Cuca voltará a sentir a torcida do Palmeiras a seu favor no Palestra Itália na noite desta quinta-feira, contra o uruguaio River Plate, mais de 20 anos após a última vez em que pisou ali para defender o clube do coração. Em 27 de novembro de 1992, ainda como jogador, o hoje técnico palmeirense esteve no estádio para disputar as semifinais da Copa do Brasil contra o Internacional.
A lembrança não é positiva. Dividindo-se com o Campeonato Paulista na época (foi à final mesmo com uma derrota para o Corinthians e perdeu o título para o São Paulo), o Palmeiras tinha justamente em Cuca uma de suas principais apostas para surpreender o Inter. Conforme respeitou o zagueiro Célio Silva, futuro corintiano, na véspera da vitória colorada por 2 a 0: “Ele parece que está apagado no jogo e, de repente, faz um gol”.
Cuca passou em branco em sua despedida do Palestra Itália. Diante de 13.572 pagantes – público certamente inferior ao que estará no local nesta quinta-feira –, o Palmeiras acabou envolvido pelo Inter do técnico Antônio Lopes (que viria a ser campeão) e foi vazado por Élson no primeiro tempo e por Gérson no segundo. “Palmeiras se complica”, resumiu a manchete do jornal A Gazeta Esportiva do dia seguinte.
Em dez partidas no Palestra Itália como jogador do Palmeiras, Cuca ganhou nove e perdeu apenas do Inter (foto: reprodução/A Gazeta Esportiva)
De fato, o Palmeiras não recuperou o fôlego para reverter o tropeço e ir à Libertadores de 1993 por meio da Copa do Brasil, como almejava. O time de Otacílio Gonçalves, o Chapinha, caiu também fora de casa, desta vez por 2 a 1, em resultado que colaborou para encurtar a breve passagem de Cuca como atleta do clube do Palestra Itália.
Palmeirense de berço, conforme destacou ao ser apresentado ao lado do também atacante Maurílio em agosto daquele ano, Cuca chegou a fazer planos ambiciosos antes dos fracassos na Copa do Brasil e no Campeonato Paulista. Sonhou em atuar com o argentino Diego Armando Maradona, reforço desejado pelo Palmeiras e pela parceira Parmalat, e simulou vestir uma faixa de campeão ao comemorar gol.
Hoje, mais de 20 anos depois, Cuca espera ter apenas adiado o sonho da conquista de um título pelo Palmeiras. O técnico que fez a equipe reagir do seu conturbado início de trabalho estará de novo no Palestra Itália, modernizado, para buscar a vaga no mata-mata da Libertadores diante do River Plate. Só vencer, no entanto, não basta. É preciso que o Rosario Central perca para o Nacional em Montevidéu, além de tirar uma diferença de três gols de saldo para o concorrente argentino.
“É uma pena voltar ao estádio em uma situação dessas. Deveríamos estar em uma situação melhor, já classificados ou, no mínimo, dependendo apenas de nós mesmos. Mas já ocorreu, e ainda temos chance. Quando é para acontecer, as coisas acontecem”, comentou Cuca, na quarta-feira.
Técnico não deu valor ao amistoso em que trabalhou no novo Palestra Itália (foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Visitante no Palestra
Cuca já trabalhou no modernizado Palestra Itália, onde perdeu para o Internacional na Copa do Brasil de 1992. Mas como visitante. Em 17 de janeiro do ano passado, o treinador comandou o Shandong Luneng, da China, na derrota por 3 a 1 para o Palmeiras. Uma das atrações da sua equipe no amistoso foi o centroavante Vagner Love.
“Aquele jogo foi em um sábado à tarde, em pré-temporada, muito rápido. A sensação de voltar mesmo virá agora, contra o River. Mas ainda não sei como é o estádio. Só fiz um treinamento com o time para ter uma noção melhor”, disse Cuca.