Após frustração por Rodrigão, “gato” Yuri quer matar saudade de Rodrygo no Santos

Correspondente Lucas Musetti Perazolli - Santos , SP
17/05/2018 06:00:28 — 17/05/2018 10:26:13

Em: Brasileiro Série A, Escolha do editor, Notícias, Santos
Yuri Alberto ganhará chance no Santos (Ivan Storti)

Dois garotos e o mesmo sonho, comum para tantos: ser jogador profissional de futebol. Parceiros de ataque nas categorias de base e de carteira nas salas de aula. Amizade convertida em muitos gols no Santos. E a expectativa maior a cada aniversário comemorado: a promoção ao elenco principal. Rodrygo e Yuri Alberto.

Joias do Peixe, os atacantes realizaram o sonho juntos, em outubro de 2017, sob o comando do ex-técnico Elano. Os primeiros meses com os mais velhos, porém, afastaram aquele dueto infalível do sub-13 ao sub-17. Rodrygo é titular absoluto, procurado pelo Barcelona-ESP. Yuri, com maior concorrência, começa a galgar espaço com Jair Ventura.

Nada que incomode o centroavante Yuri Alberto. Ver o amigo ponta brilhar o deixa feliz, mesmo que seja estranho ser espectador no banco de reservas. O problema é a saudade…

“Eu sinto muito a falta dele. Neguinho é embaçado. É diferente (não atuar ao seu lado), mas fico feliz por ele. A fase é muito boa e ele merece tudo isso. No último jogo (contra o Luverdense, na Vila Belmiro), eu entrei e falei para ele cortar, me encontrar no facão e tocar para trás. Na base fazíamos isso todo jogo. Saudade…”, disse Yuri Alberto, em sua primeira entrevista exclusiva no CT Rei Pelé, concedida à Gazeta Esportiva. 

Há pouco mais de um mês, o raio conversou com a reportagem e confidenciou o desejo de reeditar os lances da base no profissional em breve.

“Eu jogo com o Yuri desde o sub-13. Claro que dá saudade. Sempre tivemos parceria, esse entrosamento. Ele vai ganhando espaço e no futuro o ataque pode ser Rodrygo e Yuri. Tomara!”, afirmou.

Rodrygo e Yuri Alberto buscam reeditar dupla no profissional (Ivan Storti)

Nesta quinta-feira, a parceria poderia ser reeditada, mas ficará para outra oportunidade. Yuri Alberto será titular contra o Luverdense, às 19h15 (de Brasília), em Lucas do Rio Verde, no Estádio Passo das Emas, pelo segundo jogo das oitavas de final da Copa do Brasil. Rodrygo, porém, foi poupado por Jair e ficou em Santos, onde torcerá pelo companheiro de longe.

Yuri perdeu espaço com as chegadas de Gabigol e Eduardo Sasha ao elenco em 2018. Só que a maior frustração está nas chances dadas para Rodrigão no início do Campeonato Paulista. Depois de ser devolvido pelo Bahia, o atacante substituiu Ricardo Oliveira e foi titular nos quatro primeiros jogos da temporada. Essa sequência ainda não foi dada ao Menino da Vila. São cinco partidas ao todo, duas desde o apito inicial.

“Cara, eu acho que sim (frustração por ver Rodrigão titular). Eu senti isso, sim. As chances que o Rodrigão teve eu não tive. Ele aproveitou bem no começo, depois não foi tão bem e eu passei a ter oportunidade, mas chegou o Sasha e o Gabigol e eu perdi um pouco do espaço”, lamentou a joia.

Ainda tímido com a imprensa, mas espontâneo, Yuri Alberto gargalhou ao comentar as zoações sobre a sua idade. Realmente, é difícil chutar 17 anos para o atleta. Tanto é que muitos pensam que o pai, Carlos, é seu irmão. Bem-humorado, ele jurou não ser gato, expressão dada aos jogadores que adulteram a idade.

“Todo mundo nas redes sociais pergunta se tenho 17 anos mesmo. Tem gente que nem sabe que tenho 17 até hoje. Quem me conhece, sabe quem eu sou, a família, todos sabem que eu tenho 17 e tal. Barba está crescendo só agora, mas saio na rua e falam que eu sou irmão do meu pai. Ele não tira o boné, dificulta pra mim (risos)”, explicou.

À Gazeta Esportiva, Yuri Alberto concedeu primeira entrevista exclusiva (Divulgação)

Procura do Santos por um camisa 9, desconvocação na seleção brasileira sub-20, apelidos, recorde de Diego Ribas quebrado na base… Yuri Alberto ainda falou sobre esses e outros assuntos. Confira a entrevista completa abaixo.

