Praticamente toda a coletiva de Vítor Pereira após a derrota do Corinthians por 1 a 0 contra o Cuiabá, na noite desta terça-feira, foi sobre análise: de jogo, da escalação, das substituições… O time vinha de uma sequência de 11 jogos sem perder e colocou em cheque a liderança do Brasileirão.
“A primeira parte foi com muitos erros, atraímos muitas vezes ou demos confiança ao adversário. Estabilizávamos, depois voltávamos… Foi um primeiro tempo que não conseguimos. Aquilo que pensamos que o jogo iria dar, do ponto de vista ofensivo não criamos os problemas que pensamos que iríamos criar. Nós tínhamos problemas”, iniciou Vítor Pereira em coletiva de imprensa após a derrota.
“Na segunda parte, passamos para o 4-3-3, fizemos as substituições, estávamos perdendo, melhoramos, mas senti que não tinha a postura que necessitávamos. Isso confirmou que (os jogadores que jogaram sábado) nunca dariam para jogar os 90 minutos depois de três dias, com viagem para São Paulo e também para cá. Não senti os jogadores recuperados, nem os mais novos - Piton, Renato, Giuliano… O que estava fresco era o Júnior Moraes. Isso aqui quer dizer que nós somos curtos e não temos soluções, pois jogadores fora (no DM). Primeira parte equivocada, assumo a responsabilidade, foi a estrutura que eu escolhi. Mas não estava esperando uma primeira parte do nível que jogamos, esperava muito mais”, complementou.
O treinador também explicou a estratégia adotada em relação à escalação do primeiro tempo e às modificações realizadas no intervalo.
“Nós não estivemos no nosso nível. Não querendo tirar essa competitividade do Cuiabá, que lutou o jogo todo, nós, na primeira parte, foi quase dada de bandeja. A intenção era ir com um pouco mais de segurança, depois de três dias, ainda repetindo alguns jogadores, e depois injetar alguns jogadores mais técnicos e que poderiam nos dar algo em termos ofensivos no segundo tempo, até para descansar um pouco… O que pensamos? Fazer o contrário, quando o adversário estiver mais cansado, colocamos os jogadores mais técnicos, criativos, para tentar fazer o resultado na segunda parte”, falou.
“Mas na primeira parte esses momentos de insegurança traduziram-se muitas vezes em momentos de insegurança, porque nós não tivemos no nosso nível e eles marcaram e depois, na segunda parte, tentamos, mas não com a qualidade que temos, porque os jogadores que entraram tinham jogado três dias atrás e não têm capacidade de fazer as coisas rápido. Podíamos ter empatado em algumas situações, não marcamos, eles também tiveram contra-ataques. Isso nos traz para a realidade: com essa gente que está de fora, que tem qualidade, nós ficamos curtos. Tínhamos que ter ganhado esse jogo, tínhamos que ter jogado melhor o primeiro tempo. É continuar a trabalhar e melhorar a qualidade do nosso jogo”, finalizou.
O próximo compromisso do Alvinegro será no sábado, diante do Juventude, no retorno da equipe à Neo Química Arena após dois jogos, a partir das 16h30 (de Brasília).
Veja outros trechos da coletiva de Vítor Pereira:
Desfalques
“Me parece que, quando temos as opções todas, conseguimos não perder muita qualidade de um jogo para o outro. Quando as opções começam a faltar… Na minha opinião, já estávamos curtos, agora estamos mais. Essas variações em qualidade e essa dificuldade em criar mais têm a ver com a realidade. Se jogarmos com uma equipe hoje e voltarmos a jogar daqui a três dias, com viagens, não tem possibilidade nenhuma, porque não conseguimos jogar. Tendo a necessidade de mudar e com tanta gente de fora, há uma quebra em termos de qualidade”.
António Oliveira (novo técnico do Cuiabá, que ainda não estreou)
“O António Oliveira faz parte daquela geração de Portugal com novos treinadores, talentosos, bem-preparados, de forma teórica, até pela família, pelo pai, sempre esteve envolvido no futebol. Jovem, com muita qualidade. Desejo o melhor aqui no Cuiabá. Respeitando, claro, o que o Cuiabá fez, foi muito pelo que não fizemos (o resultado). Tivemos sempre dificuldades em construir, fazer o nosso jogo”.
Cobrança
"Desde o início eu sei que a torcida do Corinthians cobra. Quem assistiu ao primeiro tempo que jogamos hoje, não pode estar satisfeito. Eu não estou. Eu, como não sou de responsabilizar ninguém, assumo a responsabilidade. Os jogadores também têm que assumir, já que jogamos com mais qualidade nesse sistema em outras vezes. Temos que entender os motivos de não termos conseguido jogar com qualidade na primeira etapa. Já na segunda, fomos melhores, mas com muito esforço. A realidade é essa dificuldade de jogar de três em três dias. Agradecer a torcida por todo o apoio que nos deu. No final, tem razão em cobrar. Agora, eu vi que a equipe tentou dar a volta na situação. Tentou, tentou, mas muitos jogadores com déficit físico, com uma dificuldade tremenda de dar intensidade ao jogo. O nosso principal foco, neste momento, é recuperar os jogadores lesionados, que fazem muita falta. São jogadores importantes fora. Os jovens têm dado conta do recado, os jogadores têm tentado, e nós estamos nessa fase de sobreviver à competição. Hoje foi pena, não deu. Voltamos com uma derrota que nos custa a todos. Analisar e trabalhar em cima dos erros para corrigir, seguir o caminho".
Situação de Jô
"Eu não queria assim, quente, quase sem tempo para perceber bem o que aconteceu... Eu prefiro dar um pouco de tempo para poder comentar depois, até para discutir internamente o que se passou, de fato. Portanto, não quero falar aqui sem o conhecimento do fato, só porque me disseram qualquer coisa. Preciso de tempo para analisar a situação".