Magoado com Palmeiras, campeão da Libertadores torce por rival

Bruno Ceccon - São Paulo,SP

07-04-2018 08:00:33


Com mais de 225 jogos por Palmeiras e Corinthians, Rogério Fidélis Régis teve passagens vitoriosas pelos times que decidem o título do Campeonato Paulista a partir das 16 horas (de Brasília) deste domingo, no Allianz Parque. Aos 42 anos de idade, o ex-lateral direito e volante, magoado com o clube alviverde, deseja ver o rival como campeão estadual.

Um dos 50 jogadores que mais vestiram a camisa do Palmeiras, Rogério disputou um total de 256 jogos pelo clube e marcou 17 gols. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari, ganhou a Copa do Brasil (1998), a Copa Mercosul (1998), a Copa Libertadores (1999) e o Rio-São Paulo (2000). Ao final de seu contrato, após disputa judicial, acertou com o Corinthians.

“Acabou meu vínculo e houve uma burocracia muito grande na renovação. Ganhamos a Libertadores em 1999 e fomos vice em 2000. Eu estava jogando, no melhor momento da carreira, mas não houve um reconhecimento por parte da diretoria do Palmeiras. Tinha um salário legal, mas não era aquele contrato que permitia oferecer uma coisa melhor à minha família. Eram sempre contratos curtos e sem bônus”, lembrou o ex-atleta à Gazeta Esportiva.

Capaz de jogar tanto de volante quanto de lateral direito, Rogério foi peça importante no Palmeiras de Felipão. De maneira bem-sucedida, ele participou das cobranças de pênalti nas quartas de final (Corinthians) e na decisão (Deportivo Cali) da Copa Libertadores 1999. Na edição de 2000, manteve a precisão nas oitavas (Peñarol) e na final (Boca Juniors).

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Pelo Corinthians, Rogério marcou 36 vezes em 228 confrontos. Autor do gol que decidiu o Rio-São Paulo 2002, conquistado sobre o São Paulo de Rogério Ceni e Kaká, ele ganhou ainda o Campeonato Paulista (2001 e 2003) e a Copa do Brasil (2002). O ex-jogador, questionado sobre sua preferência para a decisão estadual deste domingo, não hesitou.

“Fiz história nos dois clubes, mas a torcida pende mais para o Corinthians em função de como aconteceu minha saída do Palmeiras e também por alguns fatos mais recentes. Ficou uma mágoa da minha parte”, disse Rogério, chateado por não ter sido convidado para os amistosos de despedida de Marcos e Alex. “A foto está lá, meu nome está lá. Isso, ninguém apaga, por mais que não me convidem”, afirmou.

Entre o final da década de 1990 e o começo dos anos 2000, Rogério viveu momentos marcantes da rivalidade secular entre Sociedade Esportiva Palmeiras e Sport Club Corinthians Paulista. Com o cabelo pintado de verde para festejar o recente título da Copa Libertadores, ele foi titular na decisão do torneio estadual de 1999, encerrada com pancadaria após as embaixadinhas de Edilson no Morumbi.

“Se você entra em uma briga dessas que tem um monte de gente, toma na orelha e não sabe nem de onde veio”, lembrou Rogério, que viu o episódio repetido várias vezes na TV recentemente. “Você dá risada, né, cara? O Edilson fazendo as embaixadinhas, o Júnior e o Zinho correndo atrás dele... Quando revejo esses momentos, dou risada. Sempre lembramos dessa decisão quando nos encontramos”, contou.


Após pendurar as chuteiras, Rogério tentou iniciar a carreira de treinador, mas não embalou. No final do ano passado, por uma dívida de pensão alimentícia, o ex-jogador de Palmeiras e Corinthians chegou a ser preso por 30 dias. À espera de uma nova chance profissional no meio futebolístico, ele participa de um projeto social no bairro paulistano do Rio Pequeno e também atua em uma imobiliária.

Com a autoridade de quem marcou gols no principal clássico de São Paulo pelos dois clubes, Rogério entende que a vantagem palmeirense na final deste domingo é significativa, mas não definitiva. Na torcida pelo Corinthians, ele prevê uma vitória por 2 a 1 durante o tempo normal, seguida de triunfo alvinegro nos pênaltis em pleno Allianz Parque.

“Devido ao que aconteceu no primeiro jogo, vai ser tudo à flor da pele. Espero que seja um bom clássico e que não haja violência. Queremos ver um grande espetáculo. Conseguir o resultado fora de casa é uma boa vantagem, mas não tem nada definido ainda, não. Em se tratando de um clássico e em se tratando de Corinthians, tudo pode acontecer”, apostou.

 

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