Enquanto a impressa aguardava por uma coletiva pelo lado do Paraná Clube para falar sobre a derrota por 1 a 0 para o time sub-23 do Atlético Paranaense, pela terceira rodada do Campeonato Paranaense 2015, jornalistas foram surpreendidos por um desabafo do gerente de futebol paranista, Marcus Vinícius. Aos prantos, o dirigente fez um prognóstico sombrio sobre o clube e pediu união par manter vivo o Tricolor.
“O Paraná Clube chegou em uma situação em que não tem como. Esse choro meu é de todos os funcionários, de todos os atletas, de todas as pessoas que estão envolvidas no Paraná. Cada lágrima dessa representa um funcionário. O funcionário que não recebe salário há quatro, cinco meses. Tem jogador que não recebe há sete meses”, revelou o gerente, que já enxerga um triste fim par ao clube. “O que eu quero dizer é que os paranistas se unam ou o Paraná vai acabar este ano. Não tem mais jeito. O Paraná não se resume a hoje. Se resume a um problema de anos e está afunilando, está acabando”, disse.
Sem citar nomes e defendendo o atual presidente Rubens Bohlen, Marcos Vinícius alertou que a briga política dentro do Tricolor é um dos fatores da deterioração financeira, que chegou a uma situação limite. “Se as pessoas não pararem com essa vaidade, de quererem derrubar A, B ou C, o Paraná vai fechar. É triste, é triste. A Justiça vai tomar tudo do Paraná se vocês não se unirem, paranistas. A vaidade arruína o ser humano e vai destruir um clube chamado Paraná Clube”, analisou.
Porém, o momento mais emocionante do relato, e que resume a precariedade vivida por um clube que surgiu como um dos mais ricos do Estado, em 1989, e hoje deixa funcionários na penúria. “A tia da cozinha virar para mim e falar que, na casa dela, não tem comida. Isso é muito triste. Morreu o pai do segurança nosso na semana passada, e fizemos uma vaquinha para enterrar o pai dele. Isso é muito triste. Esses jogadores entrem em campo e deram tudo de si, mas alguns estão há sete meses sem receber”, desabafou o dirigente.
Marcus Vinicius garante que está pronto para receber represálias e até mesmo ser demitido, mas espera mesmo é que seu alerta seja escutado. “Posso ser demitido amanhãs, mas se daqui 20 anos eu vir o Paraná jogando a Série A contra o Corinthians, o São Paulo, saberei o quão importante foi meu alerta”, finalizou.
Clube há mais tempo na Série B do Campeonato Brasileiro, o Paraná tem em enfrentado sérias dificuldades financeiras, que já levou a greve de jogadores – a primeira em 2009 - saída de atletas, impossibilitou a concentração antes de jogos, como aconteceu no clássico deste domingo, levou à perda de patrimônio, com sedes indo a leilão, e de patrocínios por falta de certidão negativa de débitos.
Fundado em dezembro de 1989 da fusão de Pinheiros e Colorado, o Tricolor herdou um grande clube social, milhares de sócios e patrimônio. Ainda na década de 90, se destacou com um pentacampeonato estadual e pela conquista a segunda divisão do Brasileirão em 1992. Decisões equivocadas de algumas administrações ao longo de duas décadas levaram a atual situação, que começou a se agravar após a participação do time na Libertadores da América de 2007, última chance de se destacar no cenário nacional.