COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA

O técnico Didier Deschamps citou a importância de a seleção francesa ter apagado a fama que adquiriu após a final da Eurocopa de 2016, quando perdeu para Portugal de maneira surpreendente mesmo jogando em casa. Passada a vitória por 4 a 2 sobre a Croácia na decisão da Copa do Mundo, o comandante dos Bleus exaltou seus jogadores e relembrou o “trabalho duro” que liderou nos últimos anos.

“Desmistificamos essa história de perder na final. Os jogadores é que ganharam a partida, eles que são campeões do mundo. Mas também trabalhamos muito, éramos 20 pessoas no staff da seleção. Isso é o resultado de muito trabalho”, disse Deschamps após a partida.

À frente da França desde 2012, Deschamps falhou ao tentar levar sua equipe ao título da Eurocopa de 2016 de maneira bastante marcante. Na ocasião, o time tido como favorito acabou derrotado para Portugal, mesmo sem Cristiano Ronaldo, que teve de ser substituído ainda nos primeiros minutos do jogo.

“É tão maravilhoso para os jogadores. Mesmo que já tenha havido outros campeonatos, é preciso lembrar que isso é um feito. Não jogamos um jogo fantástico, mas tivemos uma equipe de qualidade, queríamos a vitória de qualquer forma. Foi merecido”, prosseguiu.

“Estou super feliz por esse grupo, porque já temos uma longa jornada. Nem sempre foi simples. Claro que isso é resultado de muito trabalho, passamos por momentos difíceis, mas agora eles estão no topo do mundo por quatro anos”.

“Temos orgulho de ser franceses e talvez nos vejamos amanhã. Estou muito feliz de ser um dos Bleus e, como diz o presidente, viva a república”, concluiu o treinador da seleção francesa.



De capitão campeão a técnico vencedor: os anos de 1998 a 2018 para Didier Deschamps (Foto: Franck Fife e Gabriel Bouys/AFP)

Neste domingo, a França se sagrou campeã do mundo pela segunda vez em sua história. Apenas um nome esteve presente também em sua primeira conquista, em 1998: Didier Deschamps. O treinador, que 20 anos atrás era o capitão dos Bleus, entra para uma lista seleta de ganhadores dentro e fora de campo. Antes do francês, a proeza era exclusividade apenas do brasileiro Mario Jorge Lobo Zagallo (campeão como atleta em 1958 e 1962 e como técnico em 1970) e do alemão Franz Beckenbauer (vencedor como jogador em 1974 e como treinador em 1990).

“Sim, são os melhores técnicos. Eu não estou pensando em mim, na verdade, mas, evidentemente, sinto orgulho disso. É preciso ganhar títulos. Me fez muito mal perder o título da Eurocopa de 2016, mas isso serviu para mim e para os jogadores terem mais força”, disse Deschamps após o título..

Nascido em Bayonne, a quase 800 quilômetros de Paris, o técnico de 49 anos coroa assim um ciclo de glórias da França que começou quando ainda era volante. Deschamps, que iniciou a carreira no esporte com o rúgbi, descobriu-se no futebol jogando no Nantes e foi convocado para a seleção francesa pela primeira vez com apenas 21 anos, fica assim marcado como um grande nome do esporte mundial.

Como jogador

Antes de 1998, Deschamps venceu diversos títulos, entre eles uma Liga dos Campeões pelo Olympique de Marselha (1993) e outra pela Juventus (1996), além de um Mundial Interclubes também pela Velha Senhora (1996). Pelo destaque nessas equipes, foi o incumbido de capitanear a seleção que viria a se tornar a grande campeã em 1998, com craques como Thuram, Desailly, Lebouef, Zidane, Henry e Trezeguet.

Dois anos depois, na Eurocopa sediada pela Bélgica e Holanda, o capitão jogou com a mesma segurança no meio de campo, a mesma marcação impecável e a ímpar qualidade com a bola. Resultado? Mais uma taça para a seleção francesa, em partida que foi até a prorrogação contra a Itália. Defendendo as cores de seu país, ele jogou 103 partidas e marcou quatro gols.

Como capitão, alcançou outra marca: assim como Beckenbauer e Iker Casillas, ele levantou taças da Copa do Mundo, da Eurocopa e da Liga dos Campeões.

Como treinador

Depois de problemas na Juventus, quando foi demitido em 1999, ele passou por Chelsea e Valencia, mas já não apresentava o vigor físico que tanto o acompanhara nos seus tempos áureos. Pendurou as chuteiras e, sem experiência alguma como treinador, assumiu o comando do Monaco e conseguiu levar a equipe à final da Liga dos Campeões da temporada 2003/2004.

