Kazim rouba a cena no Corinthians: “Era sonho. Agora, it’s real, man

Tomás Rosolino - São Paulo , SP
12/01/2017 14:02:08 — 12/01/2017 16:45:49

Em: Corinthians, Futebol

“O gringo é da favela”. Foi dessa forma que o atacante Kazim, de 30 anos, conversou com a torcida alvinegra, em vídeo publicado pelo Corinthians no começo do ano. Agora apresentado de forma oficial, o turco/inglês, contratado após jogar seis meses no Coritiba, comprovou o estilo irreverente em entrevista concedida nesta quinta-feira, no CT Joaquim Grava. Brincalhão e se esforçando para falar o português em meio a umas inserções de inglês, o londrino fez questão de exaltar os motivos que o fazem ter “a cara” do Timão.

“Eu tive sorte de ser um bom jogador de futebol. Não sou da favela, mas eu sei bem o que acontece lá. Para mim, é normal falar que o gringo é da favela. É para mim, não é para um show. Eu jogo futebol há 12 anos. Antes do futebol eu não tinha comida, chuteira. Eu trabalhei forte para vir aqui, eu conheço tudo. Eu quero jogar aqui. O gringo é da favela. É muito importante que vocês entendam. Meu melhor amigo foi para prisão, meus primos, também. Eu entendo a pessoa não ter dinheiro para comer e comprar um ingresso para o jogo. Eu sei como é. Eu conheço tudo isso aí”, comentou o jogador, derretendo-se pelo novo clube.

“Meu objetivo é ajudar o Corinthians porque Corinthians é o maior clube das Américas e do Brasil. Para mim é espetacular. É um sonho meu, do meu pai. Agora, it’s real, man (é real, cara, em inglês). Ele sempre sonhou porque adora o futebol brasileiro. Meu pai é de 1949, fã do Zico, Romário, Ronaldo Fenômeno. Eu sinto dificuldade para explicar porque é uma coisa nova. É diferente aqui. É um time super. Sem desrespeitar os outros times, aqui é uma coisa especial, não dá para explicar. Vim aqui para ajudar o Corinthians. Eu luto muito, tenho característica do clube, é o jogo do corintiano. Eu morro para o meu time”, continuou.

Acompanhado de seus dois filhos, Caio Antônio, de 5 anos, e Thalia Bell, de 3, Kazim lembrou que é casado com uma brasileira. “A minha mulher nasceu em São Paulo”, observou o jogador, logo corrigido por Mariana, que estava sentada logo em frente ao palanque de entrevistas para ajudá-lo a se expressar entre o português e o inglês. “Guarulhos”, cochichou ela. “Isso, Guarulhos, aqui do lado. Estava tudo desenhado para eu jogar no Corinthians”, afirmou Kazim.

Dono de apenas três gols em 21 jogos disputados pelo Coxa, o avante se justificou dizendo que não teve o melhor preparo, algo que não vai acontecer no Alvinegro. “Eu tive propostas da China, Turquia, Dubai, mas eu falei não. Porque ganhar um título com o Corinthians, aí o futebol acabou. É diferente. Me acostumei ao campeonato agora. Eu não tive pré-temporada no Coritiba, joguei meio ano direto. Eu me lesionei, meu ritmo acabou e retornei contra o Corinthians. Nem treinei, fui direto para o jogo”, relembrou, confiando em um 2017 de conquistas.

“2016 acabou. Agora é 2017. O ano passou, acabou. Agora é muito importante nosso grupo se juntar, treinar bem e saber que a gente pode tudo. Futebol muda toda semana”, prometeu o novo atacante, acalmando os pupilos que não paravam de se mexer ao seu lado. “Minha família é louca corintiana. Meu filho não sabe outro time. Um dia minha esposa foi a uma loja, perguntou qual camisa ele queria e ele direto pegou essa camisa. Dois dias usando ela”, concluiu, apontando para a peça laranja usada com um sorriso no rosto por Caio Antonio.

Caio, de 5 anos, também foi estrela na apresentação do seu pai no Timão, na manhã desta quinta-feira (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Caio, de 5 anos, também foi estrela na apresentação do seu pai no Timão, na manhã desta quinta-feira (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)




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