O Corinthians pretende usar a má experiência contra o São Paulo, na estreia de Vítor Pereira, para vencer seu primeiro clássico no ano. Naquela ocasião, a equipe levou um gol de Calleri com apenas 52 segundos de bola rolando, mas isso não deve se repetir no Derby contra o Palmeiras nesta quinta-feira, no Allianz Parque, se depender dos jogadores.
"O jogo contra o São Paulo foi muito diferente de tudo. Você se prepara, aquece, vai entrar no campo, tem uma chuva daquele, acaba energia, vai jogar, não vai jogar. Então, acho que ali a gente acabou se desconcentrando um pouco. Tomamos o gol, realmente buscamos, mas não conseguimos o empate. Também teve muito mérito do São Paulo de brigar durante todo o jogo. Quanto a esse jogo agora, a gente já sabe que não pode entrar da maneira que entramos, já usamos como aprendizado, acho que isso é legal no futebol, erra e busca aprendizado, não ficar lamentando", iniciou o meio-campista Renato Augusto nesta quarta-feira, em coletiva no CT Dr. Joaquim Grava.
"Já entramos diferente no jogo contra a Ponte e sabemos que temos que entrar assim contra o Palmeiras. É uma equipe muito forte, que joga há muito tempo junta, cada jogador sabe onde o outro vai estar, essa é a grande diferença quando se joga há muito tempo junto. Se a gente conquistar a vitória, perfeito, conseguimos a primeira vitória do ano em clássicos. Mas, se não vier, continuar trabalhando para a fase final, porque a fase final é que mata o campeonato. Às vezes você não consegue a vitória na fase de grupos, mas na fase final conquista o título. Então, importante é confiar no trabalho", complementou.
Para ele, aliás, um clássico é como um jogo de xadrez. "Eu costumo dizer que alguns jogos grandes, como clássicos, são jogos de xadrez, precisa mudar uma peça no momento exato para chegar ao gol. São duas grandes equipes, em momentos diferentes, clubes gigantescos, e quem ganha com isso é o público que ganha com isso, tanto de casa quanto no estádio. Espero que a gente possa fazer um grande jogo e ganhar".
O Corinthians, depois de perder para o Tricolor, conquistou uma vitória importante pré-Derby, uma goleada sobre a Ponte Preta por 5 a 0. Renato foi um dos que balançou as redes, de fora da área. Contra o Alviverde, ele pode arriscar utilizar esse método de novo.
"É uma das possibilidades. Você pega um time que joga junto há muito tempo, que tem uma defesa sólida, forte. Você tem que ir criando opções, ter um leque para poder chegar ao gol. Muitas das vezes vai ser de cruzamento, finalização de fora da área, infiltração. Então, é uma grande possibilidade de poder chegar ao gol. Procuro sempre trabalhar quanto a isso. Nos jogos, toda oportunidade que tenho, procuro arriscar. A gente brinca: só faz gol quem chuta. Mesmo que marcado ou numa situação difícil, procuro arriscar."
Questionado sobre a maneira de jogar de Vítor Pereira, que poderia abrir mais possibilidades para o Palmeiras fazer gols - o time de Abel Ferreira se utiliza bastante de contra-ataques, Renato Augusto foi enfático: não há uma forma certa de se jogar futebol.
“Eu gosto da forma como a gente joga, você agredir mais o adversário, buscar roubar a bola no campo do adversário para estar mais próximo do gol. É uma forma que eu gosto. Todo mundo que faz isso corre riscos, é impossível você passar um jogo agredindo o adversário sem dar a possibilidade de um contra-ataque. Mas isso não é com a gente, é com qualquer time do mundo. Isso é normal, então cabe ao treinador adversário também tentar usar dos pontos fortes que ele tem, então é interessante. E uma coisa que aprendi muito na minha carreira, por ter trabalhado com treinadores de praticamente todas as nacionalidades, não existe uma receita, ‘isso aqui vai dar certo’", iniciou sobre o assunto.
"Vai dar certo com um elenco, pode não dar com o outro. O importante é você ter uma mentalidade de jogo, conseguir passar isso para o seu time, seu time comprar a ideia e fazer bem dentro de campo. Agora, garantir que não vai ter um contra-ataque, claro que vai ter, isso todos os times do mundo sofrem. Mas é um risco também ficar lá trás. A linha da vitória é muito pequena. Uma bola desviada, faz 1 a 0, e ganha o jogo e você é rei, deu nó tático. No outro, uma mesma jogada igual, toma um gol, aí fez a maior besteira do mundo. A linha da vitória e da derrota é tão fina, que é difícil você entregar o que tem que fazer. O importante é acreditar no seu trabalho e fazer bem-feito", finalizou.
Ele ainda falou sobre outros tópicos, como Júnior Moraes, que foi anunciado nesta manhã pelo Timão, Seleção Brasileira e estar ao lado de companheiros de peso, como Willian.
