco atletas acusam o Peixe de assédio pelo primeiro contrato profissional. São eles o zagueiro Derick, o lateral-direito Cadu, os meias Ivonei e Giovanni e o atacante Kaio Jorge. Todos eles com passagem por seleções brasileiras de base. Todos de 16 anos. O alvinegro nega.

A Gazeta Esportiva conversou com os pais dos Meninos da Vila e todos alegam o mesmo problema: o Peixe teria forçado o primeiro acordo profissional dos meninos antes da disputa do Mundial Sub-17, na Espanha, no mês passado. As propostas foram de três mil no primeiro ano, quatro mil no segundo e cinco no terceiro.

Além da oferta considerada baixa, os pais e representantes dos jogadores ficaram descontentes com a suposta postura da gestão da base, comandada por Marco Maturana. Ele teria dito que quem não aceitasse não viajaria para o Mundial. Derick, Cadu e Ivonei foram pré-convocados, na versão de seus pais.

Os familiares ainda afirmam que os jovens foram pressionados pela comissão técnica, questionados sobre o “c* doce” feito. Derick, Cadu, Ivonei, Giovanni e Kaio Jorge estariam treinando separadamente e, inclusive, chamados para trabalhar no Portuários, um clube da Baixada Santista, e não o CT Rei Pelé, onde o sub-17 costuma ter suas atividades.

Diante desse cenário, os pais se uniram e procuraram advogados para que se saiba quanto é necessário pela liberação dos jogadores. A ajuda de custo é de pouco mais de R$ 1 mil por mês e isso, em teoria, teria que ser multiplicado por um valor estipulado e somado com todos os meses nas categorias de base. Não há essa indenização prevista em contrato. E todos os atletas teriam propostas do Brasil e da Europa.

Kaio Jorge, comparado a Ronaldo Fenômeno em publicação recente do “The Sun”, da Inglaterra, se pronunciou pelo Twitter. O atacante, autor de um gol na Copinha deste ano, escreveu assim: “Não queria que fosse assim, mais vocês escolheram isso!”.

Contratos de formação
Derick = 31/12/2020
Cadu = 21/02/2019
Ivonei = 01/03/2019
Giovanni = 31/01/2020
Kaio Jorge = 31/01/2020

Santos nega

Gerente das categorias de base, Maturana nega as acusações feitas pelos pais e lamenta a “ingratidão” dos garotos. As explicações estão abaixo.

“Dividimos as categorias, 2001 do 2002. É uma questão técnica, só isso. Kaio Jorge vinha se recuperando de lesão, Giovanni também, e nenhuma dessas conversas procedem. Estamos tendo cuidado para não perder atletas. Formamos atletas pensando na capacidade de promoção ao elenco profissional, não para outros clubes. Não adianta. Vai ter linha de hierarquia. 2001 vai treinar de manhã e 2002 à tarde, vão treinar no campo onde mandarmos, mandamos no CT Rei Pelé e no Portuários”, disse Marco Maturana.

“Quisemos nos calçar documentalmente para poder viajar. O contrato de formação não tem validade na FIFA. E a decisão de quem viajaria (para Madrid) foi técnica. Eu acho que um time formador tinha que ser mais respeitado. Há jogadores que estão indo mal na escola, por exemplo. Os pais, ao invés de se preocuparem com essas coisas, ficam fomentando essas coisas. No Santos não vamos aceitar isso não. Eu represento o Santos e estou aqui para cumprir a minha função”.




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