Voltou a Turim em 2006, dessa vez como treinador, e ajudou a Juventus no retorno à Série A. Depois, passou dois anos parado e, então, foi chamado pelo Olympique, onde ficou por três anos e conquistou três títulos. Todas essas realizações o levaram ao maior posto de um treinador: o de treinar a seleção de seu país.

Seleção francesa

Depois das passagens de Raymond Domenech (que levou a França à final de 2006) e Laurent Blanc (que ficou por apenas dois anos e saiu após a péssima campanha na Euro 2012), Didier Deschamps assumiu a seleção francesa.

No dia 8 de julho de 2012, a Federação Francesa de Futebol o anunciou como o novo treinador da equipe principal. Em 2016, um triste resultado, a derrota para Portugal por 1 a 0 dentro de casa na Eurocopa, quase fizeram-no desistir, mas ele acabou por renovar seu contrato e permaneceu no cargo.

Tive meu sucesso como jogador, e hoje, como treinador, tenho muito orgulho dos meus jogadores. Vestir a camisa da França foi o melhor que me ocorreu na minha carreira profissional.

Mesmo tendo perdido na então maior final como técnico, ele mostrou o porquê de ser considerado, atualmente, um dos melhores técnicos de sua geração. Não bastava estar eternizado como um dos melhores jogadores da França.

Mais longevo no cargo de treinador da seleção em seu país, em 2018 ele foi atrás, com sua jovem geração francesa, do segundo título de sua nação – e de seu segundo título pela França. Como jogador, levantou a taça no famoso Stade de France. Como treinador, viu o goleiro Lloris, capitão de sua equipe, erguer a taça no Estádio Lujniki, na Rússia. No gramado e na beira dele: campeão!




Croácia ficou com histórico segundo lugar na Copa (Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP)

Futebol não é só número. E a final da Copa do Mundo, que contou com vitória da França por 4 a 2 e o bicampeonato da seleção, provou isso com louvor. Apesar de ter ficado com o segundo lugar do Mundial, a Croácia pode encontrar alento em sua campanha surpreendente e nas estatísticas da própria decisão.

Isso porque os comandados de Zlatko Dalic foram muito superiores aos franceses em relação aos números do confronto.

Veja também: Griezmann esquece trauma de 2016 para ser o “homem do jogo” na final

Nas finalizações, os croatas tiveram praticamente o dobro de chutes: 15 a 8. O domínio, entretanto, não se estendeu à precisão de tais oportunidades, já que a Croácia teve três finalizações em direção à meta, enquanto o time de Deschamps teve seis.

Na posse de bola, novamente a equipe de Dalic foi melhor, tendo passado 61% do tempo de bola rolando com ela no pé. Isso se estende aos passes: 83% de precisão no fundamento (contra 74% da França) e superioridade também na quantidade (548 a 269) e completude (456 a 198).

É importante ressaltar que muito disso se deve ao fato da estratégia adotada por Deschamps na grande final, de dar a bola no pé dos adversários.

Por fim, nos aspectos defensivos, igualdade. França e Croácia recuperaram 45 bolas cada na partida. Se por um lado os croatas foram melhores nos desarmes (13 a 11), os franceses tiveram superioridade nos bloqueios (4 a 1) e limpadas de bola (35 a 13).




Griezmann se despede da Copa do Mundo com quatro gols (Foto: FRANCK FIFE/AFP)

Antoine Griezmann, enfim, conheceu o gostinho de ser campeão com a seleção francesa após o trauma na Eurocopa de 2016. Tido como um dos principais astros dessa geração comandada pelo técnico Didier Deschamps, o atacante do Atlético de Madrid teve papel fundamental na decisão deste domingo, contra a Croácia, no estádio Luzhniki, em Moscou, saindo de campo com a taça e como “homem do jogo”.

Além do gol de pênalti marcado ainda no primeiro tempo que recolocou a França em vantagem, Griezmann deu a assistência para o gol de Pogba e também foi quem sofreu a falta que possibilitou aos Bleus abrirem o placar quando a Croácia mandava na partida.

Com Giroud como centroavante, Griezmann também teve de demonstrar versatilidade nesta Copa do Mundo. Ao contrário do que costuma fazer no Atlético de Madrid, o camisa 7 muitas vezes apareceu como uma espécie de meio-campista, ajudando Pogba e Matuidi a ditar o ritmo do jogo e distribuir as jogadas.

