A janela de transferências do Brasil foi aberta na última segunda-feira, e o Corinthians entrou no mercado ainda com dois transfer bans ativo na Fifa e na CBF. A diretoria alvinegra corre contra o tempo para quitar a pendência, derrubar a punição e ficar livre para reforçar o elenco do técnico Dorival Júnior, que já apontou a necessidade de novos jogadores em diversas oportunidades ao longo da última temporada.
O transfer ban do Corinthians na Fifa diz respeito à chegada do zagueiro Félix Torres, contratado em janeiro de 2024 pela gestão Augusto Melo. Em agosto do ano passado, o Santos Laguna, do México, acionou a entidade e cobrou uma dívida de R$ 40 milhões pela aquisição do jogador. O clube alvinegro foi condenado pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte) e proibido de contratar jogadores.
A alta cúpula alvinegra tem encontrado dificuldades para quitar a dívida com o Santos Laguna. O clube mexicano faz jogo duro e quer o pagamento integral do montante, sem abrir mão de juros e outros encargos.
(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
Além disso, o Timão ainda vive um impasse para derrubar o transfer ban da CBF. A equipe do Parque São Jorge atrasou o pagamento da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) e sofreu a sanção em meados de outubro.
O Corinthians foi punido com o transfer ban nacional após uma notificação do Cuiabá. O Dourado, que é um dos maiores credores do plano de pagamento alvinegro, avisou que iria cobrar providências à CBF, órgão que controla a CNRD. Os paulistas devem, ao todo, cerca de R$ 18 milhões aos mato-grossenses pela compra de Raniele.
No mesmo dia em que sofreu a sanção, a diretoria de Osmar Stabile pagou a parcela atrasada, que girava em torno de R$ 7 milhões. O Corinthians, então, reuniu toda a documentação para comprovar o pagamento e esperava a retirada da punição imposta pela CBF, mas isso ainda não aconteceu.
Corinthians adota cautela com reforços
Com os dois transfer bans ativos, o Corinthians corre para derrubá-los e abrir caminho para contratar novos reforços. Para alcançar tal objetivo, o clube pretende usar parte da premiação milionária da Copa do Brasil. Além disso, a diretoria alvinegra ainda avalia um empréstimo na casa dos R$ 100 milhões. O Cori (Conselho de Orientação) já deu o aval para tal.
Diante da situação delicada e da dívida de R$ 2,7 bilhões, o Corinthians não pretende cometer loucuras no mercado caso venha a derrubar os transfer bans. O Timão adota cautela com o aspecto financeiro e traçou um perfil de reforços: jogadores livres no mercado. O clube deseja seguir os mesmos moldes das contratações de Angileri e Vitinho, arcando apenas com os custos de luvas e salários.
"Nós temos que pagar o transfer ban para contratar reforços pontuais. Não temos verba para contratar jogadores, mas temos que contratar atletas nos mesmos moldes do Vitinho [livre no mercado e com o clube arcando apenas com salários], que está sendo importante. [...] [Os reforços] virão dentro da nossa possibilidade. Não adianta, não vamos fazer loucuras. Temos que reestruturar o Corinthians. Não adianta eu trazer medalhões que não vão resolver o problema, só vão criar despesas para o futuro", afirmou o presidente Osmar Stabile em entrevista à Ulisses TV.
Semana de estreia no Paulistão! 💪🏽
O treino de hoje foi com foco na partida do próximo domingo (11), contra a Ponte Preta! ⚽
📸 Rodrigo Coca / Corinthians#VaiCorinthians pic.twitter.com/1JdJoqZJ1Q
— Corinthians (@Corinthians) January 5, 2026
Um nome que apareceu na mesa alvinegra foi o de Renzo Saravia. O lateral direito, livre no mercado após deixar o Atlético-MG, foi oferecido ao Timão, que ainda avalia a contratação. Ainda com o transfer ban ativo, o clube não avançou na contratação de nenhum atleta, mas Stabile prometeu que o Corinthians terá um time competitivo.
"Com a Libertadores e a conquista Copa do Brasil, evidentemente vamos montar um time bem competitivo. Não prometo grandes contratações, porque dentro da possibilidade do Corinthians, não é para fazermos dessa forma. Precisamos mudar essa filosofia, e está sendo mudada para que possamos ter um time competitivo. Tenho certeza que vamos competir, como competimos na Copa do Brasil. Tenho certeza que estaremos com um time muito forte dentro das nossas possibilidades, porque o Corinthians não tem condições de ficar gastando muito dinheiro", concluiu o presidente.
Um dos principais planos da gestão de Osmar Stabile, vale lembrar, é realizar uma redução de gastos severa para 2026. No orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo, o clube projetou fechar o próximo ano com um superávit de R$ 12 milhões. O resultado operacional esperado é um lucro de R$ 320 milhões.