Análise: Santos aproveita erros do Inter, mas quase compromete vitória encaminhada

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(Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C.)

O Santos venceu o Internacional por 3 a 2, neste domingo, no Beira-Rio, e conquistou três pontos importantes para se afastar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. A equipe de Cuca chegou aos 32 pontos, na 12ª colocação, e confirmou a terceira vitória consecutiva fora de casa. O resultado, porém, veio acompanhado de um alerta: depois de abrir 3 a 0 e atuar com um jogador a mais, o Peixe permitiu que uma partida aparentemente resolvida terminasse sob pressão.

A atuação teve dois momentos distintos. No primeiro tempo, o Santos foi eficiente, aproveitou os erros do adversário e soube explorar os espaços. Na etapa final, perdeu intensidade, não conseguiu controlar a posse como pretendia e deixou o Internacional recuperar a confiança. A vitória foi merecida pelo que o time construiu, mas o sofrimento poderia ter sido evitado.

Eficiência transforma erros em vantagem

O Internacional começou tentando impor o ritmo, mas o Santos encontrou rapidamente uma maneira de atacar. A falha de Félix Torres, aos sete minutos, foi aproveitada por Gabigol, que roubou a bola, avançou livre e abriu o placar. O lance mudou o ambiente de um Beira-Rio já pressionado pela sequência negativa dos mandantes.

A partir daí, o Peixe passou a explorar as transições com mais frequência. Rollheiser foi importante para acelerar as jogadas e encontrar Gabigol em profundidade. Foi de um passe do argentino que nasceu o pênalti cometido por Matheus Bahia, posteriormente expulso. O camisa 9 converteu e ampliou a vantagem.


O terceiro gol, de Christian Oliva, veio em uma jogada de bola parada trabalhada, com cruzamento de Rollheiser. O Santos terminou suas três primeiras finalizações com três gols, um aproveitamento que demonstra a capacidade de ser decisivo mesmo sem precisar acumular grande volume ofensivo.

Gabigol foi o principal nome desse período. Além dos dois gols, ofereceu profundidade e aproveitou a fragilidade da defesa colorada. O Santos não precisou dominar territorialmente durante todo o primeiro tempo para construir o resultado: foi mais objetivo e soube atacar nos momentos certos.

Um jogador a mais, mas sem domínio

A vantagem de três gols e a superioridade numérica colocavam o Santos em uma situação confortável. Ainda assim, o Internacional voltou do intervalo com outra postura e diminuiu rapidamente com Aguirre, em um chute de fora da área. O gol alterou o ritmo emocional da partida e devolveu confiança aos mandantes.

Cuca tentou responder com a entrada de Arthur no lugar de Caballero. A mudança tinha como objetivo aumentar a qualidade da circulação de bola e oferecer mais controle ao meio-campo. O estreante ajudou o Santos a reter a posse em alguns momentos, mas a equipe não conseguiu transformar essa alteração em domínio consistente.

O Peixe passou a administrar a vantagem, recuou suas linhas e permitiu que o Inter permanecesse por mais tempo no campo ofensivo. Embora os gaúchos não tenham criado uma sequência de chances claras durante boa parte da etapa final, o Santos também deixou de ameaçar com regularidade.

Havia espaços para contra-atacar, especialmente porque o adversário precisava se lançar à frente. Gabigol teve uma oportunidade para ampliar, e o time ainda encontrou situações com Lima e Thaciano, mas faltou precisão para marcar o quarto gol. A ausência dessa efetividade manteve o confronto aberto por mais tempo do que o necessário.

O susto que não pode ser ignorado

O pênalti cometido por Miguelito em Vitinho, convertido por Bruno Henrique, transformou os minutos finais em uma situação de risco. O Internacional passou a apostar em bolas levantadas na área, enquanto o Santos se concentrou em defender e tentar prender a bola no ataque.

A equipe conseguiu sustentar o resultado, mas a queda de rendimento mostrou que ainda há dificuldade para administrar vantagens sem abrir mão de jogar. Com um homem a mais, o Santos poderia ter usado melhor a posse para desgastar o adversário, diminuir o ritmo e encontrar espaços. Em vez disso, permitiu que o Inter mantivesse esperança até o apito final.

O contexto também ajuda a dimensionar a vitória. Sem Neymar e Barreal, lesionados, Cuca precisou recorrer a alternativas e deu os primeiros minutos a Arthur e Lima, reforços que ainda buscam ritmo e entrosamento. O resultado oferece tranquilidade em uma semana de compromissos importantes, mas não elimina a necessidade de ajustes.

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O Santos sai de Porto Alegre com motivos para comemorar. Venceu um confronto direto, ampliou a distância para o Z4 e mostrou capacidade de aproveitar as fragilidades de um adversário pressionado. Ao mesmo tempo, deixou escapar a oportunidade de transformar uma vantagem expressiva em uma vitória tranquila.

A recuperação no Brasileirão é evidente, mas o próximo passo exige mais do que eficiência para abrir o placar. Para enfrentar o Atlético-MG, na quarta-feira, pela ida das quartas de final da Sul-Americana, o Peixe precisará mostrar que também sabe controlar o jogo quando o resultado está a seu favor. Em um mata-mata, permitir que o adversário volte para uma partida aparentemente encaminhada pode ter um custo muito maior.

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