Veja abaixo outros trechos da entrevista coletiva:
Posicionamento com Vítor Pereira
“Eu conversei bastante com ele (Vítor Pereira) quanto à forma de jogar, é um jeito que eu gosto. Acabo buscando sempre a bola, com intensidade, agredindo bastante o adversário. Claro que está longe ainda do que a gente pode render, houve uma mudança grande na forma de jogar, mas tivemos pouco tempo, temos jogadores inteligentes, que entendem o que ele quer. Já fizemos um bom jogo, não foi perfeito, mas podemos evoluir bastante. Agora teremos um clássico contra um time que já vem jogando junto há bastante tempo, que conquistou títulos importantes recentemente. Vai ser um grande desafio para a fase final do Paulista”.
"Na verdade, taticamente não mudou tanta coisa, eu mantive a função. Ele tem alguns jeitos diferentes de saída de bola, de finalizar a jogada. Procurei entender e estou me sentindo bem. Me sinto bem da forma que ele joga, já joguei assim antes com outros treinadores. Para mim não é nenhuma surpresa ou novidade, mas acho que o mais importante não é o que sinto, mas como a equipe se sente dentro do campo. Pelo último jogo, está tudo bem. Agora temos um jogo importante para darmos sequência ao trabalho."
Tipo de jogo no clássico
"Cada jogo tem sua história, muito difícil cravar como cada time joga. A gente teve um jogo contra o São Paulo e acabamos tomando gol com um minuto, tentamos buscar o gol o tempo inteiro. No jogo entre Palmeiras e São Paulo, o Palmeiras fez o gol primeiro e o São Paulo tentou buscar o jogo. Não tem como garantir como o Palmeiras ou nós vamos (jogar). Eu costumo dizer que alguns jogos grandes, como clássicos, são jogos de xadrez, precisa mudar uma peça no momento exato para chegar ao gol. São duas grandes equipes, em momentos diferentes, clubes gigantescos, e quem ganha com isso é o público que ganha com isso, tanto de casa quanto no estádio. Espero que a gente possa fazer um grande jogo e ganhar".
Controle de carga
"Na verdade é um trabalho que começou aqui ainda em 2013 e 2014, com o Bruno Mazziotti, já tinha programado isso. Quando chega um treinador, procuro passar isso, não é má vontade minha, tenho um cronograma, muitas vezes o pessoal está treinando e eu não estou. Tem um ajuste de carga que foi feito praticamente há dez anos, tem dado certo. Ele me deixou totalmente à vontade e aberto quanto a essa questão. É mais ajuste de carga do que realmente ter algum problema ou não estar bem para o treino. Agradecer a ele por ter me dado essa abertura. Tive vários problemas, principalmente na China, para o treinador entender que não estava ali não porque não quero treinar, mas porque tem um trabalho. Aqui tínhamos uma comissão técnica que passou para ele (Vítor Pereira), foi mais fácil. Quero evoluir a cada treino para ajudar o clube, o treinador e o time".
Adaptação
"Este é o grande desafio, correr contra o tempo, chegar ao nível máximo o mais rápido possível. Quando você veste essa camisa, não tem tempo, tem que chegar e resolver. Temos jogadores de altíssimo nível, que estão entendendo o que ele quer, às vezes na base da conversa ou do vídeo. Estamos criando um elenco forte, até porque vamos precisar para o decorrer da temporada. Não dá para dizer quando vai estar 100%, mas a ideia é evoluir a cada jogo para brigar por títulos, que é o que te faz crescer no Corinthians. O Corinthians vive disso".
Goleada sobre a Ponte Preta
"Você tocou num ponto importante, falou sobre resultado e como foi construído. Às vezes, o resultado esconde algumas coisas, o mais importante é como construiu. E acho que a forma que a gente construiu foi importante, marcando em cima, agredindo adversário, ficando com a bola e pisando na área o tempo inteiro. A forma que foi construído o placar foi interessante. É claro que o resultado foi elástico, dá um pouco mais de confiança, isso é bom. A questão da confiança o Tite falava muito, não é uma mala que você solta e depois pega. Você vai ganhando, construindo. Então, é importante a cada jogo ganhar confiança e crescer para chegar à fase final do Paulista bem e pronto para brigar pelo título".
Seleção Brasileira
“Eu fico feliz, porque ser lembrado assim, até por vocês, da imprensa, fico feliz, é sinal de que estou fazendo um bom trabalho. Minha cabeça é essa, fazer um bom trabalho no clube, buscar títulos e vitórias para que eu possa estar credenciado a ter uma oportunidade na Seleção novamente. Se não vier, a ideia continua sendo a mesma, crescer no clube. E se vier a oportunidade, tentar agarrar da melhor maneira possível para poder continuar. Eu não posso dar um passo maior do que a perna, tenho que buscar primeiro fazer um grande trabalho aqui, crescer a cada dia para, aí sim, chegar a ter uma oportunidade na Seleção”.
