O Palmeiras, campeão do século XX, penou nos primeiros anos da nova era. O título da Copa do Brasil 2015, o primeiro da gestão de Paulo Nobre como presidente, recoloca o clube fundado por imigrantes italianos em um caminho condizente com seu tamanho e torcida.
Rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro em 2002, o Palmeiras retornou à elite do futebol no ano seguinte. Conquistou o Paulista 2008 e a Copa do Brasil 2012. No entanto, não foi capaz de se estruturar a ponto de evitar um novo descenso, o que ocorreu em 2012.
Paulo Nobre, sucessor de Arnaldo Tirone, assumiu a presidência do Palmeiras em 2013, ano em que o clube retornou à Série A. Em 2014, com uma política de contenção de gastos de seu presidente, o antigo Palestra Itália viveu um centenário melancólico e quase caiu novamente no Brasileiro.
Questionado sobre a penúria de sua primeira gestão, Nobre costumava dizer que os frutos da austeridade financeira seriam colhidos em breve. Reeleito para o biênio 2015/2016, ele viu o time perder a final do Campeonato Paulista para o Santos antes de bater o mesmo adversário na decisão da Copa do Brasil.
Na temporada 2012, em que conquistou o mesmo torneio de forma invicta com um gol de Betinho, o Palmeiras possuía um elenco limitado, incapaz de evitar a queda no Campeonato Brasileiro, e não contava com fontes de receita suficientes para vislumbrar um futuro promissor.
O programa de sócio-torcedor do clube, batizado de Avanti, menina dos olhos de Paulo Nobre, cresceu vertiginosamente, o que proporcionou aumento de receita, assim como a camisa cheia de patrocinadores. Superado apenas por Internacional e Corinthians, o clube hoje conta com mais de 126 mil associados.
A reabertura do Estádio Palestra Itália, fechado para obras de 2010 a 2014, é outro dos trunfos do Palmeiras. Transformado em uma moderna arena, o local manteve alta taxa de ocupação durante o primeiro ano de funcionamento, apesar dos preços elevados dos ingressos.
A profunda reformulação do elenco em 2015 foi conduzida por Alexandre Mattos, contratado como diretor de futebol e responsável por contratar 25 reforços. Entre erros e acertos, o time ficou com o vice-campeonato paulista e ganhou a Copa do Brasil.
Após conquistar seu 12º título nacional, um recorde, de volta a um caminho condizente com suas próprias dimensões, o Palmeiras pode vislumbrar um futuro promissor, a despeito da dívida com o próprio presidente e da disputa com a WTorre pela comercialização dos lugares do Palestra Itália.