Conselho do Santos abre processo de impeachment de Peres; Rollo assume

Lucas Musetti Perazolli - Santos,SP

28-09-2020 21:58:37

O Conselho Deliberativo do Santos decidiu, por ampla maioria, pela abertura do processo de impeachment de José Carlos Peres na noite desta segunda-feira, em reunião virtual. O "sim" de 2/3 dos presentes era necessário e 161 de 176 aprovaram. O vice-presidente Orlando Rollo assume provisoriamente o clube a partir desta terça.

Outros sete membros do Comitê de Gestão foram afastados interinamente: Anilton Perão, Bruno Carbone, Estevam Juhas, Fábio Gaia, Matheus Rodrigues, Paulo Schiff e Pedro Dória. Rollo, sem função desde 2018, não foi envolvido na ação.

Os conselheiros deram razão à Comissão de Inquérito e Sindicância, que apontou irregularidades nas contas de 2019 e classificou a gestão como "temerária".

José Carlos Peres e Orlando Rollo (Foto: Ivan Storti/Divulgação SFC)

O Peixe teve R$ 23,5 milhões de superávit após a contabilização da venda de Rodrygo. A Comissão Fiscal, porém, atentou para outros fatos, como uso indevido do cartão corporativo e pagamento inapropriado de comissões em negociações.

Peres e os demais gestores terão "julgamento" individual. Eles possuem 10 dias úteis para apresentar a defesa. A Comissão de Inquérito e Sindicância recebe as justificativas e possui sete dias úteis para novo parecer.

Se a sugestão for novamente pelo impeachment, a Mesa do Conselho marca nova votação. E se o "sim" permanecer, marca-se a assembleia. O prazo total é de 60 dias. Neste período, o presidente e gestores ficam suspensos. Vale lembrar que a eleição está prevista para a primeira quinzena de dezembro e há oito pré-candidatos até o momento: Andrés Rueda, Daniel Curi, Esmeraldo Tarquínio, Fernando Silva, Milton Teixeira Filho, Ricardo Agostinho, Rodrigo Marino e Vagner Lombardi.

Dessa forma, Orlando Rollo pode assumir a presidência nesta terça-feira e escolher novos integrantes do Comitê de Gestão, incluindo um vice. José Carlos Peres promete tentar reverter o processo na Justiça e busca uma liminar para as próximas horas.

Em 2018, Peres continuou presidente até ser "salvo" na assembleia entre os associados. Na ocasião, foi criticado por "usar a máquina" durante o período. Desta vez, após alteração no Estatuto Social em 2019, o mandatário precisa ficar afastado até o processo de impeachment ser concluído.

Pessoas próximas a Orlando Rollo afirmam que o vice-presidente terá postura "agregadora" no comando do clube. A ideia é ajudar na transição até o candidato eleito em dezembro. O dirigente fala em apoiar o técnico Cuca e buscar formas de diminuir a crise financeira.

Enquanto isso, o Santos viaja no início da tarde desta terça para o Paraguai, onde enfrentará o Olimpia, quinta, às 19h, em Assunção, pela quinta rodada da fase de grupos da Libertadores da América.

Vale lembrar que Rollo foi presidente rapidamente em 2019, no dia 11 novembro, após José Carlos Peres ser suspenso pelo STJD. No dia seguinte, o presidente obteve uma liminar. Na ocasião, ele trocou parte do Comitê de Gestão, foi ao clube e se deparou com "gavetas fechadas" e parte dos funcionários dispensados. Houve confusão e discussão acalorada entre funcionários e apoiadores do vice.

Orlando Rollo disse o seguinte à época: "A gente assumiu e está evitando medidas extremas, pelo bom clima que tem que pairar no clube. O clima está ruim por causa do próprio presidente". Peres respondeu: "Tentaram dar um golpe por 15 dias. Nada justifica criar esse clima de terrorismo".

Irregularidades

De acordo com parecer do Conselho Fiscal sobre 2019, o presidente Peres admitiu utilização indevida do cartão corporativo, "bem como a negligência com as pendências de ressarcimento dos valores". Isso infringe o Estatuto Social em mais de um artigo. Em entrevista à Gazeta Esportiva, o presidente disse que cancelou o cartão. 

O CF apontou apontou R$ 28.761,65 gastos por motivação pessoal e sem reembolso. Peres afirmou por várias vezes ter usado o dinheiro para reuniões ou necessidades do escritório do clube em São Paulo.

O Conselho Fiscal também ratificou a preocupação com comissões a empresários. E não obteve os documentos pedidos da venda de Bruno Henrique ao Flamengo, por exemplo.

Outro ponto importante, de acordo com o relatório do CF, é a utilização de escritório de advocacia contratado pelo Santos para defender Pedro Doria, membro do Comitê de Gestão, e também da filha do presidente José Carlos Peres.

Todas essas denúncias foram encaminhadas à Comissão de de Inquérito e Sindicância. Com os documentos, a CIS recomendou o impeachment.

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