Velhos inimigos, mas descobriram com o tempo uma nova amizade. Assim foi o clima da histórica coletiva conjunta entre Coritiba e Atlético Paranaense, no Couto Pereira, na véspera do clássico de domingo, pelo Campeonato Paranaense. Porém, o jogo ficou em segundo plano e o abraço caloroso entre os presidentes Rogério Bacellar e Mário Celso Petraglia mostrou um lado político forte na tentativa de resgatar o futebol paranaense.
“Este é o início de uma longa caminhada que teremos e juntos iremos engrandecer as duas instituições. Nós estamos tendo uma visão pequena em relação ao futebol. Temos uma cidade com um PIB grande e não temos times expressivos”, afirmou o cartola atleticano que ainda conta com o apoio do Paraná Clube para fortalecer essa união. “Pretendemos fazer acontecer uma coletiva na segunda com o Paraná junto para um movimento político”, completou.
Pelo lado alviverde, o Bacellar fez um ‘mea-culpa’ em relação afastamento entre os clubes nas últimas décadas – atribuindo, é claro, às diretorias passadas – e se comprometeu a levar adiante seus planos de campanha, que passam pela reestruturação do futebol coxa-branca. “A última diretoria criou um ambiente hostil fora de campo e isso só traz coisas ruins. Nós estamos em reestruturação no Coritiba, estamos tentando cumprir todos os aspectos prometidos na campanha”, afirmou.
As declarações acontecem em meio a dois momentos importantes do futebol do Estado, que hoje tem menos representantes nas duas primeiras divisões do que Santa Catarina, Estado vizinho que sempre esteve atrás nestes quesitos. O trio de ferro passa por dificuldades financeiras, especialmente o Paraná Clube, que corre risco até de extinção e de perda total de patrimônio. Por outro lado, a Federação Paranaense está em clima eleitoral, com a oposição recebendo apoio explícito da dupla Atletiba, com promessas inclusive por parte do Furacão de utilização da equipe principal no Estadual.
Presidente, técnico e jogador de ambas as equipes estiveram presentas na coletiva para selar a paz no Atletiba - Credito: Divulgação/Atlético-PR
Também teve futebol na coletiva – Ações de marketing – como o patrocínio de camisa que ambos passarão a usar dentro dos números - e política não foram os únicos temas. Também teve espaço para futebol, com a presença dos dois treinadores, Marquinhos Santos, pelo Coxa, e Marcelo Vilhena, pelo Rubro-Negro sub-23, que brincaram sobre a não divulgação dos times ou detalhes finais da preparação.
"Já vou adiantar que não vou falar nada da equipe aqui, ainda mais com o Marcelo aqui do meu lado, não posso revelar nada", brincou o comandante coxa-branca, que minimizou ainda o fato do adversário não entrar em campo com o time principal. "Atletiba é Atletiba, pressão dos dois lados, independente da idade. Esperamos realizar um grande jogo no domingo, mas sabemos da dificuldade", avaliou.
Já Vilhena, que conhece bem a força do clássico por sua participação nas categorias de base do Atlético, fez questão de ressaltar o momento histórico que estavam vivendo, pediu paz fora dos gramados para que curta a verdadeira disputa dentro de campo. "Sinto-me feliz e honrado por fazer parte deste momento de união fora de campo dos dois clubes. Dentro das quatro linhas sabemos que clássicos são feitos de detalhes e de como nós vamos nos comportar", concluiu.