A temporada santista, que iniciou cheia de desconfiança, ganhou força, se tornou ambiciosa e terminou frustrante, foi pontualmente analisada pela cúpula do clube no fim da tarde desta sexta-feira em reunião que invadiu a noite. Os primeiros passos para 2016 também foram discutidos pelo presidente Modesto Roma Jr, o vice, César Conforti, o gerente de futebol, Sérgio Dimas, o superintendente de esportes, Dagoberto Santos, e o técnico Dorival Júnior.
O clima não é dos melhores. Pela primeira vez, a diretoria tem sofrido diversas críticas vindas do elenco. Os atletas evitam expor a insatisfação em público, mas as pessoas que dirigem o clube estão cientes das reclamações e isso tem gerado um mal-estar muito grande. A mudança de data do primeiro jogo da Copa do Brasil e o excesso de jogos das categorias de base na Vila Belmiro, que acabou destruindo o gramado nesta reta final, são os principais pontos de discórdia. Os cartolas do Peixe não esperavam essa atitude do grupo de jogadores e a indignação é grande.
Enquanto isso, os atletas seguem em silêncio estratégico. Poucos falaram logo depois da derrota para o Palmeiras na final da Copa do Brasil e, em seguida, já nos vestiários, ficou definido que as entrevistas seriam suspensas. Desde quarta, ninguém do elenco falou com a imprensa e assim será até este domingo, dia da partida de despedida no Campeonato Brasileiro e da temporada.
Modesto Roma Jr, Dagoberto Santos e César Conforti estão revoltados com a atitude de alguns atletas, que reclamaram das ações da diretoria (foto: Ivan Storti)
Apesar de tudo isso, é preciso pensar no planejamento para a próxima temporada. A decepção pela não conquista da vaga para a Libertadores da América ainda reflete em muito abatimento entre os membros da diretoria e da comissão técnica, mas o Santos não perde a esperança em conseguir manter suas principais estrelas.
Durante a reunião, Dorival Júnior mais uma vez reiterou seu desejo pela contratação de Marquinhos Gabriel. Lucas Lima também foi citado pelo treinador como peça fundamental para a sequência da equipe. Nestes dois casos, a diretoria garantiu não medir esforços para atender o técnico. Marquinhos Gabriel tem um contrato de empréstimo que expira no fim do mês e o Al-Nassr, da Arábia Saudita, pede cerca de R$ 15 milhões pelo atleta. Já Lucas Lima tem sofrido com o assédio do exterior e seus representantes não negam que pretendem negociá-lo nesta janela de transferências.
Por outro lado, Dorival já sabe que dificilmente será atendido em outros pedidos. O comandante gostaria que Werley seguisse do plantel. Porém, a rejeição da boa parte da torcida e também da diretoria praticamente zeram as chances do zagueiro ficar. Leandro vive caso parecido. Prestigiado pelo treinador, o atacante não convenceu os dirigentes e deve retornar ao Palmeiras. Nilson e Marquinhos puxam a fila dos atletas que devem ser dispensados após 31 de dezembro, data que encerram seus vínculos com o Peixe, e Gustavo Henrique ainda é uma incógnita. Depois de rejeitar a proposta de renovação contratual do clube, o zagueiro deve se reunir com os diretores novamente para tentar ser um acordo. A intenção de ambas as partes é que o jogador revelado nas categorias de base do Santos, não saia neste momento.
Em meio a tudo isso, neste sábado Dorival Júnior comanda uma atividade fechada à imprensa no CT Rei Pelé. Neste domingo, às 17 horas, o Peixe recebe o Atlético-PR em um jogo que só servirá para cumprimento de tabela antes das férias.