Troféu do Paulistão divide atenções em vitória corintiana no basquete

Helder Júnior - São Paulo,SP

11-04-2018 08:01:26

Muitos torcedores ainda estavam de costas para a quadra do Ginásio Wlamir Marques quando a bola subiu para o jogo de basquete entre Corinthians e Unifacisa-PB, na noite de terça-feira, pela Liga Ouro (a segunda divisão nacional). Naquele momento, só tinham olhos para o troféu de campeão paulista de futebol, exposto na entrada do local que abrigou a suada vitória corintiana por 84 a 81.

Como se sentisse a necessidade de mais apoio, o Corinthians iniciou mal a partida contra a Unifacisa. Os donos da casa, líderes da Liga Ouro, cederam à marcação do time paraibano e deixaram preocupado o seu mais ilustre torcedor – Wlamir Marques, ídolo que dá nome ao ginásio do Parque São Jorge, resistiu aos encantos do troféu e assistiu de um assento bem próximo à quadra, diante dos mesários, à derrota por 23 a 18 no primeiro quarto.

“Quando o jogo começou, com o Corinthians sofrendo, estava imaginando que haveria ainda mais dificuldades”, admitiu Wlamir, bastante sorridente ao ser abordado pela Gazeta Esportiva. Outro indício de uma partida complicada estava na primeira apresentação da recém-lançada equipe de basquete corintiana – vitória por 63 a 62 sobre a mesma Unifacisa, sacramentada no último lance, em Campina Grande (PB). “Mas, com o decorrer do jogo de hoje, o nosso time se ajeitou. Gostei muito. As duas equipes já estão em outro nível em relação àquela estreia”, aprovou o ex-atleta, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira (1959 e 1963).

Wlamir Marques estava ligado no início do jogo, quando muitos só davam atenção ao troféu (foto: Helder Júnior/Gazeta Press)

De fato, o Corinthians se acertou a partir do segundo quarto. Quando somente a mascote Mosqueteiro estava perto da taça obtida no futebol, recepcionando quem chegava atrasado ao ginásio, o time anfitrião melhorou significativamente. Parecia até disposto a dar “tapa na orelha”, como um torcedor pedia isoladamente nas arquibancadas, na esperança de que os demais também reproduzissem o famoso coro dos clássicos contra o vice-campeão paulista Palmeiras.

O pivô Pedrão ficou com “sangue no olho”. Não por causa do grito de guerra da torcida, mas porque acabou expulso quando o adversário Rodrigo Piru ficou caído em quadra, reclamando de agressão. Aos berros, com o dedo em riste, foi contido por seus companheiros na caminhada ao vestiário e não acompanhou o Corinthians virar o placar para 38 a 35 antes do intervalo.

A vitória parcial voltou a empolgar quem não conseguia deixar de lado a histórica conquista do Campeonato Paulista de 2018, no Allianz Parque. O encarregado do sistema de som do ginásio também ajudou o público a voltar a pensar em futebol. “Chupa, Palmeiras!” foi a música que começou a ecoar nos alto-falantes. Os torcedores reagiram com uma coreografia, movendo os braços de um lado a outro.

No basquete, o Corinthians teve uma recaída. Carregada pelo ala norte-americano Chris Allen, que já tirava do sério alguns torcedores com as suas jogadas de efeito, a Unifacisa devolveu a virada e encerrou o terceiro quarto em vantagem, com o marcador de 62 a 61. Pelo time paulista, era outro jogador oriundo dos Estados Unidos quem já desequilibrava, o ala Brandon Davis. “Gringo! Gringo! Gringo”, gritava um grupo de corintianos, quando ele se apresentava para lances livres.

“Em se tratando de Liga Ouro, ficou um jogão, embora tenha virado uma partida de americano contra americano. Mas os jogadores nacionais do Corinthians ainda foram mais decisivos do que os nacionais do... Nome difícil de falar esse aí, né? Unifaces?”, sorriu Wlamir Marques. De fato, os estrangeiros polarizaram o duelo. Allen foi o cestinha, com 31 pontos. Atrás dele, apareceu Brandon, com 24.

Para superar a noite inspirada de Chris Allen, o Corinthians contou com a voz da sua torcida, até então acomodada. Houve bastante vibração nos segundos finais, em que os líderes da Liga Ouro, com um ponto de vantagem, seguraram-se na defesa ao som do hino corintiano. O ala Schneider selou o triunfo por 84 a 81 sobre o rival paraibano com dois lances livres certeiros.

Norte-americano Brandon foi a arma do Corinthians contra o seu compatriota Allen (foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Com a vitória consumada, muitos torcedores se atentaram outra vez à taça do Campeonato Paulista, de novo disputada para fotografias. Wlamir Marques, por sua vez, permaneceu no seu lugar, observando, orgulhoso, o ginásio que batizou esvaziar pouco a pouco “Deram o meu nome ao ginásio exatamente para que o basquete voltasse ao Corinthians. Isso me deixou muito, muito feliz. O ano que vem será ainda melhor, com uma equipe de mais nível para a disputa do NBB, com mais gente vindo aos jogos. Esse lugar tem muita história, tradição, e os rapazes estão fazendo jus, com o espírito que criamos aqui”, discursou.

Pouco depois dessa entrevista, Wlamir se levantou, passou em frente ao troféu do Campeonato Paulista e sentou-se em uma pizzaria do Parque São Jorge, situada na entrada do ginásio. Ali, foi cumprimentado calorosamente por cada atleta do Corinthians que deixava o vestiário, de banho tomado, e permitiu-se uma e outra palavras também sobre futebol, o assunto predileto no estabelecimento.

“A final contra o Palmeiras? Só assisti aos pênaltis. Não tive coragem de ver o jogo inteiro. Mas, para quem acompanha, essa foi uma das mais importantes vitórias da vida do Corinthians. Ninguém acreditava. Perdendo por 1 a 0, o time foi lá e ganhou no tempo normal e nos pênaltis, com o elenco que o Palmeiras tem. Foi fantástico, incrível”, enalteceu Wlamir Marques, crítico da indignação do mandatário palmeirense Maurício Galliotte com a arbitragem. “Reclamação sempre vai existir. O que não pode é um presidente tentar desmoralizar o campeonato, chamando de Paulistinha. Não vale nada porque eles perderam? E fizeram treino aberto para um monte de gente por quê?Fanatismo leva a esse tipo de declaração”, condenou.

Wlamir, que reprovou as reclamações palmeirenses no futebol, foi tietado por Brandon (foto: Helder Júnior/Gazeta Press)

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