Com o favoritismo nas costas, o River Plate tentará encerrar um jejum de três temporadas sem títulos quando enfrentar neste domingo, na final do Torneio Apertura da Argentina, o Belgrano, que sonha com sua primeira taça na elite nacional.
O Millonario, um dos gigantes do futebol sul-americano, conquistou seu último título na Supercopa da Argentina de 2023, quando o técnico ainda era Martín Demichelis.
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— River Plate (@RiverPlate) May 23, 2026
"Não é nada fácil"
Apesar dos investimentos milionários, da força de sua torcida e do retorno do ídolo Marcelo Gallardo, substituído por Eduardo Coudet em março, o clube da faixa vermelha só agora tem a chance de voltar a dar uma volta olímpica.
Embora fosse considerado candidato ao título praticamente desde o início da competição, o caminho do River até a final — que será disputada no estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, às 15h30 (de Brasília) — teve altos e baixos.
O gigante de Buenos Aires esteve a um minuto de ser eliminado nas oitavas de final pelo San Lorenzo, que ainda desperdiçou dois pênaltis de vantagem na disputa por penalidades.
Depois de escapar da eliminação, o River mostrou melhor futebol nas vitórias sobre o Gimnasia La Plata (2 a 0) e o Rosario Central (1 a 0), equipe de Ángel Di María, chegando à decisão mais fortalecido e confiante.
“Não é nada fácil. Vamos permanecer juntos até domingo e tentar fazer uma grande final. Acho que chegamos muito bem”, afirmou Coudet.
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Final com clima de revanche
Coudet poupou todos os titulares no empate por 1 a 1 contra o RB Bragantino na quarta-feira, pela penúltima rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana, na qual o River já garantiu ao menos vaga nos playoffs das oitavas de final.
Mas o treinador argentino já sabe que não poderá contar com quatro jogadores importantes na decisão por problemas físicos: o lateral-direito Gonzalo Montiel, o lateral-esquerdo uruguaio Matías Viña, o volante Aníbal Moreno e o atacante Sebastián Driussi.
No retrospecto geral, o River leva ampla vantagem sobre o Belgrano, com 26 vitórias em 41 partidas e apenas oito derrotas, mas esta final carrega um sabor especial de revanche.
Isso porque, há 15 anos, em 2011, as equipes se enfrentaram em uma histórica repescagem pela permanência na primeira divisão que terminou com o acesso do Belgrano e o catastrófico rebaixamento do River, o primeiro e único de sua história.
“Será uma grande oportunidade, não podemos deixá-la escapar. Temos que nos preparar bem, todos precisam estar prontos porque este clube exige. Faz muito tempo que não vivíamos uma situação assim”, destacou o meio-campista colombiano Juan Fernando Quintero, ídolo da equipe de Núñez.
A esperança de Córdoba
Do outro lado, o Belgrano de Córdoba está a um passo de conquistar um título histórico em seus 121 anos de existência, motivo pelo qual a partida deste domingo é considerada a mais importante da história do clube celeste.
Depois de avançar aos playoffs na quinta posição do Grupo B, o Pirata eliminou seu arquirrival Talleres por 1 a 0 e depois venceu com autoridade o Unión de Santa Fe por 2 a 0.
Na semifinal, porém, sofreu para empatar com o Argentinos Juniors por 1 a 1, graças a um gol de Nicolás Fernández aos 90+4, antes de avançar nos pênaltis.
Dirigido pelo experiente técnico Ricardo Zielinski, o Belgrano é uma equipe batalhadora, que conta com o armênio Lucas Zelarayán como maestro em campo, apoiado pela experiência de jogadores como Emiliano Rigoni e Franco Vázquez.
Embora a final seja disputada em campo neutro, o estádio Mario Alberto Kempes fica a apenas sete quilômetros da casa do Belgrano.
“É uma emoção enorme, estávamos esperando por isso. Voltamos para isso, para tentar levar o Belgrano a outro patamar. Sua torcida merece”, comentou Zielinski.
O treinador vive sua segunda passagem pelo clube após uma primeira etapa entre 2010 e 2016, justamente quando levou a equipe à elite argentina ao superar o River no playoff de acesso.
“Este é um dos melhores Belgrano que o torcedor já viu. Hoje temos jogadores de hierarquia, competindo contra um dos maiores times do mundo. Ser competitivo contra o River nos enche de orgulho. Vamos fazer um grande jogo”, garantiu o presidente dos Piratas, o ex-atacante Luis Fabián Artime.
*Por AFP