Futebol

Dorival revela apreço por Sampaoli e diz que seu trabalho se assemelha ao de Guardiola

Pedro Nascimento* - São Paulo , SP
17/02/2019 14:00:56 — 17/02/2019 15:11:56

Em: Brasileiro Série A, Campeonato Paulista, Escolha do editor, Futebol, Santos
Para Dorival, estilo de jogo praticado pelo time de Sampaoli é prazeroso (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Dorival Júnior teve duas passagens pelo Santos na última década e treinou times que ficaram marcados pela ofensividade. No início de 2019, Sampaoli tem deixado ótimas impressões à frente do comando do Peixe, com seis vitórias, um empate e uma derrota nos oito jogos disputados até o momento. Mais do que esses números, um aspecto que chama a atenção da equipe é o futebol vistoso apresentado, com muitos gols marcados.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, Dorival falou sobre as características de Sampaoli como técnico. Considerando-se um apreciador deste estilo de jogo, Dorival revelou um apreço pelo treinador argentino e contou que desde 2014 já tinha curiosidade pela sua forma de treinar.

É um profissional por quem eu nutria muita curiosidade em poder conhecer um pouco mais detalhadamente o seu trabalho, inclusive já conversava sobre ele com Valdívia no Palmeiras em 2014. É um treinador muito interessante, primeiro porque joga pra frente, propõe jogo”, comentou o técnico. “É prazeroso ver equipes que acreditam que terão um ou outro percalço pela frente, porém que sempre vão persistir na posse de bola, no passe, nas movimentações preparadas para as infiltrações finais”

Para Dorival, Sampaoli não apenas acrescenta ao Santos, mas também ao futebol brasileiro como um todo. Apesar disso, faz questão de ressaltar que o país já possui profissionais que têm esse ideal de jogo.

“Acho que futebol é uma troca constante e eu espero que ele seja muito feliz em seu trabalho no futebol brasileiro. Para nós, a sua passagem também será muito importante”, disse. “Eu já vejo treinadores dentro do país buscando fazer um jogo com posse de bola. Fernando Diniz é um deles, o Renato Gaúcho é outro, além do Maurício Barbieri que também trabalha dessa maneira. Até mesmo alguns treinadores que trabalham no interior, como Moisés Heger, do Mirassol, buscam esse jogo”, apontou o treinador.

Time de Sampaoli tem vocação ofensiva: 20 gols em oito partidas até o momento (Foto: Ivan Storti/SFC)

No que diz respeito ao modelo de jogo de Sampaoli, Dorival enumerou diversas características que compõem o repertório do argentino. Para o ex-treinador do Santos, o sistema utilizado pelo atual comandante tem como sua base fundamental a troca de passes.

“É muito semelhante àquilo que o Guardiola desenvolve. Você pode ver que o Santos se caracteriza por uma saída com três homens e os dois laterais bem espetados, fazendo com que exista uma amplitude constante. E a intenção é justamente essa, abrir o adversário. Não tendo um homem de referência, você ganha um jogador a mais para que você possa prevalecer em todos os setores do campo com troca de passes, deixando os dois zagueiros adversários sem função alguma. A perda da bola com a retomada rápida ainda no campo de ataque também chama a atenção”, analisou.

Mesmo enaltecendo o trabalho de Sampaoli até o momento na temporada, Dorival ressaltou a necessidade de ter cautela por conta de todos os obstáculos que ainda surgirão no ano.

“Eu espero que ele tenha tempo e que ele possa implantar e desenvolver o seu trabalho, que resultados imediatos não sejam cobrados, ainda que o início tenha sido muito bom. Daqui a pouco ele fatalmente perderá um ou outro atleta pela condição do campeonato e da sequência de jogos, então você precisa ter paciência. Por isso falamos que nenhuma equipe consegue se manter no topo por muito tempo, já que é justamente nestes momentos que acontecem as trocas”, finalizou o treinador. 

Um contraponto – Nem todos os técnicos que passaram pelo Santos demonstram encantamento com o trabalho de Sampaoli. Claudinei Oliveira, que treinou o Peixe em 2013 e hoje comanda a Chapecoense, disse em entrevista coletiva que o profissional estrangeiro costuma ser bajulado excessivamente no Brasil.

“A gente já viveu com outros treinadores a lua de mel de treinador estrangeiro com imprensa. O Sampaoli é um grande treinador, mas vamos dar tempo ao tempo”, opinou Claudinei. “Ano passado em certo momento do Brasileiro o Aguirre era o melhor treinador do mundo, aí daqui a pouco não servia mais. Não é só porque é estrangeiro que é bom e nem só por ser estrangeiro é ruim, tem que execrar.”

O ex-técnico do Santos ainda disse que o argentino tem certas práticas que costumam ser criticadas quando algum treinador brasileiro as faz e que é necessário ter imparcialidade nas análises.

“Sampaoli não dá entrevista antes do jogo e todos acham normal. Vai o Claudinei não dar entrevista antes do jogo, pô, daí é antipático. Sampaoli corre a linha lateral inteira do campo, vai e volta da área técnica e todos acham bonito. A gente dá um passo fora da área técnica, o quarto árbitro fala que vai expulsar. Que se tenha o mesmo tratamento para todos.”

 * especial para a Gazeta Esportiva




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