Maurício Maruca lançou, nesta terça-feira, sua candidatura à presidência do Santos. Ao lado de Rodrigo Marino, candidato a vice-presidente, ele apresentou as principais diretrizes da chapa Aliança Santista, que disputará a eleição do clube com o slogan "Respeito à história, compromisso com o futuro".
O lançamento ocorreu no Hotel Mercure, na Bela Vista, em São Paulo, e reuniu jornalistas e integrantes do projeto. A Gazeta Esportiva estava presente. Durante a apresentação, Maruca e Marino defenderam uma mudança no modelo de administração do Santos, com maior profissionalização das diferentes áreas do clube, planejamento financeiro e esportivo e redução da influência política nas decisões executivas.
A união entre os dois candidatos começou a ser construída após a última eleição presidencial do Santos. Na ocasião, Maruca terminou a disputa na segunda colocação, enquanto Marino ficou em terceiro. Segundo a chapa, a aproximação não foi feita às vésperas do novo pleito, mas desenvolvida ao longo dos últimos três anos.
"Não é uma nova história", destacou Maruca durante a apresentação. Marino seguiu na mesma linha ao falar sobre a formação da chapa e definiu a aproximação como um "encontro de ideias e vaidades".
(Foto: Murilo Gomes/Gazeta Esportiva)
Chapa aposta em profissionalização do Santos
Um dos principais pilares apresentados pela Aliança Santista foi a profissionalização da estrutura administrativa. Maruca sustentou que o clube continua sendo economicamente recuperável apesar do cenário financeiro delicado.
"O Santos é viável, desde que feito com profissionalismo e amor ao clube", afirmou.
Marino também defendeu a viabilidade da instituição mesmo diante do passivo superior a R$ 1 bilhão e das dificuldades financeiras que vêm atingindo diretamente o futebol. "Mesmo com mais de um bilhão de dívidas, o Santos é viável. Mesmo com transfer ban".
A chapa apresentou um projeto dividido em diferentes frentes. Entre elas estão governança, futebol, finanças, área comercial, categorias de base e futebol feminino.
Maruca também afirmou que existe planejamento esportivo para dois cenários diferentes em 2027: a permanência do Santos na Série A do Campeonato Brasileiro ou um eventual rebaixamento para a Série B.
"O Santos voltará a ser protagonista com planejamento, união e transparência", declarou.
Outfield participa do projeto
A candidatura terá a participação da Outfield na elaboração e execução de parte do projeto de gestão. Representantes da empresa participaram do lançamento e apresentaram propostas relacionadas principalmente às áreas financeira, comercial e de governança.
A empresa atua no mercado esportivo com consultoria, investimentos, operações de crédito e projetos relacionados a clubes de futebol.
Durante a apresentação, o grupo mostrou um diagnóstico financeiro do Santos e defendeu que a recuperação do clube seja feita de maneira coordenada, atacando diferentes problemas simultaneamente.
Entre os números apresentados pela chapa estão um passivo total de R$ 1,232 bilhão, dívida líquida de aproximadamente R$ 917 milhões e alavancagem de 1,60 vez. O projeto sustenta que, apesar da gravidade do cenário, ainda existem mecanismos para reorganizar o endividamento sem abandonar a competitividade esportiva.
A estratégia prevê, entre outros pontos, reorganização de dívidas, renegociação de passivos, melhora na alocação dos recursos e criação de mecanismos permanentes de controle financeiro.
(Foto: Murilo Gomes/Gazeta Esportiva)
E a SAF?
Além da apresentação do projeto, Maruca também criticou o momento escolhido pela atual gestão para avançar nas discussões sobre a SAF do Santos. O candidato classificou o processo como “muito temerário” por ocorrer a poucos meses da eleição presidencial e defendeu que uma decisão desta dimensão exige mais tempo para análise de conselheiros e associados.
“O momento é completamente errado. Estamos às vésperas de uma eleição, e um processo como esse precisa de muito tempo para ser discutido e analisado”, afirmou.
