Entender a cabeça de cada atleta é fundamental para o sucesso no DM

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Eles garantem que no Santos de 2015 não há problemas quanto a isso, mas não negam que em algum momento da carreira, na fisioterapia, cruzaram com jogadores que não queriam trabalhar. Para driblar os “migués” dos atletas, os profissionais que atuam no Departamento Médico do Alvinegro apostam em muita conversa. Estímulos, cobranças e paciência fazem parte do dia-a-dia dos que trabalham na recuperação dos verdadeiros artistas.

“O importante é sempre passar para o jogador a responsabilidade. É preciso fazer ele entender que é tão responsável pelo êxito no tratamento quanto nós. O mais interessado em retornar é o atleta. Não temos tido problema quanto a isso. É um grupo diferente. Muito unido, muito família. No dia-a-dia você percebe que eles querem vencer, são responsáveis tanto no campo, quanto no CEPRAF”, exalta Tom Pierin, um dos três fisioterapeutas do elenco profissional do Peixe.

No entanto, os casos nem sempre se restringem a “corpo mole” do atleta no tratamento. Por vezes, o DM torna-se um refúgio para um jogador com problemas na vida pessoal, com dificuldades em encarar a cobrança da torcida ou ainda desmotivado. Para que a fisioterapia não se torne um “muro de lamentações”, os responsáveis garantem estar sempre em contato com o lesionado, buscando, por meio de conversas, solucionar os problemas ou, no mínimo, facilitar o trabalho dos psicólogos atuantes no clube.

“Não é receita de bolo. Envolve uma série de coisas sob as quais não temos controle, motivação, contrato, família. É desconfortável para nós quando um jogador tem muita lesão e começam a questionar a equipe de saúde do clube. Tentamos dar uma triada no atleta. Falo para psicóloga o que descobri. Nem tudo é propriamente físico, não são máquinas, há coisas que são emocionais. Os meninos que sobem ficam mais ansiosos. Estamos sempre conversando. O grande barato de trabalhar aqui no Santos é essa interação”, conta Thiago Lobo, que além de trabalhar no Peixe, presta serviços às seleções de base do Brasil.

O bom relacionamento com cada atleta que se lesiona e vai ao DM é fundamental para o sucesso no tratamento

O bom relacionamento com cada atleta que se lesiona e vai ao DM é fundamental para o sucesso no tratamento - Credito: Fernando Dantas/Gazeta Press

Mais do que conversar, é preciso também descobrir como o jogador responde aos estímulos. “O Neymar reage bem às críticas. Se você quiser tirar o melhor dele, é só criticar. Quanto mais ele apanha em campo, mais ele joga. Mas têm caras que não são assim. Que precisam de incentivo, atenção. Isso interfere no tratamento, temos que estar atentos. Não passamos 15 minutos com eles, é o dia todo. É preciso individualizar a conduta. Tenho que extrair o melhor suco da minha laranja, sempre”, completa Thiago.

O diagnóstico, porém, nem sempre é fácil. Já que, como relata Tom, “fingir lesão não dá, mas a clínica é soberana. Uma queixa a dor é subjetiva. Se ele diz que está com dor, não podemos dizer que não”. A meta então é “não deixar de lado, mas também não supervalorizar” o problema.

Seja como for, os casos de lesão no Santos são sempre supervisionados por psicólogos. O volante Alison, por exemplo, não foge à regra. Pela terceira vez no departamento médico do clube por problemas no joelho, ele é mais um a ser ‘vigiado’ de perto pela equipe de psicologia.

“Não só ele, mas também os outros atletas, quando é detectado algum tipo de problema. Nós mesmos acabamos conversando muito com ele, até brincamos que, neste caso, somos nós que resolvemos. Como nosso trabalho é integrado, nós avisamos os psicólogos sobre quem precisa conversar. São fáceis de lidar, então, acaba dando tudo certo e ajudando bastante no tratamento”, finaliza Avelino Buongermino, chefe de fisioterapia do Santos.

Especial para a GE.Net

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