Grupo de conselheiros planeja mudança no Estatuto do Palmeiras para viabilizar nova reeleição de Leila

Imagem ilustrativa para a matéria
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Leila Pereira está em seu primeiro ano do segundo mandato na presidência do Palmeiras. Em tese, esse seria o último mandato, mas, internamente, grupos políticos começaram a trabalhar numa possibilidade de alterar o Estatuto do clube para possibilitar mais uma reeleição da mandatária.

O projeto de mudança está sendo encabeçado pela chapa UVB (União Verde e Branca), que conta como membros o presidente do Conselho de Orientação Fiscal (COF) Carlos Ricardo Degon e o vice-presidente do Conselho Deliberativo Mauricio Alves Camargo, além de Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira.

Trecho do Estatuto do Palmeiras sobre a reeleição presidencial (Foto: Reprodução/Palmeiras)

 

O casal, conforme publicado pela Itatiaia, foi procurado por conselheiros e associados do clube, mas negou participar da articulação. Leila sentiu-se lisonjeada com a ideia e garantiu que está focada em seguir trabalhando em prol do que é melhor para o Palmeiras.

Leila Pereira teve seu primeiro mandato no Palmeiras entre 2022 e 2024, sem oposição. No fim do último ano, foi reeleita, dessa vez concorrendo contra Savério Orlandi. Na Assembleia de sócios do clube, ela recebeu 2.295 votos, contra 878 da oposição. Esse segundo mandato de Leila tem duração até 2027.

A articulação ainda está em fase inicial e deve ser debatida por conselheiros nos próximos dias. Caso a proposta seja concretizada será, primeiro, votada pelo Conselho Deliberativo, presidido por Alcyr Ramos da Silva Júnior, e, em seguida, pelos sócios do clube, em uma assembleia.

O Palmeiras elegeu 85 membros no Conselho Deliberativo deste ano, com 58 divididos nas chapas Palestra e União Verde e Branca, a situação, e 27 da oposição, Todos Palmeiras). O atual Estatuto do Palmeiras permite apenas uma reeleição, com dois mandatos consecutivos de três anos cada um.

Grupos de conselheiros da oposição repudia tentativa

O Grupo Arquibancada e Ocupa Palestra, que fazem parte da oposição à gestão de Leila Pereira, se manifestaram contra a possibilidade, através dos respectivos perfis no Instagram.

"O Grupo Arquibancada, representante dos princípios democráticos e da história centenária da Sociedade Esportiva Palmeiras, repudia com veemência a manobra criminosa e antidemocrática que tenta rasgar o Estatuto do clube para garantir um terceiro mandato à atual presidente, Leila Pereira", começa a nota.

"Deixamos claro: todos aqueles que apoiarem ou compactuarem com esse atentado à democracia devem ser considerados inimigos do Palmeiras e do verdadeiro palmeirense. O Palmeiras é de todos. O Palmeiras não tem – e nunca terá – dono. NÃO VAI TER GOLPE!", concluiu.

"O Ocupa recebeu com preocupação a notícia de que a pres. Leila Pereira e apoiadores poderiam estar em busca de maneiras de alterar o estatuto para perpetuar a atual mandataria no poder. Cabe à presidente e aos presidentes dos Poderes da SEP rechaçar essa possibilidade sem deixar qualquer margem para dúvidas", diz parte da Nota do Ocupa Palestra.

Confira a nota completa dos grupos de oposição:

Grupo Arquibancada

"O Grupo Arquibancada, representante dos princípios democráticos e da história centenária da Sociedade Esportiva Palmeiras, repudia com veemência a manobra criminosa e antidemocrática que tenta rasgar o Estatuto do clube para garantir um terceiro mandato à atual presidente, Leila Pereira.

Só cogitar essa manobra já é uma violência contra os mais de 110 anos de história do Palmeiras. É inadmissível e vergonhoso que algo dessa natureza seja sequer discutido nos bastidores do clube.

O Palmeiras sempre foi um clube plural, democrático e aberto ao diálogo. Quem defende um terceiro mandato é cúmplice da destruição das nossas tradições, parceiro de um golpe contra a democracia palestrina e corresponsável por um retrocesso inaceitável.

Nós, do Grupo Arquibancada, sempre lutamos pela democracia no clube. Fomos linha de frente na batalha para que os sócios tivessem o direito de escolher o presidente do Palmeiras por voto direto. Ver agora essa tentativa de retrocesso, atropelando nosso Estatuto e nossa história, é um ataque direto à evolução política que conquistamos com tanto esforço.

Quanto à senhora Leila Pereira, que sempre se proclamou campeã da igualdade e do empoderamento feminino, age agora com arrogância cega e desconexão total com a realidade, ao sugerir que apenas ela possui competência para presidir o clube. Vendeu-se como uma gestora “moderna e empresarial”, mas busca agora se perpetuar no poder, atropelando os fundamentos mais básicos de governança corporativa, transparência e ética.

Nada disso surpreende. Sua gestão é marcada por conflitos de interesse, ausência de compliance sério e uma postura blindada a qualquer tipo de fiscalização. Agora, escancara sua intenção de se apropriar do Palmeiras.

Surpreende, isto sim, o conluio de conselheiros que se dizem palmeirenses.

Deixamos claro: todos aqueles que apoiarem ou compactuarem com esse atentado à democracia devem ser considerados inimigos do Palmeiras e do verdadeiro palmeirense.

O Palmeiras é de todos. O Palmeiras não tem – e nunca terá – dono. NÃO VAI TER GOLPE!"

Ocupa Palestra

"O Ocupa recebeu com preocupacao a noticia de que a pres. Leila Pereira e apoiadores poderiam estar em busca de maneiras de alterar o estatuto para perpetuar a atual mandataria no poder.

Cabe à presidente e aos presidentes dos Poderes da SEP rechaçar essa possibilidade sem deixar qualquer margem para dúvidas.

O Palmeiras já superou e não deve retornar aos tempos de autoritarismo e perpetuação no poder. Parte do sucesso desportivo dos ultimos deve-se justamente a isso.

Seguimos retaliados pela atual gestão por atos próprios do Conselho (pedir informações). Permaneceremos vigilantes contra toda forma de autoritarismo e subversão da democracia e seguiremos lutando por nossos valores: mais inclusão da torcida, mais profissionalismo na gestão e mais democracia".

Conteúdo Patrocinado