Análise: Palmeiras mostra alto nível de organização e bate na trave contra o Chelsea

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(Foto: Fabio Menotti/Palmeiras)

Por Pedro Nascimento

Não deu, mas o Palmeiras mostrou um desempenho para lá de destacável na final do Mundial de Clubes contra o Chelsea, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O Verdão tinha a missão de reduzir a distância de poderio financeiro e qualidade técnica entre os times a partir da competitividade. O objetivo, apesar o resultado final, foi cumprido.

No futebol, jogadores não são peças a serem encaixadas em formas. Inclusive, um dos principais desafios do treinador é olhar para o elenco e entender as características de seus atletas, podendo utilizá-los em diferentes funções, de acordo com o contexto apresentado. Foi a partir desse ponto que Abel Ferreira bolou a estratégia para a final.

O time que entrou em campo para enfrentar o Chelsea foi o mesmo que duelou com o Al Ahly, mas isso não significa que a disposição foi idêntica. Para a decisão, Abel estruturou a sua equipe pensando em marcações individualizadas, buscando trazer desconforto para o adversário. Com esse pensamento, alterou a formação tática do Verdão.

Sem a bola, o Palmeiras marcou com uma linha defensiva de seis jogadores. Rony e Gustavo Scarpa foram os alas, com Marcos Rocha, Luan, Gustavo Gómez e Piquerez atuando entre os dois. À frente, Raphael Veiga fechou pelo lado direito, enquanto Dudu ficou pela esquerda. Uma espécie de 6-4-0.

Rony e Scarpa tinham a missão de perseguir os alas do Chelsea. Enquanto isso, os laterais receberam a incumbência de acompanhar Mason Mount e Kai Havertz, ao passo que Zé Rafael e Danilo encaixaram nos volantes dos lues. Nesse cenário, os dois zagueiros ficara responsáveis por "encaixotar" Lukaku, revezando a marcação.

A disposição do Palmeiras em campo deixou os ingleses extremamente desconfortáveis com a bola. Afinal, todos os jogadores do meio para frente estavam sendo acompanhados individualmente e, consequentemente, tiveram o raio de ação diminuído. A intenção foi clara: deixar os zagueiros do Chelsea com a bola. Não à toa, Thiago Silva conduziu diversas vezes sem ser pressionado, quase como um volante.

A partir do momento em que recuperavam a posse, os jogadores do Palmeiras buscavam atacar rapidamente os espaços, em transição. Como os zagueiros do Chelsea estavam fora de posição em alguns momentos, as brechas não eram poucas. Dudu, por exemplo, teve grande chance para marcar em uma situação como essa na primeira etapa.

Abel sendo cumprimentado por Gianni Infantino, presidente da Fifa (Foto: Giuseppe Cacace/ AFP)

O gol de Lukaku é um dos poucos momentos em que a linha defensiva do Palmeiras foi desestruturada. Rony, que era responsável por acompanhar Hudson-Odoi, não foi até o fim com o ala, que chegou à linha de fundo com liberdade para cruzar. O efeito dominó a partir de então foi inevitável.

Para além da tática, é preciso destacar a força mental que os jogadores do Verdão mostraram na partida. Mesmo após o gol marcado por Lukaku, não se desestabilizaram e buscaram o empate, continuando a jogar bola em ótimo nível. É notável que cada vez mais o lema "cabeça fria, coração quente" está intrínseco ao elenco.

O Palmeiras pode não ter conquistado o mundo, mas mostrou novamente que o time tem uma maturidade impressionante. A equipe comandada por Abel tem capacidade de enfrentar qualquer adversário, em qualquer contexto, graças ao comprometimento coletivo dos jogadores e a competência de Abel no planejamento tático.

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