“Impedido” de ir a restaurante, Tite repudia protestos excessivos da torcida

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Tite até tentou conter as suas palavras para falar sobre a revolta de parte da torcida do Corinthians, que quase invadiu o vestiário de Itaquera após a derrota por 2 a 0 para o Palmeiras. “Não comento”, disse o técnico, nesta terça-feira, em meio à crise do clube e a um jantar frustrado com a esposa Rose.

“Mas quem me conhece sabe que, ao não comentar, eu repudio”, reconheceu Tite, minutos depois de se esquivar. “O torcedor está chateado e merece todo o meu respeito. Nós nos sentimos mal com isso. O que não pode acontecer é você ser Deus quando vence e culpado quando perde. É não poder ir a um restaurante comemorar um aniversário com a esposa, como foi comigo. Aquilo que vai além da manifestação do jogo precisa ser revisto de uma maneira geral”, desabafou.

No fim de semana, o técnico muitas vezes idolatrado pelos torcedores do Corinthians admitiu que se sentia incomodado com os insultos recebidos durante o clássico com o Palmeiras. “Não entra por um ouvido e sai pelo outro”, segundo ele. E havia pedido tempo para ficar ciente do que realmente ocorreu às portas do vestiário antes de se posicionar sobre a ira extravasada por centenas de uniformizados.

Em outro momento da crise, técnico se irritou porque os atletas foram chamados de

Em outro momento da crise, técnico se irritou porque os atletas foram chamados de "vagabundos" e "mercenários" - Credito: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O tempo passou, e o Corinthians contabilizou apenas mais uma manifestação no Parque São Jorge, na tarde de segunda-feira. Tite e os seus jogadores não foram importunados no CT Joaquim Grava até esta terça-feira, quando viajarão para Porto Alegre para enfrentar o Grêmio no dia seguinte. Por questão de logística – de acordo com o técnico –, e não por medo, a delegação permanecerá no Sul do País (seguirá para Santa Catarina) até o compromisso de sábado com o Joinville.

Seja como for, Tite não chegou ao ponto de repudiar toda a insatisfação da torcida, agora carente dos atacantes Paolo Guerrero e Emerson e sem vislumbrar dias melhores no Campeonato Brasileiro. “Não generalizo. Mas não aceito quando algumas coisas excedem e viram outra, de que discordo”, enfatizou o treinador, saudoso da época em que era idolatrado em São Paulo, no Sul do Brasil ou em qualquer restaurante. “O maior sentimento é de que proporcionei alegrias a muitas pessoas.”

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