Em agosto do ano passado, santistas apoiaram Aranha no episódio de ofensas racistas que até tiraram o Grêmio da Copa do Brasil. Mas a saída do goleiro da Vila Belmiro, entrando na Justiça por conta de salários atrasados, fez com que alguns torcedores do Peixe chamassem o goleiro de “macaco”. O que não o surpreendeu.
“Não sou nenhum sonhador, sei bem onde piso”, afirmou o jogador de 34 anos, agora no Palmeiras e enxergando que o menosprezo a negros existe em todos os lugares, mas é bem camuflado em alguns momentos.
“Racismo ou racista está em todo lugar. Às vezes, ele se mostra, mas, às vezes, não. Posso ter convivido, feito amizade e adorado durante anos uma pessoa que é racista e eu não sei. Fico aliviado quando mostram a cara porque é mais fácil tomar uma atitude, nem que seja não conviver mais”, comentou.
Goleiro foi chamado de macaco por alguns santistas nas redes sociais após sair do clube - Credito: Ivan Storti/Santos FC
As ofensas vindas de alguns santistas apareceram em redes sociais. Mensagens como “Chamar o Aranha de macaco é ofender o pobre macaco! Tem preto que é pior do que macaco, inclusive esse aranha, goleiro lixo, e sem caráter!” e “Aranha cagou na saída e já era, preto safado, e sem mimimi!” foram publicadas.
Ciente do racismo de quem já torceu por ele, Aranha se mostra tranquilo ao dizer que nenhum clube é completamente racista, assim como nenhum sempre foi a favor de negros no futebol. A visão do goleiro é simples: todos, em algum momento, já mostraram esse menosprezo de alguma forma.
“O negro não fazia parte do começo do futebol. Falam que um time racista e outro, não, mas a única diferença é quem aceitou negro primeiro. Por isso, não vejo nenhum time como racista”, avaliou o novo camisa 25 do Palmeiras.