Por André Costa e Tiago Salazar
O Corinthians surpreendeu ao anunciar, na noite da última terça-feira, a saída do executivo de futebol Marcelo Paz. Em nota oficial, o clube informou que a decisão foi tomada em comum acordo entre as partes. No entanto, conforme apurou a reportagem da Gazeta Esportiva, o dirigente foi demitido por decisão do presidente Osmar Stabile.
O desligamento foi rápido e pegou Marcelo Paz de surpresa. Ele foi chamado às pressas para uma reunião com Stabile e, durante o encontro, foi comunicado de que não continuaria no cargo. O contrato do executivo de futebol com o clube era válido até o fim deste ano.
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Um dos fatores que pesaram para a demissão foi a cobrança das torcidas organizadas. Nos últimos dias, a Gaviões da Fiel chegou a pedir publicamente a saída do executivo em manifestações contra a diretoria alvinegra.
A opinião do elenco também teve influência. Embora Paz não tivesse grandes divergências com o grupo, o meia Rodrigo Garro, uma das principais lideranças do vestiário, não era entusiasta do trabalho do dirigente. Sua avaliação contribuiu para que outros jogadores também apoiassem a saída do profissional.
Diante desse cenário, Stabile decidiu demitir o executivo para atender aos pedidos das organizadas e à posição dos atletas. O movimento foi uma tentativa de aliviar a pressão sobre a diretoria em meio à luta do Corinthians contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Escolha por Seedorf também pesou
Outro ponto de desgaste foi a contratação de Clarence Seedorf. Internamente, a avaliação de que o holandês não deveria ter sido contratado era quase unânime entre os diretores do Corinthians.
As negociações com Seedorf foram conduzidas por Marcelo Paz, mas tiveram o apoio de Stabile, que bancou a chegada do treinador e assinou o contrato. Mesmo assim, dias depois, a resistência interna à contratação ganhou mais peso.
(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
Paz lamenta falta de respaldo
Do outro lado, a Gazeta Esportiva apurou que Paz ficou bastante chateado com a forma como ocorreu sua saída. O dirigente deixou o Corinthians decepcionado, principalmente por entender que recebeu pouco respaldo do presidente Osmar Stabile em decisões tomadas ao longo da temporada.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu durante o Campeonato Paulista deste ano, quando Paz negociou a transferência do volante André para o Milan, da Itália. Porém, diante da rejeição de parte da torcida, Stabile voltou atrás e vetou o negócio.
Outro exemplo foi a tentativa de contratação do atacante Renê, destaque da Portuguesa no Estadual. O executivo chegou a encaminhar a chegada do jogador, mas o presidente não deu sequência à operação por questões financeiras. O atleta acabou se transferindo ao Vitória, time pelo qual já marcou 17 gols em 37 partidas.
Contratado no fim do ano passado para substituir Fabinho Soldado no comando do departamento de futebol, Marcelo Paz se tornou alvo de críticas da torcida diante da crise esportiva enfrentada pelo Timão. A equipe acumula nove partidas consecutivas sem vencer e ocupa a 16ª colocação do Brasileirão, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento.
O Corinthians ainda não informou se pretende contratar um substituto para Marcelo Paz ou se o cargo permanecerá vago até o fim da gestão de Osmar Stabile, em dezembro deste ano. Outra possibilidade é que Julio César, atual gerente de futebol do clube, acumule as funções de executivo de futebol.