Versões de Modesto e ex-funcionário complicam Santos na Justiça

Lucas Musetti Perazolli - Santos , SP
30/04/2019 06:00:37 — 30/04/2019 10:49:07

Em: Escolha do editor, Futebol, Notícias, Santos
Santos trava duas grandes disputas na Justiça (Foto: Gazeta Esportiva)

O Santos trava duas grandes disputas na Justiça. E duas versões recentes dificultam a atuação do Peixe nos tribunais.

A primeira é do ex-presidente Modesto Roma no imbróglio com o escritório de advocacia Bonassa Bucker, por meio da advogada Fátima Cristina Bonassa Bucker. A empresa cobra R$ 12.963.989,72 em honorários da gestão passada, por causa de diversos acordos, mas principalmente pelo acerto para o fim da disputa com a Doyen Sports.

Por ter ajudado a encerrar o litígio com o fundo maltês, R$ 9.971.271,00 são exigidos pela profissional. O acordo com a Doyen foi concluído por 23 milhões de euros (R$ 109,6 mi). Falta uma parcela de 5 milhões de euros (R$ 22 milhões) a ser paga até setembro deste ano.

O Alvinegro não reconhece a cobrança. A advogada busca o pagamento e conseguiu o bloqueio das contas do clube. Modesto se declarou a favor do escritório (veja abaixo).

“Advogada fazia parte da defesa do Santos, segundo ela intermediária do acordo Santos e Doyen. Não houve sucumbência. Ela já R$ 11 milhões e assinou quitação total. O ex-presidente (Modesto Roma) foi na Justiça e disse de punho que ela tinha direito a mais R$ 13 milhões. Temos que obedecer as decisões judiciais. Ela não venceu, mas garantem o dinheiro para o caso dela vencer. Ela pode não ganhar (os R$ 13 milhões) e ainda ter de devolver os R$ 11 milhões. Folhas trabalhistas têm prioridade, por isso vamos conversar com o juiz. Não é justo não pagar ao elenco por causa dessa pendência. A advogada recebeu R$ 11 milhões em novembro como intermediária, assinou uma quitação. Agora apareceu e quer mais. Juiz vai decidir e vamos respeitar”, diz o presidente José Carlos Peres.

“O escritório Bonassa Bucker defendeu o Santos em algumas ações. Uma delas foi a Doyen versus Santos, no caso Leandro Damião. Era uma ação por R$ 80 milhões pela perda do vínculo com o atleta. Provamos que não perdemos o vínculo, ganhamos a ação. A ação zerou uma sucumbência, quando um juiz manda o perdedor da ação pagar ao advogado os honorários, 10% da ação. Essa dívida tinha de ser paga pela Doyen, pois perdeu a ação. E foi pago. Faz parte do acordo o pagamento pelo Santos em nome da Doyen, descontando da Doyen, esse valor (dos honorários). É um ponto isolado, pago e resolvido, terminado. Ponto final. No começo do ano passado, Santos destituiu, sem acordo e conversa, o escritório. É um direito, mudou a administração. Mas os honorários tinham de ser pagos. O escritório cobra esses honorários, normal. Não adianta o presidente contar historinha e confundir valor com outro. São fatos diferentes. A advogada me fez uma consulta formal, respondi formalmente afirmando a dívida do Santos, nos termos dos contratos que existem entre Santos e Bonassa Bucker. Envolve o acordo com a Doyen, que não foi pago. Foi pago em nome da Doyen a sucumbência dessa ação (do Leandro Damião)”, afirmou Modesto Roma, à Gazeta Esportiva.

“Depois de um ano e meio de gestão, tem que sair (José Carlos Peres) do palanque e administrar o clube. A cada mês sem poder pagar salário, é uma história. Nós pegamos o clube melhor que ele pegou? Não. A administração anterior deixou algo bem complicado, até a história da floricultura. Chega! Tem que administrar o clube. Você me viu reclamando das gestões passadas? É só ler o balanço. Acho que o presidente sabe ler um balanço. Não parece, pois não diz o que está no balanço, mas acho que sabe. Se não souber, não sei o que está fazendo lá. Vejam meu prejuízo e o prejuízo na gestão dele. Nós pagamos muitas dívidas e nós diminuímos o déficit, ao contrário dele, que aumentou. A primeira coisa que sempre respeitarei é o Santos Futebol Clube. Nome do Santos é mais importante do que qualquer outra coisa”, completou o ex-presidente.

Carta de Modesto Roma, em 21 de novembro de 2018 (Gazeta Esportiva)

A advogada Fátima Cristina Bonassa Bucker diz que “o clube também deixou de honrar os honorários convencionados, igualmente por escrito, para outras demandas nas quais também obtivemos êxito para o clube. Esses também serão cobrados judicialmente”.

O Santos busca não ter de pagar os honorários na Justiça. O Peixe diz ter sido avisado por um juiz na última segunda-feira sobre uma melhor avaliação do caso nos próximos dias. O Alvinegro apontará suposto conflito de interesse na contratação do escritório de advocacia.

No início dessa década, a firma Bonassa Bucker representava a empresa Giroflex, enquanto Osvaldo Ribeiro, superintendente administrativo do Santos na gestão Modesto Roma, era presidente. E a doutora Fátima consta como advogada de processo pessoal do dirigente em 2015.

QUANTUM

O Santos tem um imbróglio com a Quantum Solutions Limited, empresa de Malta supostamente intermediária de uma negociação com o Paris Saint-Germain pelo mecanismo de solidariedade na compra de Neymar, em 2017, junto ao Barcelona. O Peixe teve direito a 5% por ser clube formador – R$ 34 milhões dos R$ 820 mi da multa rescisória.

A Quantum cobra pouco mais de R$ 2 milhões, 5% de comissão do valor recebido pelo Alvinegro. A firma garante ter sido decisiva já que, como a transferência se realizou por meio de multa, o mecanismo de solidariedade poderia não ser obrigatório.

O Santos não admite a dívida e, assim como no caso da Bonassa Bucker, tem o reconhecimento do débito pela antiga gestão, de Modesto Roma.

E neste caso, há um agravante. Ex-coordenador do departamento de contratos, registros e transferências de atletas, Felipe Nóbrega registrou uma carta a favor da Quantum no dia 12 de abril (veja um trecho abaixo). O profissional afirma o seguinte: “Após a contratação da Quantum Limited Solutions, a negociação começou a fluir e o PSG passou a responder os e-mails”.

Trecho da carta de Felipe Nóbrega (Gazeta Esportiva)

Felipe foi demitido em agosto de 2018, apontado como responsável pela punição da Conmebol após a escalação irregular de Carlos Sánchez contra o Independiente-ARG, nas oitavas de final da Libertadores de 2018. O Alvinegro foi declarado derrotado por 3 a 0 na ida, empatou em 0 a 0 na volta e acabou eliminado.

De acordo com o departamento jurídico do Santos, Felipe Nóbrega não obedeceu ao processo de checagem na confederação sul-americana e, quando questionado, disse que esqueceu. Sánchez havia sido expulso em 2015, ainda pelo River Plate, na Sul-Americana, e não poderia atuar.

À época, Felipe negou a acusação e se disse “bode expiatório”. Ele não atendeu ao contato da reportagem da Gazeta Esportiva a tempo da publicação desta matéria.

O Santos diz ter provas de que Nóbrega não tinha conhecimento das conversas pelo recebimento do mecanismo de solidariedade junto ao PSG. Testemunhas prestaram e prestarão queixa no GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).




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