Pavio curto, rigoroso e fã do jogo vertical: conheça Vitor Pereira, o novo técnico do Corinthians

Tiago Salazar - São Paulo,SP

23/02/22 | 05:00 - 22/02/22 | 23:57

Vítor Manuel de Oliveira Lopes Pereira, conhecido no futebol apenas como Vitor Pereira, tem 53 anos de idade, nasceu em 26 de julho de 1968, na cidade de Espinho, em Portugal, e foi um jogador que acumulou passagens em pequenos clubes em sua terra natal.

O novo técnico do Corinthians tem a Licença Uefa Pro, grau máximo da escola europeia, é um profundo estudioso do futebol e tem como maior referência o treinador André Villas-Boas.

 

Característica de trabalho
Suas equipes variam entre os esquemas 4-3-3 e 3-4-3, e ele é o que se pode chamar de "técnico equilibrado", pois não é nem dos mais defensivos, nem dos obsessivos pela ofensividade.

Pereira entende que jogadores precisam cumprir funções em campo, mais até do que desfilar seus talentos individuais no gramado.

Independentemente da formação tática, a maior semelhança entre os times que Vitor Pereira já dirigiu é a postura.

Ele gosta de ter a bola, gosta de linhas altas e não suporta passes laterais. Transição rápida, intensidade e verticalidade são atributos do qual o português não abre mão.

"Não é com jogo lento, não é com o jogo renunciado que se consegue desestruturar ou arranjar momentos na penetração em estruturas compactas como eu acredito que vão apresentar contra nós. Portanto, agressividade ofensiva, um ritmo forte, uma transição agressiva e, depois, concentrados para os momentos de bolas paradas", comentou Pereira em uma de suas entrevistas durante a passagem pelo Porto.

Na gestão de equipe, Vitor Pereira não aprova "jogadores mimados", é bastante rígido, principalmente no tom das cobranças, e não costuma "ter dó" de ninguém. Sempre muito pilhado no dia-a-dia, ele quer intensidade máxima em todos os momentos.


Personalidade
A personalidade de Vitor Pereira também é algo que chama atenção.

O técnico não faz nenhuma questão de "fazer média" com ninguém, gosta de provocações e já protagonizou debates acalorados com jornalistas em entrevistas coletivas.

Chamado de "pavio curto", ele defende a tese de que jornalistas têm de ir preparados para falar de futebol em alto nível com ele.

Na Arábia Saudita, chegou a levantar em meio a uma resposta, aos berros, incomodado com um questionamento.

Na Turquia, em dada ocasião, enquanto estava no banco de reservas, mandou torcedores "calarem a boca".

E, na Grêcia, encarou a torcida no Panathinaikos, andando em direção à arquibancada reservada aos arquirrivais do Olympiacos, seu ex-clube, em forma de provocação.

O resultado dessa atitude foi uma invasão de torcedores, muita correria e diversos objetos, inclusive fogos de artifício, atirados no campo. Na ocasião, escoltado, Vitor Pereira teve de correr para o vestiário.

Carreira
Vitor Pereira começou nas categorias de base do Porto, como preparador físico. Depois, ele foi promovido à auxiliar de André Villas-Boas.

Quando Villas-Boas deixou o clube, ele assumiu o comando e conquistou dois títulos: um do Campeonato Português e outro da Supertaça de Portugal.

Aliás, o título da Liga teve como momento auge uma vitória sobre o Benfica, no Estádio do Dragão, de virada, com gol nos acréscimos do segundo tempo.

Jorge Jesus, então técnico do Benfica, se ajoelhou no gramado, desolado. E o lance tem um espaço reservado no memorial do Porto até hoje.

De Portugal, Vitor Pereira se aventurou no Al-Ahli Jeddah, da Arábia Saudita e depois foi para o Olympiacos, da Grécia, onde conquistou uma Liga Grega e uma Copa da Grécia.

Pelo Fenerbahçe, da Turquia, foram duas passagens, sendo a última encerrada no fim de dezembro de 2021.

Seu pior trabalho foi no 1860 Munique, da Alemanha, quando assumiu a equipe com sérios problemas e não conseguiu impedir o rebaixamento à terceira divisão.

No Shanghai, da China, foram três temporadas e, de novo, ele foi contratado para suprir a saída de André Villas-Boas. A jornada teve um título do Campeonato Chinês e outro da Supercopa da China.


Veja os números de Vitor Pereira como técnico:

Porto - 93 jogos / 65 vitórias / 16 empates / 12 derrotas / +123 saldo de gols / 69.89% de aproveitamento

Al-Ahli - 37 jogos / 19 vitórias / 10 empates / 8 derrotas / +35 saldo de gols / 51.35% de aproveitamento

Olympiacos - 27 jogos / 18 vitórias / 6 empates / 3 derrotas / +48 saldo de gols / 66.67% de aproveitamento

Fenerbahçe - 62 jogos / 38 vitórias / 15 empates / 9 derrotas / +52 saldo de gols / 61.29% de aproveitamento

1860 Munique - 20 jogos / 6 vitórias / 3 empates / 11 derrotas / −9 saldo de gols / 30% de aproveitamento

Shanghai - 118 jogos / 69 vitórias / 27 empates / 22 derrotas / +105 saldo de gols / 58.47% de aproveitamento

Fenerbahçe - 25 jogos / 11 vitórias / 7 empates / 7 derrotas / +9 saldo de gols / 44% de aproveitamento

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