Diretor do Sub-23 do Corinthians explica contratações, revela valores e defende categoria

Tiago Salazar - São Paulo,SP

12-11-2020 08:00:55

A categoria Sub-23 é um assunto que rende divergências dentro do Corinthians e entre seus torcedores desde a montagem do elenco, no início de 2019.

Nesta quarta-feira, uma campanha no Twitter fez a hashtag “QueremosTransparência” aparecer no Treding Topics do Brasil durante a noite. Os maiores questionamentos se dão pelo número de contratações e pela falta de divulgação dos valores que elas envolvem.

Por isso, a Gazeta Esportiva entrou em contato com o diretor do departamento de formação de atletas do Corinthians, Jacinto Antonio Ribeiro, conhecido por Jaça. Ele coordena todas as diretrizes da categoria Sub-23.

“Eu tenho minha consciência muito tranquila, estou no clube desde 1966, tenho cinco mandatos como Conselheiro, sou vitalício desde 2013, tenho meus negócios particulares e não vou entrar nessa de política. Faço apenas meu trabalho”.

Ciente dos apontamentos em cima da categoria, Jaça falou sobre as intenções, o planejamento e não se furtou a comentar também a parte financeira.

“Até o início do ano passado, não tínhamos o Sub-23. O Roberto (de Andrade, ex-presidente) disse que a CBF obrigaria os clubes a ter, e o Andrés me deu essa missão. Faltavam dois meses para o campeonato começar e nós não tínhamos time nenhum, não tínhamos técnico... Tivemos que montar o time e fomos atrás de indicações e observações”.

“Até hoje, nós nunca contratamos. Contratação que eu entendo é ir lá e pagar pelo jogador. Todos vieram e o Corinthians nunca gastou 1 centavo. O Hugo Borges (atacante) é o que ganha mais, isso porque ele estava no profissional do Vasco já. Indicaram, veio, ficou três, quatro semanas sendo observado e ficamos com ele. O Vasco ficou com 40% e deu 60% dos direitos dele. Ele ganha R$ 20 mil, o mesmo salário que ele ganhava no Vasco. Mas, a média é de 3, 4 mil, tem um ou outro que ganha 7 ou 8 mil. Outra exceção é o rapaz que veio do Flamengo, o Gabriel Silva (atacante), também foi profissional lá e ganha R$ 12 mil”.


Jaça garantiu que mais de 90% dos atletas do elenco têm os direitos econômicos totalmente ligados ao Corinthians e reforçou o fato do custo mensal com a categoria ser irrisório para o clube.

“O gasto todo não chega a R$ 200 mil por mês”.

Ao ser perguntado sobre o número de contratações, o dirigente também minimizou o impacto propagado, principalmente, nas redes sociais.

“Hoje, nós temos 31 jogadores no Sub-23. Alguns ficam pouco tempo. Renovamos alguns contratos recentemente, mas isso também só aconteceu porque o campeonato vai até março , e não mais até dezembro. Por isso, alguns foram renovados até o fim do campeonato. Só isso”.

Atualmente, o Corinthians do técnico Edson Leivinha é líder do Grupo B no Campeonato Brasileiro de Aspirantes depois de ficar por meses sem ter competição para disputar.

“Isso incomoda. Era para participarmos do Brasileiro de Aspirantes e da Copa Paulista, mas das oito datas que nós tínhamos, quatro ou cinco eram no mesmo dia. Fomos na Federação (Paulista de Futebol) para mudar e não conseguimos. Falei para o Andrés falar com o Mauro Silva (diretor da FPF), mas ele avisou que não iam mudar. Então, como vai fazer? Ficamos só no Aspirantes, que vai até março”.

Por fim, o diretor defendeu a manutenção da categoria Sub-23 e usou as últimas revelações que despontaram na equipe principal como exemplo.

“O Raul Gustavo (zagueiro), que está lá no profissional, estourou a idade no ano passado e veio para o Sub-23. Em janeiro, fomos para o Japão, o Raul jogou, o pessoal assistiu e levaram ele para o profissional. O Roni levamos para o Japão também. O Xavier ano passado estourou a idade. Se ele não vem, como ele estaria no profissional hoje? Eu gostaria que aproveitassem ainda mais jogadores, mas não é fácil. Mas, é melhor do que como era no passado, quando perdíamos tantos jogadores por causa da idade e da falta de espaço no profissional, como aconteceu com Éverton Ribeiro, Willian Arão e tantos outros”.

* Nota da redação: o volante Xavier nasceu no ano de 2000, portanto, ainda poderia ficar no Sub-20 até o fim da atual temporada.

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