COPA DO MUNDO 2018 RÚSSIA

Depois de uma campanha histórica na Copa do Mundo da Rússia, a seleção da Croácia foi recebida com festa no retorno a sua terra natal. Nesta segunda-feira, mesmo com a derrota na decisão para a França, a delegação comandada por Zlatko Dalic voltou à casa ovacionada por cerca de 60 mil pessoas, que lotaram as ruas de Zagreb para prestigiar os responsáveis pelo melhor resultado da história do país.

As festividades começaram ainda na pista do aeroporto, onde funcionários recepcionaram jogadores e comissão técnica vestidos à caráter com a tradicional camisa xadrez da seleção. Depois, a delegação partiu em carro aberto rumo às ruas da capital croata para receber o carinho do povo. O destino final do desfile é a praça principal de Zagreb, onde o grupo considerado “campeão” será recebido pela presidente Kolinda Grabar-Kitarovic.

Dentro de campo, o vice-campeonato foi o melhor resultado da história do país em Mundiais. Até então, o terceiro lugar na Copa de 1998, na França, havia sido o principal feito da Croácia, que reencontrou a seleção sede de seu antigo resultado mais impactante na decisão em solo russo. Em uma final recheada de polêmicas envolvendo decisões do árbitro argentino Néstor Pitana, os comandados de Dalic saíram derrotados por 4 a 2.

Se a taça não foi conquistada, ao menos a seleção croata saiu da Copa do Mundo de 2018 com um troféu em âmbito individual. Dono de grandes atuações, o camisa 10 e capitão Luka Modric foi eleito o melhor jogador da competição. Em sete jogos, o meio-campista do Real Madrid marcou dois gols e somou uma assistência.



Polícia dispersou torcedores em Paris durante comemoração do título francês no domingo (Foto: Ludovic Marin/AFP)

Depois da conquista do bicampeonato mundial, muitos franceses foram às ruas do país para comemorar o título. Em meio a alguns incidentes, 292 pessoas foram detidas e 45 policiais ficaram levemente feridos em várias cidades durante as comemorações, segundo informações do Ministério do Interior da França nesta segunda-feira.

A cidade que mais deteve pessoas foi Paris, com 102, sendo que 90 delas ficaram sob custódia para serem interrogadas. Um dos episódios foi o roubo do complexo Drugstore Publicislocalizado na Avenida Champs-Élysées, onde a maior parte dos torcedores ficaram concentrados. A polícia interveio com gás de pimenta. Também no centro de Lyon e em Marselha, no sul do país, a polícia precisou tomar medidas para reprimir alguns grupos que atacavam lojas ou lançavam pedras contra veículos policiais.

O complexo Publicis Drugstore, na Champs-Élysées, foi saqueado por jovens encapuzados no domingo (Foto: Gerard Julien/AFP)

“Levando-se em conta a multidão presente e apesar dos incidentes inaceitáveis, trata-se de um balanço moderado”, declarou o responsável pela Polícia de Paris, Michel Delpuech, em entrevista coletiva.

Em Lyon foram 30 detenções, das quais 18 foram enquadradas como prisões preventivas por roubo a uma loja de roupas. As informações são da AFP.

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Griezmann marcou um gol de pênalti na final, marcado após o auxílio do VAR (Foto: Mladen ANTONOV / AFP)

A Copa do Mundo da Rússia terminou no último domingo com a França se sagrando a grande campeã do torneio. A 21ª edição do torneio mundial ficará marcada por vários fatores interessantes. Entre estes itens, um deles será as cobranças de pênaltis. O evento de 2018 foi a competição com o maior número de pênaltis marcados de todos os tempos, com 29 infrações apontadas pela arbitragem. Com isso, o mundial superou por muito o recorde anterior de penalidades, que era de 18 infrações, número ocorrido em 1990, 1998 e 2002.

