O técnico Ramón Diaz e seu auxiliar Emiliano Diaz foram apresentados oficialmente pelo Corinthians nesta segunda-feira, no CT Joaquim Grava. A dupla, que trabalha em conjunto há cerca de 14 anos, pediu união de todos para o time sair dessa situação delicada no Campeonato Brasileiro. Além disso, ambos exaltaram o elenco da equipe, deixando claro que não pedirão muitas peças para complementar o elenco, visando o restante da temporada.
Em relação à diretoria, Ramón valorizou o diálogo constante com o presidente Augusto Melo e com o executivo de futebol Fabinho Soldado. "Isso é muito importante, esse respaldo, confiança e diálogo permanente. Isso é muito importante e não ocorre em todo clube. Por isso tenho que agradecer, por esse diálogo permanente. É um grande clube, grande instituição. Vamos trabalhar de forma árdua para melhorar", disse Ramón.
"É muito importante que estejamos todos juntos, comissão técnica, jogadores, diretoria e torcida. Sei que é uma torcida muito quente, de pressão, e isso eu gosto. É um apoio permanente", comentou Ramón.
Em relação à montagem do elenco, Emiliano foi quem falou de forma mais aprofundada. A comissão técnica ainda vai se reunir com a diretoria para definir prioridades, além dos quatro reforços certos (Hugo Souza, André Ramalho, Alex Santana e Charles).
"A gente não precisa de muita peça. Lógico que podem acontecer surpresas, oportunidades, que podemos aceitar. Mas o Corinthians não tem um time para estar nessa situação. Mas futebol é assim, o campeão da Libertadores está na zona de rebaixamento. Não necessitamos de muitas peças", disse Emiliano, que evitou dar qualquer pistas sobre o time titular que entrará em campo contra o Criciúma.
"Estamos muito contentes com o elenco que temos. Qualidade, jovens importantes. Tratamos que sejamos muito respeitados, sendo intensos, mantendo ordem tática. Vamos fazer um trabalho dando muita confiança à equipe, aos jogadores", complementou o comandante.
Além de Ramón e Emiliano, chega uma comissão técnica composta por outros três profissionais: o auxiliar Juan Romanazzi, o preparador físico Diego Pereira e o analista de desempenho Damian Paz.
Aos 64 anos de idade, Ramón Diaz também soma passagens por clubes de diferentes mercados. Na Argentina, já comandou River Plate, Independiente e San Lorenzo. Na Arábia Saudita, treinou o Al-Hilal e o Al-Ittihad, além de já ter comandado também a seleção do Paraguai, o América do México e o Oxford United, da Inglaterra.
Veja outros trechos da coletiva de Ramón Diaz e Emiliano:
O que motivou vocês a assumirem o Corinthians? (Ramón)
Primeiramente, a nível mundial se sabe o que é Corinthians como clube, instituição, a infraestrutura que tem. As condições que sempre teve. Equipe grande, que sempre luta por coisas importantes. Isso que nos motivou a chegar aqui. Tivemos a oportunidade de vir aqui durante a disputa do Mundial, mas não foi para frente. Estamos muito felizes de estar aqui. Gostamos do desafio, de equipes grandes, e vamos seguir dando o máximo de nossa capacidade para sair dessa situação.
Assumir o Corinthians no meio da temporada (Ramón)
"A gente gostaria de chegar a um clube desde o início, mas o futebol é dinâmico, funciona à base de resultados. O que mais me gosta do Corinthians é que os jogadores estão entendendo a situação que estamos. Todos querem melhorar, trabalham 100% para melhorar. Eles entendem que temos uma grande responsabilidade. Não há tempo para perder.
