*Por Tiago Salazar
O Corinthians chegou a um acordo com a Caixa Econômica Federal para suspender temporariamente o pagamento da terceira parcela de 2026 do refinanciamento da Neo Química Arena, segundo informações divulgadas inicialmente pelo portal Meu Timão e confirmadas pela Gazeta Esportiva. A medida foi adotada enquanto as partes negociam uma solução para a dívida do estádio, atualmente estimada em cerca de R$ 630 milhões.
A principal proposta apresentada pelo Corinthians prevê que a Caixa assuma a exploração dos naming rights da Neo Química Arena como parte de uma operação para encerrar o débito. Atualmente, os direitos de nome do estádio pertencem à Hypera Pharma, desde 2020.
A parcela suspensa era de aproximadamente R$ 27 milhões e venceu no último dia 25 de setembro. O clube já havia quitado as duas primeiras prestações do ano, mas recebeu aval para interromper o pagamento enquanto as conversas seguem em andamento.
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Além dos naming rights, as negociações envolvem outros produtos e ativos financeiros. Entre as possibilidades discutidas estão o lançamento de títulos de capitalização, a transferência das operações bancárias do clube para a Caixa, incluindo contas e folha salarial, além da criação de cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.
Outro ponto em debate é a devolução de R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no contrato de renegociação da dívida assinado em 2022. Como o Corinthians está em dia com os pagamentos, a diretoria deseja utilizar o valor para reforçar o fluxo de caixa do clube.
A suspensão da parcela é vista internamente como um indicativo positivo para o avanço das conversas, que têm como principal objetivo encontrar uma solução definitiva para a dívida da Arena, um dos maiores passivos financeiros do Corinthians.
Déficit crescendo
Segundo o balancete de julho, o Corinthians fechou os sete primeiros meses de 2026 com déficit de R$ 278,7 milhões, resultado 258% superior ao prejuízo de R$ 77,8 milhões previsto no orçamento para o período.
Apesar de registrar receita operacional bruta de R$ 472 milhões entre janeiro e julho, acima dos R$ 403 milhões projetados, o clube viu suas contas serem impactadas pelo aumento das despesas e pela ausência de receitas com negociações de atletas.
No último balancete divulgado pelo clube, referente ao mês de junho, o Corinthians havia registrado um déficit de R$ 246 milhões. Isto significa que, em um mês, o valor teve um crescimento de R$ 32,6 milhões.