Além da comemoração pela vitória por goleada para cima do Grêmio, por 4 a 1, o clima pós-jogo do Palmeiras na última quarta-feira ficou marcado pela repercussão do escândalo de manipulação de jogos por meio de apostas esportivas, investigado pela Operação Penalidade Máxima II, do Ministério Público de Goiás — que pautou o noticiário recente sobre o futebol brasileiro.
O técnico Abel Ferreira, que já havia lamentado o ocorrido antes da bola rolar, voltou a ser questionado sobre o tema na entrevista coletiva depois do triunfo contundente no Allianz Parque, pela 5ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.
"O futebol é maior que todas as polêmicas. O futebol sobreviveu a tudo, e vai continuar sobrevivendo. O que eu posso dizer, porque também não quero me prolongar muito, é: lamentável, mas o futebol é isso que vocês assistiram aqui. Para mim, isto que é futebol. Todo o resto... acredito que as entidades competentes, de excelência, farão seu trabalho. Vamos deixar os responsáveis apurarem", apontou o português.
Na zona mista, Luan e Raphael Veiga também foram perguntados sobre o escândalo. Tanto o defensor quanto o meia foram categóricos em manifestar suas respectivas desaprovações quanto aos casos de manipulação.
"Eu nunca vou fazer. Só isso que tenho para falar. Esse é meu caráter, foi isso que aprendi. Futebol é o sonho da minha vida, a paixão da minha vida. Eu não me trairia a esse ponto, entende? Não julgo ninguém, cada um tem a sua realidade, suas escolhas. Mas como falei antes: nunca fiz, nunca farei e não concordo também", disse Luan.
"Nós, jogadores, conversamos. É uma situação delicada. [...] A gente conversou hoje, eu acompanhei sim o que está saindo. Tenho princípios, valores e coisas que eu não negocio. Para mim, é uma parada que eu não gosto. Não faço, não curto. Não vou ficar aqui apontando o dedo, não vou julgar ninguém, mas eu, Raphael, naquilo que acredito, não gosto e não faço", afirmou Veiga.
A Operação Penalidade Máxima II está investigando jogadores de futebol envolvidos com esquemas de apostas esportivas, em que os atletas forjaram ações durante os jogos para favorecer apostadores.
O escândalo de manipulação de jogos no futebol já tem 16 denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). Entre eles estão sete jogadores: Eduardo Bauermann (Santos), Gabriel Tota (Ypiranga-RS), Paulo Miranda (sem clube), Igor Cariús (Sport), Victor Ramos (Chapecoense), Fernando Neto (São Bernardo) e Matheus Gomes (sem clube). As denúncias são de organização criminosa e fraude em partidas das Séries A e B do Brasileiro de 2022.
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino já determinou que seja instaurado um inquérito na Polícia Federal para investigar esquema de manipulação de jogos através de apostas.