Uma das explicações para este número tão extravagante de penalidades está na implementação do auxílio tecnológico do árbitro de vídeo (VAR). Com ele, o árbitro da partida é avisado de qualquer irregularidade que passou despercebida do trio de campo, obtendo a possibilidade de rever a sua primeira decisão. Quando a dúvida ainda persistia,o juiz poderia ir até a parte lateral do campo e rever o lance por um monitor para tirar melhores conclusões para definir a sua decisão final.

Esse auxílio tecnológico teve uma participação decisiva em 16 desses pênaltis marcados. Isso significa que mais da metade das penalidades anotadas durante os 64 jogos do torneio até o momento tiveram a influência da tecnologia. Nesse processo, é importante ressaltar, existem casos de infrações que passariam despercebidas ao trio de arbitragem, já em outros casos o árbitro apenas confirmou a sua opinião após rever o lance na beirada do campo.

Vale lembrar que o auxílio tecnológico também contribuiu para a arbitragem no sentido contrário desse número. Como foram os casos da penalidade assinalada sobre Neymar no confronto diante da Costa Rica, que o árbitro voltou atrás de sua decisão após a revisão no monitor, ou o pênalti desmarcado em favor de Senegal contra a Colômbia quando o juiz foi avisado que a falta estava sendo marcada incorretamente.

Para se ter uma ideia do quanto o VAR influenciou nesses números, basta relembrarmos a quantidade de penalidades marcadas em cada um dos mundiais. Em 1990, 1998 e 2002, a edição do torneio terminaram com 18 pênaltis marcados, vale ressaltar que a Copa de 90 aconteceram menos partidas devido ao sistema de disputa. Na edição mais recente, por exemplo, foram marcados apenas 13 infrações em 64 partidas.




Deschamps conseguiu construir uma seleção sem briga de egos (foto: Alexander Nemenov/AFP)

Didier Deschamps demonstrava incômodo, sorrindo, com o odor que exalava enquanto concedia a sua primeira entrevista coletiva após se tornar campeão do mundo como treinador. Pouco antes, ele havia sido alvo de uma festa regada a isotônico que os seus jogadores promoveram na sala de imprensa do Estádio Luzhnikí, palco da vitória por 4 a 2 sobre a Croácia.

Para Deschamps, a união demonstrada no momento de alegria é uma mostra de que os seus comandados abriram mão das individualidades durante a Copa do Mundo da Rússia. O país que, no passado, teve Platini e Zidane como referências indiscutíveis de suas gerações passou a reverenciar Kanté, Pogba, Mbappé, Griezzmann e outros atletas quase com a mesma intensidade.

“O futebol evoluiu. É preciso ser humilde também. Eles sabem que, sem o coletivo, não conseguimos nada”, comentou Deschamps, ressalvando apenas que a França conta, sim, com bons valores individuais. Na sequência, porém, ele citou os nomes de quase todos os seus titulares. “Temos que destacar a maneira como construímos esse time.”

Deschamps construiu um time repleto de jovens valores, que, como ele mesmo lembrou, têm idade para dar outras alegrias aos franceses no futuro. O atacante Mbappé, por exemplo, completará 20 anos apenas em dezembro e já desponta como novo grande personagem do futebol mundial.

“É difícil responder sobre o legado que deixamos. A França é campeã do mundo, o que significa que fizemos as coisas melhores do que os outros. Tenho orgulho desse grupo, que é muito jovem e veio com a mentalidade certa para uma Copa do Mundo. Possuímos imperfeições, mas também capacidade psicológica para superá-las”, analisou Deschamps. “Somos os campeões do mundo e estaremos no topo por quatro anos. É isso que deve ser guardado”, bradou.

A juventude também fez com que a comemoração do elenco francês fosse mais animada do que Deschamps poderia esperar. “Eles sempre foram malucos”, sorriu, ainda banhado de isotônico. “Só vão se dar conta do que realizaram nos próximos dias. Ainda não sabem o que é ser campeão do mundo. Esses 23 jogadores estão vinculados para o resto das suas vidas, mesmo seguindo caminhos diferentes. Nunca mais serão os mesmos. Não há nada acima de um título mundial”, complementou.

