Ligamento cruzado não assusta mais, mas coluna preocupa especialistas

Imagem ilustrativa para a matéria

Quando o torcedor recebe a notícia de que um importante jogador de seu time sofreu uma lesão no ligamento cruzado (no joelho), mesmo sem qualquer conhecimento técnico sobre o assunto, a reação negativa e de preocupação é inevitável. No entanto, segundo Thiago Lobo, fisioterapeuta do Santos e da Seleção Brasileira, atualmente este tipo de contusão não amedronta mais nem médicos nem atletas. O problema agora é outro.

“O mais rotineiro é trauma e entorse de tornozelo. O que chama mais a atenção é ligamento cruzado, porque tem toda aquela mística em cima, de que os caras no passado não voltavam mais a jogar. O Rafael, goleiro do Napoli, veio tratar aqui e conseguiu recuperar. Em quatro meses e meio estava jogando contra o Barcelona. Não assusta mais”, afirma.

Questionado sobre qual foi seu principal desafio desde que passou a trabalhar com futebol, Lobo não titubeia. “A lesão mais complicada que eu já tratei aqui foi a do Maikon Leite, porque não havia precedente em literatura. Eu não sabia onde buscar referência. Tinha que me basear na evidência que estava aparecendo ali, na hora, e desenvolver no protocolo”, conta. “Ele teve uma luxação de joelho, altamente incapacitante. Esgarçou túnica de artéria femoral, correu o risco de até não jogar mais e perder a perna. Tivemos de ter muito cuidado e critério. Ele conseguiu voltar a jogar, isso é a grande satisfação do esporte”, completa.

O diagnóstico que tem causado preocupação entre médicos e fisioterapeutas nos últimos tempos se diz respeito a uma parte do corpo muito pouco explorada no trabalho de prevenção no futebol.

“Os caras que têm muito tempo na prática do esporte têm pré-disposição a lesões estruturais. Antes, esquecia-se da coluna, mas há muito impacto e a coluna sofre. Estamos implementando esse protocolo já na base. Os atletas chegam ao profissional com menos risco de lesão e podem suportar um treinamento bem intenso”, comenta Lobo.

Thiago Lobo (a frente) garante que lesões como a de Alison não assustam mais nem médicos, nem fisioterapeutas e nem jogadores

Thiago Lobo (a frente) garante que lesões como a de Alison não assustam mais nem médicos, nem fisioterapeutas e nem jogadores - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

Quem já esteve dos dois lados sabe muito bem como funciona. Tom Pierin, além de integrar a equipe de fisioterapeutas do Peixe, conhece a outra face da moeda. Mais jovem, chegou a tentar a carreira de jogador de futebol e atuou nas categorias de base do Santos, ao lado de nomes como Robinho, Diego e Renato. “O Robinho brinca comigo e diz ‘ainda bem que tu estudou’”, conta, aos risos.

E tudo isso acaba sendo importante porque o trabalho de tratamento e prevenção está altamente interligado com todo o acompanhamento que é feito pela comissão técnica e pelos preparadores físicos, no campo.

“A parceria com a comissão técnica é muito importante também para você conseguir ter êxito. O respaldo da diretoria, a resposta do treinador, que avisa se teremos mais tempo com o jogador ou se ele precisa voltar rápido ao time, a psicologia, que nos dá a noção de como podemos cobrar um atleta ou não. Depois disso vem a transição, uma ponte da fisioterapia para a preparação física e daí para o grupo. Então, é um trabalho bem em conjunto”, explica Tom.

*Especial para a GE.Net

Conteúdo Patrocinado