Pouco marketing e muita bola: a trajetória de Kanté, pilar da seleção francesa

São Paulo, SP

15-07-2018 08:00:58

O franzino jogador da camisa 13, com apenas 1,68m de altura, chama pouca atenção dos torcedores em um primeiro contato. Discreto, porém essencial, N’Golo Kanté é uma das engrenagens principais da seleção francesa há algum tempo. No entanto, enquanto Mbappé, Griezmann e Pogba lidam com os holofotes e todo o glamour à sua volta, o volante do Chelsea prefere seguir fazendo seu trabalho falando pouco e jogando muito.

Defensor incansável à frente dos zagueiros, Kanté pode ser visto por qualquer parte do campo a qualquer momento. A desenvoltura do “baixinho” dentro das quatro linhas faz com que ele pareça blindado ao desgaste físico natural, decorrência do fim de uma intensa temporada europeia. Para se ter uma noção, o volante do Chelsea é o jogador que mais desarmou nesta Copa do Mundo, com 15 roubadas de bola. Mesmo com a grande responsabilidade na fase defensiva da equipe, ele também se destaca no aspecto disciplinar. Ao longo do Mundial, o camisa 13 cometeu apenas oito faltas em seis jogos, recebendo um único cartão amarelo.

“Com ele jogamos com 12 [jogadores]. Ele corre por toda parte, tem 15 pulmões”, diz o contestado atacante Olivier Giroud sobre o companheiro de seleção francesa.


Filho de imigrantes do Mali, N’Golo Kanté demorou para deslanchar no futebol. Por conta do seu porte físico bem distante do padrão exigido por clubes franceses, o jogador recebeu uma série de “nãos” por onde passou e então decidiu se dedicar aos estudos como forma de se precaver, caso não desse certo no mundo da bola. Após se formar na escola, estudou mais dois anos de contabilidade e adquiriu seu bacharelado.

Em 2013, o jogador disputou a Terceira Divisão francesa. Somente em 2014/15 estreou na elite do futebol nacional, com o Caen. No ano seguinte, se transferiu para o Leicester, clube pelo qual se sagrou campeão inglês de maneira surpreendente na temporada 2015/16. Daí em diante sua ascensão foi meteórica. Atualmente no Chelsea, o volante foi eleito o melhor jogador do Campeonato Inglês em 2016/17, quando novamente ergueu o título, desta vez pelos Blues, e hoje é unanimidade nas convocações de Deschamps.

“Kanté é, com certeza, o mais regular dos Bleus na Rússia. Todo mundo gostaria de tê-lo na sua seleção. É uma peça essencial para solidificar e estabilizar uma equipe”, explica o antigo lateral da seleção francesa Lizarazu. “Até sem saber, ele também virou líder, porque ele emana força e paz interior fascinantes. E é um líder sobretudo porque resolve todos os problemas defensivos. Messi taí? Sem problemas, temos o Kanté. O ataque da Bélgica dá medo? Tranquilo, temos Kanté. Ele está na direita, na esquerda, atrás, na frente.”

É bem verdade que o filho de imigrantes nascido em Paris vive aos 27 anos uma realidade bem diferente da qual se acostumou quando menor. Embora jogue em um dos maiores clubes do mundo e tenha condições de levar uma vida extravagante, Kanté prefere uma rotina mais simples, renunciando a carros esportivos capazes de ir de 0 a 100km/h em poucos segundos e a outras ostentações.

Mesmo com toda essa discrição, Kanté chamou a atenção de grandes lendas do futebol mundial. Hoje, os elogios vêm de toda parte, até mesmo de um dos maiores jogadores da história, Diego Maradona, que, apesar de sua paixão, ignorou o fato de a Argentina ter sido eliminada pela França e exaltou o trabalho que está sendo executado pelo volante.

“Deschamps encontrou um meio-campo justo com Kanté, que se destaca, é uma formiguinha que vai para todos os lados e que quando tem que sair em velocidade também tem velocidade”, disse Maradona durante a transmissão do programa que apresenta na Telesur.

Os últimos quatro magníficos anos de carreira alçaram Kanté a um patamar que talvez ele jamais sonhou quando pequeno. Há alguns dias, o nome do jogador vem sendo vinculado ao Barcelona, que, segundo veículos europeus, estaria disposto a fazer uma proposta milionária ao Chelsea e ainda oferecer o meia português André Gomes para levar o francês à Catalunha.

 

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