Deschamps sabe o que está falando. Campeão mundial como técnico aos 49 anos, ele tinha 29 quando, dentro de campo, colaborou para a França ser campeã da Copa do Mundo de 1998. Assim, igualou-se ao brasileiro Zagallo e ao alemão Beckenbauer na condição de vencedor do torneio como atleta e treinador.

Questionado sobre o seu feito, Didier Deschamps recorreu à humildade que tanto valoriza na seleção francesa. “Não gosto muito de falar de mim, mas sei que falarão um pouco. O que fica é a aventura que tive junto desses jogadores e da equipe técnica. É um imenso privilégio viver isso depois de 20 anos. O título de 1998 ficará marcado para sempre por ter sido conquistado na França, mas o que ganhamos agora é tão bonito e tão forte quanto”, equiparou.




Polícia francesa lança gás de pimenta para dispersar pessoas na Avenida Champs-Élysées durante comemoração pelo título da Copa do Mundo (Foto: Ludovic Marin/AFP)

Neste domingo, durante a comemoração do bicampeonato mundial pela França, um grupo com cerca de 30 jovens invadiu e saqueou a Drugstore Publicis, um complexo comercial localizado na Avenida Champs-Élysées, uma das mais famosas de Paris.

Segundo informações da AFP, os jovens, alguns deles encapuzados, quebraram os vidros do famoso complexo e, em seguida, saíram carregando garrafas de bebidas alcoólicas, como vinhos e champanhes, rindo e gravando o momento em seus celulares. Depois de cerca de 20 minutos, a polícia local, que passou a ficar postada em frente ao estabelecimento, lançou forte gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas.

Além desse episódio, não muito longe, um torcedor da França repetia, aos prantos: “Isso não é festa”. Para a comemoração do título, cerca de quatro mil policiais e gendarmes foram mobilizados em Paris, sendo proibida a circulação de veículos no local até as quatro horas da manhã de segunda-feira (23h de domingo no horário de Brasília), no oeste e no centro da cidade.

Cerca de quatro mil policiais foram mobilizados para a festa do título pelas ruas de Paris (Foto: Ludovic Marin/AFP)



Emmanuel Macron, de 40 anos, festejou bastante o título da França (Foto: Jewel SAMAD/AFP)

Emmanuel Macron roubou a cena na festa da seleção francesa no estádio Luzhniki, em Moscou, após a vitória por 4 a 2 sobre a Croácia na grande decisão da Copa do Mundo. O presidente da França deixou de lado o tom comedido para brincar com os jogadores, beijar a taça e até mesmo dançar com Paul Pogba, um dos principais astros do time comandado por Didier Deschamps.

Durante a partida, na área VIP da Fifa, destinada a chefes de estados e convidados especiais, Macron já havia dado amostrar do que estaria por vir. Ao longo dos 90 minutos, o presidente francês chegou a levantar da sua cadeira e comemorar como um simples torcedor, deixando de lado qualquer tipo de etiqueta.

(Foto: Reprodução/Instagram)

Após o fim da partida, Macron e a presidente da Croácia, Kolinda Kitarovic foram junto com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, até o gramado participar da cerimônia de premiação destinada às equipes. Sob forte chuva, o político centrista não se incomodou em se molhar e cumprimentou não só os campeões do mundo, mas também os jogadores da seleção croata, indo, inclusive, ao vestiário do time rival.

Posteriormente, Macron também apareceu no vestiário da seleção francesa e não poupou energia. Flagrado nas interações de diversos jogadores nas redes sociais, Emmanuel Macron atendeu aos pedidos de Benjamin Mendy e Paul Pogba e fez a coreografia de hip-hop chamada “dab”.