Maruca também questionou o período disponível para avaliar uma eventual venda e ressaltou a complexidade de uma operação desse porte.
“Você não recebe uma proposta e analisa tudo em um mês. Existem diligências de todos os lados, um processo que leva meses. Não adianta dizer que a negociação acontece há um ano se o Conselho e os sócios não estavam acompanhando. Tenho muito receio do que pode acontecer daqui para frente”, completou.
Ex-dirigente do Palmeiras na área financeira
Maruca também apresentou um dos primeiros nomes de uma eventual administração. Luciano Paccielo será o responsável pela área financeira caso a chapa vença a eleição.
Paccielo participou da gestão de Paulo Nobre no Palmeiras e foi apresentado como parte da proposta de profissionalização do clube.
A área financeira aparece como uma das prioridades do projeto. A candidatura pretende realizar um diagnóstico detalhado das contas e estabelecer mecanismos de planejamento e acompanhamento dos gastos.
A proposta apresentada também prevê maior separação entre funções políticas e executivas. A intenção é diminuir indicações baseadas em relações políticas e ampliar a presença de profissionais especializados nos principais departamentos.
Maruca foi crítico ao modelo adotado pelas últimas administrações.
"Acho que o principal erro da sua gestão é o amadorismo. Isso fez com que se perdesse o fio da meada", afirmou ao analisar a situação atual do clube.
Futebol terá gestão baseada em dados
No futebol, a chapa pretende implementar uma estrutura baseada em análise de desempenho, scout, dados e processos definidos.
Maruca evitou revelar nomes que poderiam integrar o departamento em uma eventual gestão, mas explicou o perfil buscado.
"A gente precisa ter profissionais modernos que saibam trabalhar o futebol como ele é hoje. O futebol hoje é trabalhado com números, com scout, com avaliações, com método principalmente. E não com achismo", afirmou.
A proposta também prevê maior controle do ambiente do CT Rei Pelé. Maruca defendeu que vestiários e treinamentos sejam restritos às pessoas diretamente ligadas ao trabalho do futebol.
"O vestiário não é teatro, não tem plateia", resumiu.
Vila Belmiro será preservada
Outro tema abordado foi o futuro da Vila Belmiro. Maruca descartou, neste momento, defender a demolição do estádio e afirmou que pretende recuperar a estrutura existente.
"Eu não penso em demolir Vila Belmiro de jeito nenhum. Acho que a Vila é um monumento que tem que ser preservado. Mas tem que ser preservado com dignidade", disse.
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A estratégia da chapa passa, entretanto, por aumentar o número de partidas disputadas pelo Santos em São Paulo para alcançar uma parcela maior da torcida e elevar as receitas de bilheteria.
A intenção é estabelecer esse calendário antes do início de cada temporada, evitando mudanças pontuais de mando decididas durante as competições. O Pacaembu aparece como uma possibilidade de "casa fixa" na capital, desde que existam condições técnicas para receber os jogos.
Sobre uma nova arena, a chapa adotou postura mais cautelosa. Maruca afirmou que primeiro pretende conhecer integralmente os compromissos já assumidos pelo Santos antes de apresentar qualquer projeto.
Futebol feminino e base
O plano apresentado ainda reservou espaço para o futebol feminino. A chapa pretende tratar as Sereias da Vila como parte da estratégia esportiva e comercial do clube, com investimentos em estrutura, formação e geração de novas receitas.
Maruca afirmou acreditar que o desenvolvimento da modalidade "vai trazer muitos frutos para o clube".
Nas categorias de base, o projeto prevê maior integração entre profissionais da formação e a equipe principal, acompanhamento por indicadores de desempenho e desenvolvimento dos atletas também fora de campo.
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A chapa ainda apresentou propostas para áreas como licenciamento, produtos oficiais, relacionamento com patrocinadores, programa de sócios, tecnologia e controle de fornecedores.
Segundo Maruca, a intenção é construir uma administração capaz de manter processos independentemente das mudanças políticas no clube e recuperar a capacidade de investimento do Santos.