Saída do Vasco (Ramón)
"Nos despediram por Twitter, acho que todo o país sabe. Foi uma situação muito grave. Em três, quatro meses, em nenhum momento tivemos comunicação com o Vasco. No meu telefone não tem nenhum chamado de nenhum dirigente do Vasco, depois de tudo que fizemos pelo clube. Nenhum agradecimento, nada. Mas o futebol continua. E agradeço ao presidente por essa oportunidade. Gostamos do futebol do Brasil, da dinâmica, do jogo. Aqui, qualquer equipe pode ser rebaixada, e isso é uma pressão extra.
Sobre o Vasco, nos devem dinheiro desde o ano passado, e nunca nos pagamos. Mas o que fazemos? Miramos o futuro, vamos em frente. Nossa carreira não terminou no Vasco. Tivemos muitas ofertas, e decidimos vir para cá. Clube grande, uma instituição incrível, e queremos brigar por coisas importantes, Copa do Brasil, Sul-Americana... É um desafio para todos, e gostamos disso. Todos sabem como trabalhamos, e vamos seguir da mesma maneira."
Ideia de jogo (Ramón)
"Sempre temos uma ideia, que terá que ser respeitada. Nós já temos um estilo, uma forma. Um trabalho que vem dando resultado. E o jogador tem que entender que isso é um jogo coletivo. Me preocupa a falta de gol, sim. Queremos trabalhar esse ataque para que o time tenha condição de resolver. Temos um estilo, teremos que nos adaptar para sair dessa situação. Temos que render ao máximo para sair dessa situação, mas nós temos um estilo, uma forma, e pela semana que tivemos eles estão de acordo. Agora vamos ver como será em jogo, com torcida, estádio..."
No va a bajar? (Ramón)
"São emoções diferentes, momentos distintos. Aqui podemos nos remontar de forma mais tranquila. Queremos lutar mais acima, com a equipe, grupo, temos condições. Mas vai depender de nós. E queremos, teremos que sair rápido dessa situação. A única forma de sair é com concentração, dedicação."
Papo com jogadores (Ramón)
"Nós estamos falando muito com os jogadores. Não é só psicológico, mas é tático, é ordem, e estamos garantindo de trazer tranquilidade, mas sempre consciente de que não podemos errar. Precisamos marcar nas ocasiões que tivermos. Futebol é assim, é confiança. Olha a Argentina, joga com confiança, com tranquilidade, e consegue resultados importantes.
Diferença entre Corinthians e Vasco (Emiliano)
"É muito diferente. Lá (Vasco) a gente tinha um mar de cego. Aqui a estrutura é diferente, time é diferente. Lá, chegaram nove jogadores. Aqui, a posição é similar, mas é uma outra estrutura de time. Graças a Deus fizemos história no Vasco, armamos o time que queríamos. Depois, é trabalho. É tratar de trabalhar, ficar juntos".
Situação delicada do Corinthians (Emiliano)
"Sempre chegamos em situações difíceis, é assim há 14 anos. Estamos acostumados com isso."
Sonho de estar no Corinthians (Emiliano)
"Sempre tive o sonho de estar aqui. Falava com meu pai que um dia estaríamos aqui, desde a época de Tévez, Mascherano, um amigo meu... É o único clube do mundo que não tem vaia. Não deixam de cantar nunca. Isso não tem em qualquer outro lugar do mundo. Vamos tentar desfrutar".
O que a torcida pode esperar? (Emiliano)
"A torcida pode esperar um time muito agressivo, de ordem, e que cada jogador tem que saber o que fazer. O time vem perdendo controle durante os jogos, mas vai ser um time que vai brigar até o fim".
Como vocês separam o que cada um vai fazer? (Emiliano)
"Somos quatro treinadores. Mas quem toma a decisão final sempre é o Ramón. Às vezes brigamos muito, mas sempre pelo bem do clube que nos contrata. Mas a hierarquia está muito clara".
Garro e Coronado podem jogar juntos? (Emiliano)
"Podem jogar juntos, claro, ambos possuem muita qualidade. Vai existir uma competitividade entre eles, jogadores de qualidade podem sempre jogar juntos. Com o tempo vamos saber se jogarão juntos ou não, agora não é o tempo."