Abel Ferreira cumpriu promessa feita ao repórter Alexandre Silvestre, da TV Gazeta, e publicou nesta segunda-feira (12) um vídeo com declaração de Telê Santana em sua página pessoal na rede social Instagram. O treinador palmeirense não esconde sua admiração pelo ídolo são-paulino.
No último domingo, após vencer o Choque-Rei no Morumbi, Abel estava prestes a encerrar sua entrevista coletiva. Silvestre, pois, aproveitou para fazer uma última rápida pergunta, com autorização da equipe de comunicação do Alviverde presente no local.
Aos risos, o português brincou com o repórter. "Ele é muito simpático. Deve ser o mala da turma (risos)", disse.
O jornalista, então, perguntou justamente sobre a referência de Telê no trabalho de Abel. Níveis de idolatria podem ser comparados?
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"Não sou eu que posso responder isso. Tenho uma série de vídeos guardados do Telê Santana que vou começar a publicar. Eu gosto dele, de como ele... lembro daquela imagem dele falando: 'querem me prender?', e colocando os braços para frente. Há coisas que eu me vejo nele, sim. Vejo, sobretudo, naquilo que ele chamava de fundamentos para ensinar o jogo. E outra coisa que me vejo nele: a qualidade dos gramados e no tempo para treinar. Estamos falando de 30 anos atrás. Estamos os dois na mesma sintonia. O que ele pensava há 30 anos, eu penso exatamente igual", disse o comandante do Verdão, antes de finalizar.
"E prometo para você: vou meter no meu Instagram um vídeo, em tua homenagem, do Telê Santana. Para ti, ok? (risos) Que os outros não fiquem com ciúmes", concluiu.
Nesta segunda, pois, tal vídeo foi, de fato, postado na página de Abel. Nele, Roberto Avallone — lendário ex-apresentador do Mesa Redonda, programa da TV Gazeta — pergunta a Telê sobre a perda, ao longo dos tempos, do poder do arremate do futebol brasileiro.
Segundo Avallone, os europeus ganharam corpo naquele que era o ponto forte do esporte nacional — e estavam "dando um banho" em volume de jogadas e gols. Telê ofereceu uma explicação, que coincide, e muito, com os discursos atuais de Abel.
"Vou explicar em partes. Existe uma deficiência tanto em gramados, quanto em bolas. As bolas europeias são melhores, os gramados europeus são melhores. Há mais facilidade", começou a dizer.
"Os jogadores? Não. Não nivelo assim não. Estou vendo essa Eurocopa e não estou assistindo nada além do que fizemos, até mesmo em campos bons. O futebol ainda está no mesmo nível. Além disso, também, a falta de treinamentos. Precisamos treinar mais, os jogadores precisam treinar mais. O técnico tem que fazer isso, aprimorar, ver os defeitos nos jogadores, procurar corrigir. Às vezes um jogador fica meio aborrecido, bota ele pra cruzar 10 vezes a bola. Bateu errado, vai bater outra vez. Quando não tenho um campo bom para treinar, não tenho condições de exigir isso dos jogadores", finalizou.