Girezmann terminou a Copa do Mundo com 4 tentos, igualando Lukaku e ficando atrás apenas do atacante Harry Kane, da Inglaterra, que balançou as redes seis vezes. O jogador francês já havia deixado sua marca na fase de grupos, contra a Austrália, nas oitavas de final, contra a Argentina, e nas quartas, contra o Uruguai.

Aliás, é preciso ressaltar o crescimento de Antoine Griezmann no mata-mata da Copa do Mundo. No movimentado duelo com os argentinos, o camisa 7 foi uma verdadeira pedra no sapato dos zagueiros da Albiceleste ao lado de Mbappé. Já no confronto seguinte, ante os uruguaios, ele não só balançou as redes como também deu a assistência para o gol de Varane.

 



Duas décadas após vitimar a Seleção Brasileira na decisão da última Copa do Mundo que sediou, a França voltou a levantar o mais cobiçado troféu do planeta. O time comandado por Didier Deschamps, campeão como jogador em 1998, fez 4 a 2 sobre a Croácia na final deste domingo, no Estádio Luzhnikí, em Moscou, e igualou Argentina e Uruguai como detentora de dois títulos mundiais.

Agora, a França só está atrás de Brasil, com as suas cinco conquistas, e Alemanha e Itália, com quatro cada, no rol de maiores vencedores de Copas do Mundo. Os franceses ainda deixaram para trás Espanha e Inglaterra, ambas com uma taça, enquanto a Croácia precisou se contentar com o vice-campeonato, a sua melhor campanha em Mundiais. Em 1998, havia sido terceira colocada, posto hoje ocupado pela Bélgica.

Para superar os croatas, a França teve a mesma prudência das fases anteriores da Copa do Mundo da Rússia. Suportou a pressão inicial da equipe adversária e abriu o placar com um gol contra de Mandzukic. Absorveu o empate, que veio com Perisic, e voltou a ficar à frente ainda no primeiro tempo, em pênalti convertido por Griezmann. Na segunda etapa, Pogba e Mbappé transformaram o triunfo em goleada, e Mandzukic descontou em falha feia do goleiro Lloris.

Polêmicas e gols
A Croácia rejeitou o jogo estudado nos primeiros minutos da final da Copa do Mundo. Vindo de três prorrogações, o time dirigido por Zlatko Dalic aproveitou o fôlego inicial para partir para cima da França, aparentemente surpreendida pela postura da seleção adversária.

Os franceses, no entanto, não mudaram o estilo que marcou a sua campanha no Mundial. Com um jogo cauteloso desde a fase de grupos, a equipe de Didier Deschamps teve paciência para conter o ímpeto da Croácia e, aos poucos, começar a se soltar no gramado.

Aos 17 minutos, a França abalou, de fato, os croatas. Griezmann sofreu uma falta na ponta direita bastante contestada pela seleção adversária e apresentou-se para a cobrança. Ele levantou a bola na área, onde Mandzukic fez a torcida brasileira recordar Fernandinho, protagonista de lance infeliz contra a Bélgica, e cabeceou para anotar o gol contra.

Com a vantagem no marcador, a torcida francesa passou a cantar ainda mais alto no Estádio Luzhnikí, sobrepondo-se à maioria croata. Dentro de campo, o país campeão mundial de 1998 também parecia que tiraria proveito do momento para se impor diante da finalista inédita de Copas do Mundo.

A superioridade francesa, contudo, durou dez minutos. Aos 27, Modric bateu falta ensaiada, jogando a bola para o lado direito da área. Mandzukic e Rebic desviaram pelo alto até Vida escorar para Perisic. O meia da Internazionale cortou para a esquerda para se desvencilhar de Kanté e chutou forte e cruzado para empatar o jogo.

A França reagiu. Aos 35 minutos, Griezmann bateu um escanteio da direita, e Perisic tocou a bola com o braço ao afastar para a linha de fundo. O árbitro argentino Néstor Pitana já havia assinalado novo tiro de canto quando começou a ser convencido pela reclamação de Matuidi, que viu o lance, e seus compatriotas a consultar o VAR.

Pitana, então, correu em direção ao monitor instalado à beira do gramado. Demorou, mas assinalou o pênalti a favor da França. Griezmann, o homem das bolas paradas, ignorou a movimentação provocativa do goleiro Subasic, deslocou o oponente e recolocou a sua nação à frente no placar.

