Respaldado pelos cartolas Mario Bittencourt e Fernando Simone, Ricardo Drubscky foi apresentado como novo técnico do Fluminense com um discurso otimista, apesar da reação negativa de parte da torcida tricolor, que parece não ter aprovado sua contratação.
“Eu vejo essa oportunidade de uma maneira muito tranquila, assim como a desconfiança. Qualquer treinador que estivesse chegando aqui hoje, estaria com um certo nível de rejeição. Uns mais, outros menos, porque é impossível agradar a todos (...) Não está vindo um menino aqui, não. Está vindo um homem com vitalidade, com vida. Vamos fazer as coisas acontecerem, de corpo e alma, e no fim vamos sorrir juntos”, declarou o novo treinador do Flu, aproveitando para explicar que tipo de jogo tentará implantar à sua nova equipe.
“Eu pretendo que a nossa equipe seja como todas as que eu dirigi até hoje: que saiba atacar e seja lúcida dentro de campo. Que não seja ofensiva só porque há uma pressão no futebol brasileiro que dita que as equipes devem ser ofensivas. Pretendo que o Fluminense seja uma equipe argumentada dentro de campo, em termos ofensivos e defensivos. É isso que vou tentar fazer, sem mudanças drásticas. Vou aproveitar muita coisa que o Cristóvão fez, porque é um excelente treinador. A conjuntura do futebol brasileiro provoca a saída de um profissional desse, mas quero ressaltar que não vou começar um trabalho do zero, vou aproveitar um trabalho excelente. Não sou bobo, vou tentar dar sequência ao trabalho e acrescentar a minha maneira de pensar o futebol. Eu acho que o Fred e o Walter serão muito úteis”, revelou Drubscky.
Respaldado pelo presidente Peter Siemsen, Drubscky foi apresentado como novo comandante das Laranjeiras - Credito: Divulgação/Fluminense F.C.
Ainda no assunto “Cristóvão Borges”, Ricardo se estendeu comentando a pressão exercida sobre os treinadores no futebol brasileiro, que são cobrados por resultados imediatos sem o tempo necessário para conquistá-los.
“Eu não tenho dúvida que a gente sofre com esse peso no futebol brasileiro. O que não podemos fazer no futebol é apontar o dedo pra esse ou aquele culpado. Todos nós da comunidade do futebol temos nossa participação nesse contexto. Nós precisamos sim ter um cuidado maior, não se pode medir o trabalho de um treinador em pouco tempo. As vitórias nem sempre vem rapidamente, é preciso de tempo. Infelizmente, é uma coisa que nós todos, treinadores, dirigentes, a mídia especializada, e os torcedores precisávamos debater de uma maneira mais profunda, para que possamos criar alguns instrumentos que realmente mudem o estado em que se encontra o futebol brasileiro”, avaliou o novo comandante das Laranjeiras.
Apesar da desconfiança que ronda o elenco do Tricolor, quinto colocado na Taça Guanabara – o pior dentre os quatro grandes do Rio –, o treinador garantiu que o atual grupo tem seu respaldo, precisando apenas de alguns ajustes.
“Acredito muito nesse elenco e no trabalho que a gente desenvolve em campo. Eu acho que a gente vai conseguir driblar essas dificuldades que o futebol brasileiro nos apresenta. Eu não vou fazer nada de diferente que os grandes treinadores do futebol brasileiro fizeram até hoje, tentar vencer e manter o trabalho com qualidade. Com a estrutura e a força que tem o Fluminense, vamos conseguir... Não sou mais um menino. Sei que o ar que se respira aqui dentro é de muito interesse e vontade de que as coisas aconteçam. Percebo que as pessoas no clube querem fazer a coisa virar”, comentou.
Ricardo Drubscky foi apresentado ao lado dos cartolas Mario Bittencourt e Fernando Simone - Credito: Divulgação/Fluminense F.C.
Já nesta terça-feira, nas Laranjeiras, Ricardo Drubscky comandou seu primeiro treino como treinador do Fluminense. Antes da atividade, o presidente Peter Siemsen já havia manifestado seu apoio ao recém-chegado, contratado principalmente pela sua experiência na formação de jovens - informação confirmada pelo diretor executivo Fernando Simone.
“Dentro do que a gente esperava, é um trabalho de reconstrução, de formar jovens jogadores. Ele vai saber trabalhar com o elenco heterogêneo que nós temos, vai saber fazer algo que faltou nos nossos últimos anos, que é a integração da base com o profissional. Tenho consciência dos meus acertos e dos meus erros, e a integração com a base a gente sabia que era um problema. Por isso, a cada escolha que a gente fez, o nome do Ricardo estava entre os melhores, se não era o melhor. A indicação foi minha, o Mario (Bittencourt, vice-presidente de futebol do clube) topou de imediato e o presidente aprovou. Se vai dar certo, o futuro vai dizer. Mas estou com total confiança e muito empolgado. Se eu tiver que errar, vai ser pela minha cabeça, fazendo o que eu acho correto”, concluiu o dirigente.