Disputa de posição
"Essa é a famosa dor de cabeça boa que o treinador sempre vai ter. Aí é com o mister, ele vai ter que resolver esse pequeno problema e a gente tem que dar resposta a ele. Às vezes é bom você saber que tem que estar em alto nível para poder estar jogando, sendo titular, tendo oportunidade. Quem ganha com isso é o Corinthians".
Gramado sintético
"É muito difícil dizer porque ainda não joguei lá no sintético. Quando joguei lá ainda era grama natural. Dizem que é uma grama um pouco melhor do que as tradicionais, realmente não sei. É um time que está acostumado a jogar ali, provavelmente pode ter uma pequena vantagem quanto a isso, mas não podemos ficar lamentando quanto a isso. É tentar adaptar o mais rápido possível para fazer um bom jogo, crescer e ganhar."
Balanço do retorno
"Essa comparação é até um pouco difícil, porque eram momentos diferentes, quando saí em 2015 era o auge do auge, time campeão brasileiro e jogando quase à base de música. Quando cheguei (ano passado), estava em momento delicado, agora estamos voltando a ser protagonistas, então requer um pouco mais de tempo, e a comparação é um pouco difícil. Quanto às críticas, elas são naturais, todo mundo vai criticar em algum momento. Independente da idade ou de onde esteja jogando, o que mais vejo é jogador sendo criticado. Então, você tem que procurar fazer seu trabalho bem, é o que estamos fazendo, conseguindo dar a resposta dentro de campo, independente do jogador e da idade de quem está jogando. Procuro me concentrar no meu trabalho para responder o que o treinador quer dentro do campo sem ficar olhando muito as críticas."
Finalizações fora da área
"Eu acho que fui aprimorando a finalização na minha carreira. Quando surgi no Flamengo, todo mundo falava que eu não sabia chutar, não fazia gol... Nunca fui um cara de fazer muitos gols, mas, com o tempo, fui tendo mais tranquilidade para finalizar, acabei fazendo mais gols. Antes eu ficava afobado para chutar logo, hoje tenho um pouco mais de tranquilidade para olhar o gol e ajeitar a bola para poder finalizar. Isso me ajudou bastante"
Júnior Moraes
"Lá na China a gente acabou se enfrentando só uma vez, ele ficou muito pouco tempo lá, se não me engano três ou quatro meses. Ele estava num time desorganizado, é difícil dar uma opinião, seria injusto da minha parte falar alguma coisa. O pouco que eu vi na época da Ucrânia: fazia gol, muito, muito gol, não à toa se naturalizou e virou jogador de seleção. Como pessoa, eu já o conhecia, é uma pessoa fantástica, que dispensa comentários, além da história que aconteceu agora, de amigos que estavam próximos a ele, do que ele fez para ajudar os outros. Aí não é mais futebol, fico até arrepiado, porque ultrapassa o futebol. Ele vai ser tratado da melhor maneira possível, de braços abertos. Esse é um elenco que trata muito bem quem chega. Aconteceu isso comigo, fui muito bem recebido quando cheguei. Com certeza, ele vai ser também."
Jogar em casa na fase final do Paulista
"Para a gente, claro, seria muito interessante, mas temos que estar preparados para todas as situações, jogar em casa ou fora. A gente que, jogando em casa, temos um a mais, a maneira que eles apoiam é impressionante. Não sou nem eu que fala isso, são os jogadores que jogam contra a gente que dizem. Se a gente puder trazer o mando para dentro de casa, é muito mais interessante. Se não vier, temos que estar preparados para todas as situações."
Árbitro de apenas 23 anos no Derby
"É muito difícil dizer, até porque eu não o conheço, seria injusto da minha parte criticar por causa da idade. Eu comecei a jogar com 17 anos, agora vou falar que um cara de 23 não está pronto? Espero que ele possa fazer um bom trabalho, para que a gente também possa fazer o nosso e que tenha um grande jogo. É esperar que ele possa fazer bem o trabalho dele, só isso."
Patamar do Corinthians atualmente
"É claro que quando você traz grandes jogadores como Willian e Paulinho, claro que você eleva o nível do time, não só no jogo, também traz isso para jogadores mais jovens crescerem também. Eu passei por isso quando era mais jovem, no Flamengo, e o Sávio voltou para o Flamengo. Chegava no treino com muito mais... Pô, preciso evoluir, crescer. Depois peguei Juninho Paulista, Luizão, jogadores do mais alto nível. Isso ajuda os jovens a crescerem também e eleva o nível do elenco. Nossa ideia é chegar o mais próximo do nível dos três que estão lá em cima (Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG), juntos há mais tempo. Estamos num processo que não sabemos até onde vamos conseguir ir, por estar com treinador novo e jogadores chegando. Estamos numa crescente, mas até onde pode ir eu não sei. Espero ficar no mesmo nível deles ou até acima”.