Nos primeiros meses comandando o Santos, Marcelo Fernandes demonstrou ter sangue quente dentro de campo. Desde que foi efetivado, o técnico já foi expulso de campo em duas ocasiões, primeiro no jogo de ida da final do Paulistão contra o Palmeiras e depois na última rodada do Campeonato Brasileiro, a derrota contra a Chapecoense. Em entrevista ao Mesa Redonda da TV Gazeta, neste domingo, Marcelo justificou a expulsão em Santa Catarina que o tirou do comando da equipe no empate contra o Sport na Vila Belmiro.
“A respeito da expulsão, fiquei muito indignado. Os quartos árbitros não estão deixando a gente trabalhar sossegado. Olhei para o banco da Chapecoense e reclamei de um lance que eles não fizeram o fair play. Isso é uma coisa que eu prego aos meus jogadores, é importante. O quarto árbitro veio me questionar, expliquei o motivo da reclamação e ele me disse que eu estava fora. Aí eu me exaltei e acabei errando, xingando o árbitro”, disse o técnico santista.
Fernandes justificou a expulsão contra a Chapecoense no último domingo - Credito: Ivan Storti/Santos FC
Neste domingo, no empate contra o Sport, o Peixe jogou sob comando do auxiliar Serginho Chulapa. Porém, apesar de suspenso, Fernandes esteve ligado no jogo, passando informações para a equipe por meio de um buraco no acrílico dos camarotes da Vila. O treinador negou que burlou as regras, e utilizou a estrutura do estádio como justificativa.
“Só fui uma vez (que falei com o time), não queria causar desconforto com o Serginho. O quarto árbitro veio falar comigo. Mas o campo é assim, o que vou fazer?”, explicou técnico, que apesar do empate, elogiou seus comandados.
“Tivemos um volume muito bom de jogo. Conseguimos o segundo gol através de uma bola parada. Perdemos um terceiro gol e duas oportunidades, e numa infelicidade do Renato acabamos tomando o empate. Foi uma partida que tínhamos consciência que dava pra ganhar. A vitória seria mais justa, mas agora é bola pra frente, não temos tempo pra amargurar”, declarou
Marcelo Fernandes também falou sobre os trunfos que o Peixe utiliza para revelar tantos jogadores. Para ele, o diferencial está nas chances que o clube dá aos garotos desde o início da carreira.
“O Santos coloca o jogador para jogar. Esse é o diferencial. Hoje mesmo eu coloquei o Daniel Guedes, tenho escalado o Lucas Otávio, que vem fazendo bons jogos. No Santos, há uma paciência maior. Existem os problemas das expectativas de um novo Neymar, um novo Robinho, mas temos que aprender que cada um é cada um, sem essa de ficar com comparações. Mesmo assim, o trabalho de base é muito bem feito”, falou o técnico, que também exaltou a baixa folha salarial do clube e a presença da torcida no duelo contra o Sport.
“É importante falar que o Santos é campeão paulista com uma folha salarial de 3 milhões. Tem time por aí com 10 milhões de folha, o caminho nãoé esse. Não cabe mais isso no futebol. É difícil manter um time hoje com essa folha salarial”, disse. “Fiquei muito feliz com o público na vila hoje. Foi um ambiente muito legal, infelizmente não conseguimos a vitória, mas a torcida está de parabéns”, finalizou.