Seus primeiros meses estão acima ou abaixo de suas expectativas?

Acima. Eu estou bem, feliz. É questão de oportunidade. Tenho trabalhado muito. Rodrygo aproveitou oportunidade, Bruno Henrique se machucou, ele assumiu e está bem. Eu espero pela minha.

Você tem a chance de jogar contra o Luverdense. Como encara essa oportunidade?

Pelo que eu venho treinando, espero ser titular. Será importante. Temos que ir para ganhar. Temos que vencer de novo, mas viagem será desgastante e temos que tomar cuidado para o clássico de domingo.

Sua boa média de gols nesses poucos jogos de 2018 te motiva? (dois gols em cinco partidas ou 211 minutos em campo, quase um a cada 90′)

Claro que sim. É difícil ser centroavante, ainda mais na minha idade. Eu entro para decidir, sem peso por ser jovem. Tento decidir, assim como contra o São Bento, onde não fiz gol, mas sinto que foi bem. E aí fiz gol contra Novorizontino e Luverdense.

Contra o Luverdense, você fez o gol no seu primeiro toque na bola. Você poderia ter dominado na pequena área, mas optou pelo chute de primeira. Como foi o lance?

Eu tenho confiança. Faço muito isso no treinamento, esse chute forte com cruzamento rasteiro. Estou acostumado, não foi algo pensado. Até brinquei com o Arthur que não acreditava no gol ter saído no primeiro toque.

Muitos atacantes chegam no elenco profissional sem dominar a finalização com a perna ruim. Com você é diferente e a sua canhota funciona. Como você aprendeu?

Um cara que me ajudou muito foi o Nenê Belarmino, era meu supervisor no sub-15. De segunda a quinta fazíamos cinco finalizações de direita e cinco de esquerda depois dos treinos. E a cada dia foi diminuindo o nível de erro. E eu acho que isso foi fundamental para mim.

Nas redes sociais, você adotou o apelido “Yurizin”. E alguns companheiros te chamam de Brocador. Como podemos te chamar?

Isso vem desde o Sul-americano, das hashtags em fotos. Isso pegou, me chamam de Yurizin. Os amigos falam e deu certo. Me chamam de Brocador também, mas prefiro Yurizin, menos pressão (risos).

Rodrygo e Yuri são as principais joias do Peixe (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC

O Santos está procurando mais um centroavante. Falou-se em Barcos recentemente, por exemplo. Acha necessário?

Eu acho que não precisa de um centroavante. Nosso quarteto de ataque está bem. Gabriel sabe aproveitar as chances, Sasha bem, Rodrygo, tem o Bruno Henrique, e eu estou aqui esperando para aproveitar minhas oportunidades, né?

Com Gabigol de volta às pontas, suas chances aumentam?

Sim! Acho que assim eu terei mais chance de entrar nas partidas.

Você foi testado pelo Jair Ventura como um ponta. Deu certo? Pode jogar assim?

Foi só no início do trabalho. Com Sasha e Gabigol, ele perguntou e eu disse fui ponta na seleção sub-17. Treinei, fui bem, mas abriu brecha como centroavante, onde eu gosto mais.

Você foi desconvocado da seleção brasileira sub-20 a pedido do técnico. Como reagiu?

Eu sabia que seria desconvocado. Jair conversou comigo. Convocação é importante, era a primeira pelo sub-20, mas fiquei e pude fazer meu primeiro gol na Vila. Foi importante ficar.

Vira e mexe seu nome é ligado a clubes europeus. Arsenal e Manchester United, da Inglaterra, foram os últimos. Como é lidar com isso?

Fico feliz pelo reconhecimento fora do Brasil, mas eu só penso no Santos e quero fazer história aqui.

No seu currículo, está a quebra de um recorde de Diego Ribas (hoje no Flamengo) no sub-15. Você fez 32 gols no Campeonato Paulista. Conta isso melhor…

Eu tinha apostado com um amigo meu. Falou que o recorde do Diego era 31 e me desafiou a passar. Eu tava com 29 antes da final (título para o Palmeiras). No primeiro jogo, fiz um gol na Vila e cheguei a 30. No segundo, fiz dois e passei o Diego e outro atacante que havia igualado ele (Rodrigo, do Red Bull Brasil, ambos com 31).

Vamos imaginar um cenário negativo para você. O Santos contrata um novo camisa 9 e ainda tem Gabigol e Eduardo Sasha para a função. Você, sem espaço, pensaria em ser emprestado no segundo semestre?

Não, eu continuaria treinando firme porque as brechas sempre aparecem.

Yuri Alberto tem contrato até agosto de 2020 (Foto: Divulgação)




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