Chamado de “preto safado”, Arouca nega 15 minutos de fama a racista

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Arouca foi chamado de mercenário, entre outros xingamentos, enquanto pisou na Vila Belmiro nessa quarta-feira. Um santista, porém, usou o Twitter para chama-lo de “preto safado”. Ato de racismo que já fez palmeirenses solicitar uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo, mas que o volante prefere deixar para trás.

“Suei muito e sacrifiquei muita coisa para construir a minha carreira e o meu nome. Não vou dar cartaz pra quem quer aparecer em cima disso e dessa forma, apesar de esse sujeito já ter tido seus 15 minutos de ‘fama’. O melhor é não dar espaço. Por isso, deixo claro que esse será meu primeiro e único pronunciamento a respeito desse assunto”, escreveu Arouca no Facebook.

Um torcedor identificado com Mallonne Morais, usando uma camisa do Santos em sua foto, publicou a mensagem “Chupa preto safado, fica nesse time aí de segunda!”. Palmeirenses o xingaram e um deles, que se apresenta como Saulo Fernandes, foi respondido pelo Twitter do Ministério Público de SP, que lhe solicitou um email para encaminhar a denúncia à sua ouvidoria.

O jogador deu entrevista coletiva na Academia de Futebol nesta quinta-feira, e tentou se conter para não falar demais sobre o assunto. “É mais um idiota querendo aparecer. As pessoas que deviam tomar uma atitude, não tomam. Não sei até quando vai acontecer, e não é só comigo”, reclamou.

Após sofrer racismo de torcedor na internet, Arouca usa outra rede social para comentar o caso

Após sofrer racismo de torcedor na internet, Arouca usa outra rede social para comentar o caso - Credito: Reprodução/Facebook

Em 2014, ainda pelo Santos, Arouca já tinha sido vítima de racismo. “Sinto muito por ter de fazer isso - exatamente na semana em que se completou um ano daquele episódio em Mogi, quando eu ainda vestia a camisa que esse garoto veste em sua foto de perfil -, mas estou postando aqui para mostrar a vocês a cara de quem pratica esse tipo de ato e, ao mesmo tempo, dizer que essa atitude não me afeta. Só me dá a certeza de que tive uma boa criação e educação em casa”, lembrou o jogador, em rede social.

Na entrevista coletiva, o volante mostrou que ver a ofensa do ano passado render só uma multa ao Mogi Mirim, e nenhuma pena ao racista, o desmotiva a dar espaço ao assunto. “Já me desgastei da última vez e não houve punição nenhuma à pessoa que cometei o ato. Se eu continuar falando, só vou me desgastar muito mãos. Não quero dar ibope. É um caso lamentável, que chateia, mas não vai me derrubar de maneira nenhuma”, garantiu.

Confira a íntegra da manifestação de Arouca sobre o caso:

“Meus pais sempre me ensinaram a tratar as pessoas com respeito e com humildade. Fico triste e decepcionado por algumas pessoas não terem isso em casa. O preconceito é um mal silencioso, que visa afetar as pessoas, que mostra sua cara de maneira covarde (quando essa cara é mostrada)... independentemente de qual for: raça, religião, sexo, enfim. Não é à toa que vemos, cada vez mais, casos de depressão e de insegurança entre pessoas que sofrem com isso.

Sinto muito por ter de fazer isso - exatamente na semana que se completou um ano daquele episódio em Mogi, quando eu ainda vestia a camisa que esse garoto veste em sua foto de perfil -, mas estou postando aqui para mostrar a vocês a cara de quem pratica esse tipo de ato e, ao mesmo tempo, dizer que essa atitude não me afeta. Só me dá a certeza de que tive uma boa criação e educação em casa.

Suei muito e sacrifiquei muita coisa pra construir a minha carreira e o meu nome. Não vou dar cartaz pra quem quer aparecer em cima disso e dessa forma, apesar de esse sujeito já ter tido seus 15 minutos de ‘fama’. O melhor é não dar espaço. Por isso, deixo claro que esse será meu primeiro e único pronunciamento a respeito desse assunto.”

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