Gobbi tenta unir oposição do Corinthians, mas há quem condicione apoio a cargos

Tiago Salazar - São Paulo,SP

09-04-2020 07:00:11

Mario Gobbi foi presidente do Corinthians entre 2012 e 2015 com o apoio de Andrés Sanchez. Hoje em dia, ele e o atual mandatário pouco se falam. Gobbi se afastou dos holofotes e agora pode voltar com força total, como candidato da oposição.

“Para a oposição derrotar a situação no clube, a grande chance é ter uma chapa única de oposição. Na eleição passada houve conversa nesse sentido, para unir as chapas, mas acabou não acontecendo”.

Mário Gobbi Filho foi presidente do Corinthians entre 2012 e 2015 (Foto: Sergio Barzagui/Gazeta Press)

Quem explica é Felipe Ezabella, líder do movimento “Corinthians Grande” e candidato na última eleição vencida por Andrés, em entrevista ao Podcastimão.

“As conversas são muito difíceis, já temos duas candidaturas lançadas, é difícil a composição e a conversa. Ninguém desistiu de lançar uma candidatura única, as conversas continuam pela internet. Se vai ser possível ter uma candidatura única, não sei dizer. Espero que sim. Pelo menos que não saiam vários candidatos”.

Ezabella admitiu que Mario Gobbi, de fato, está trabalhando para entender se a união das chapas é viável. O processo, no entanto, não é tão simples assim.

“Não adianta querer fazer uma união a fórceps. Brigou a vida inteira, não vai ser de uma hora para outra que vai virar amigo. Temos feito algumas ações conjuntas para tentar criar uma empatia entre as pessoas”.

No fim do ano, surgiu o interesse, a possibilidade do Mario Gobbi. Ele está há duas gestões em silêncio, não se manifesta publicamente, não dá entrevista. Na eleição passada, apoiou o Roque Citadini, não vestiu camisa, não pediu voto, apoiou veladamente. E ele se mostrou tocado com o pedido de várias pessoas pedindo para ele voltar, por ele conhecer, por ser um nome forte... Ele se mostrou em dúvida, mas favorável, e isso foi crescendo.

Felipe Ezabella foi candidato à presidência do Corinthians na última eleição (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Felipe Ezabella garantiu abriria mão de uma candidatura e até mesmo de cargos futuros mediante uma eventual vitória nas urnas, em novembro, caso Gobbi se comprometa com os planos do grupo. Mas, pelo jeito, nem todos pensam assim e isso pode ser um complicador.

“A tentativa de união que o Mario tem tido com esse pessoal é no sentido de ‘nós não podemos mais ter cargos políticos. Os cargos vão ter de ser eminentemente técnicos’. O Corinthians precisa de uma gestão técnica pelos próximos anos para poder voltar a crescer”.

A oposição está fora do clube há muitos anos, desde 2007, fora de qualquer proximidade de decisões com o poder. Não vejo muito por que não aceitar. Eu já vi que tem pessoas aceitando, algumas pessoas em dúvida e outras negando. Tem gente que falou que só aceita se puder ter determinado cargo, vice-presidente... Até isso o Mario já falou para a gente.

Doutor em Direito Desportivo, Felipe Ezabella entende que a situação, hoje, é composta pela chapa Renovação e Transparência com o apoio de Paulo Garcia.

“Se o Andrés apoiar o Paulo Garcia, uma boa base dele já não gosta. Por mais que hoje eles administrem juntos o clube, o Paulo é um candidato de situação, tem muita gente que não aceita, assim como o Duílio (Monteiro Alves, diretor de futebol), por outros motivos. Então, a gente vê esse cenário até indeciso, difícil adivinhar, até porque o Andrés é muito inteligente nesse aspecto, mas a gente vê um candidato muito enfraquecido da parte deles”.

No clube, Paulo Garcia é visto como fiel da balança, o que pode reforçar o desejo da oposição pela candidatura de Mario Gobbi.

“Vejo com bons olhos. Todo mundo vê como um candidato muito forte, seja contra um candidato do Andrés ou do Paulo Garcia, para bater de frente, ganhar a eleição e mudar o que precisa ser mudado”, concluiu Ezabella.


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