Virou goleada
Com mais de 60% de posse de bola no primeiro tempo, a Croácia iniciou o segundo sem alterações, esperançosa de que seria recompensada pela ofensividade. A França, como tinha feito na semifinal a ponto de enervar a Bélgica, não teve vergonha de se fechar e ficar armada para os contra-ataques.

O primeiro susto por meio de contragolpe ocorreu aos seis minutos. O astro Mbappé, apagado até então, foi lançado por Pogba e acelerou pela ponta direita, caçado por Vida. Só parou quando Subasic surgiu diante dele para fazer a defesa, em lance tão veloz quanto um grupo de torcedores que invadiu o campo pouco depois.

Embora a estratégia já tivesse mostrado potencial, a França resolveu se precaver também defensivamente, trocando Kanté, que tinha cartão amarelo, por N’Zonzi. Já Pogba, mesmo com algumas falhas na marcação, permaneceu no gramado. Para a alegria dos franceses.

Aos 13 minutos, Pogba fez mais um lançamento para Mbappé, que, desta vez, cruzou quando avançou à linha de fundo direita. Griezmann reteve a bola e rolou para trás, onde já tinha chegado o volante do Manchester United. Ele finalizou forte, carimbou a marcação e ficou com o rebote. Na segunda tentativa, estufou a rede.

A França assumiu o controle da decisão a partir de então. Abatida, a Croácia dava sinais de enfim ter acusado o desgaste físico, deixando a bola mais tempo nos pés dos franceses. Aos 19 minutos, Mbappé desferiu novo golpe ao ter espaço para concluir rasteiro de fora da área. Subasic, que nem esticou o braço, aceitou.

O quarto gol fez a França relaxar no Luzhnikí. Até demais. Aos 23, Varane recuou a bola para o goleiro Lloris, que, cheio de confiança, tentou driblar Mandzukic. Não conseguiu. O centroavante croata dividiu com firmeza e mandou para dentro, desta vez a favor do seu país.

Diminuir a considerável vantagem francesa fez a Croácia reavivar as suas esperanças, mas não tanto. Bem protegida, agora com Tolisso e Fekir nos lugares de Matuidi e Giroud, a França sabia administrar a partida, apenas à espera do momento de levantar, em 15 de julho de 2018, o troféu que Zinedine Zidane conquistou em 12 de julho de 1998.

FICHA TÉCNICA
FRANÇA 4 X 2 CROÁCIA

Local: Estádio Luzhnikí, em Moscou (Rússia)
Data: 15 de julho de 2018, domingo
Horário: 12 horas (de Brasília)
Árbitro: Néstor Pitana (Argentina)
Assistentes: Hernán Maidana e Juan Belatti (ambos da Argentina)
Cartões amarelos: Kanté e Hernández (França); Versaljko (Croácia)
Gols: FRANÇA: Mandzukic (contra), aos 17, e Griezmann, aos 37 minutos do primeiro tempo; Pogba, aos 13, e Mbappé, aos 19 minutos do segundo tempo; CROÁCIA: Perisic, aos 27 minutos do primeiro tempo, e Mandzukic, aos 23 minutos do segundo tempo

FRANÇA: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Hernández; Kanté (N’Zonzi), Pogba, Mbappé, Griezmann e Matuidi (Tolisso); Giroud (Fekir)
Técnico: Didier Deschamps

CROÁCIA: Subasic; Versaljko, Lovren, Vida e Strinic (Pjaca); Brozovic, Rakitic, Rebic (Kramaric), Modric e Perisic; Mandzukic
Técnico: Zlatko Dalic





O Rei Filipe e a Rainha Matilde receberam a seleção belga de futebol em seu castelo, em Laeken, neste domingo após a campanha história da equipe na Copa do Mundo. O casal real posou para fotos com os jogadores e mostraram sua gratidão pelo empenho demonstrado dentro de campo ao longo de todo o torneio.

O resultado da Bélgica na Copa do Mundo de 2018 foi o melhor da história do país. Em 1986, os Red Devils, como são apelidados os jogadores belgas, chegaram até a semifinal, no entanto, ao serem eliminados, acabaram perdendo também a disputa do terceiro lugar para a França. Desta vez, contra a Inglaterra, foi diferente, e a medalha de bronze trazida pelo elenco foi motivo de orgulho para o país.

Para se ter uma noção do feito, cada jogador belga recebeu um “bicho” de R$ 1,4 milhão de reais por terminarem a Copa do Mundo na terceira colocação. O técnico Roberto Martínez, bastante elogiado pela crítica, teve um reconhecimento ainda maior por parte da Federação Belga de Futebol, recebendo uma premiação de R$ 3,3 milhões.