Técnico entende torcida, mas vê relação com instabilidade do time (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras)
“É um erro enorme a torcida invadir o campo, mas ainda bem que foi ontem. Já pensou se fosse amanhã?” A declaração mostra como Cuca compreende a revolta de torcedores, como membros da organizada Mancha Alviverde que entraram na Academia de Futebol nesse sábado. O Palmeiras só acumula cinco vitórias em 16 jogos no ano e o técnico não se surpreenderá com novos protestos após a goleada sofrida neste domingo.
“Se vier a acontecer, está dentro do pacote. Você tomar 4 a 1 de um Água Santa, que está beirando a zona de rebaixamento... Não posso querer que alguém sorria para mim. É natural, mexemos com a emoção de milhões de pessoas. Quando decepcionamos, como estamos decepcionando, vai ter uma reação. Temos de entender”, disse o treinador.
A diretoria acusa a Mancha de invadir o centro de treinamento, mas a organizada se manifestou desafiando os dirigentes a mostrarem cenas de agressão e garante que policiais acompanharam o que chamaram de “conversa produtiva” com os líderes do elenco. Nas redes sociais, a organizada diz ser responsável por fiscalizar o time, o que torna a atitude deste sábado “correta”, e ainda chamou o presidente Paulo Nobre de “playboy mimado, que não se preocupa com a torcida do Palmeiras”.
“Os caras estão vendo que as coisas não andam, estamos quase na zona de rebaixamento do Paulista. Foi uma anormalidade, mas vieram com respeito, tentaram entender o que estava acontecendo com buchicho de divisão de grupo. Preciso ser o mediador dessas situações, para que a torcida entenda esse momento ruim. Ficar sem a torcida é pior. Se ela se virar contra, vai ser muito pior. Uma coisa puxa a outra”, falou Cuca.
A invasão, porém, foi reprovada por Edu Dracena. “Infelizmente, isso está virando rotineiro no futebol. Não só no Palmeiras. E esse não é o caminho. O diálogo é sempre válido, para conversar e acertar. Somos profissionais, pais de família. Ninguém gosta de perder. Com que cara vou olhar para a minha família? É de tristeza”, defendeu-se o zagueiro, em palavras que têm a concordância de Cuca.
“Isso tudo pesa no jogador dentro do campo. Além de jogar, tem de administrar coisas de fora que estão entrando no campo, e não são poucas. É difícil achar esse meio-termo. Não é só problema de jogador, torcedor, técnico. São diversas coisas que, reunidas, nos levam a fazer jogos ruins, em virtude da instabilidade emocional que o time vive”, comentou o técnico.
Fernando Prass, porém, tira qualquer responsabilidade da torcida pelo frustrante início em 2016. “Isso não é desculpa. Claro que não é o ideal, mas não estamos perdendo por causa disso. Muito pelo contrário. A torcida tem ido, enchido os estádios, e estamos devendo. Não tem o que falar. Precisamos manter a cabeça tranquila, o que é difícil, e trabalhar todo o tempo que pudermos”, simplificou o goleiro.