Por André Costa e Tiago Salazar
O Corinthians não considera a punição de Ramón Díaz no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) um empecilho para seu retorno. O principal entrave nas conversas com o argentino, favorito para substituir Fernando Diniz, é a duração do contrato. O clube deseja um vínculo apenas até o fim desta temporada, mas ainda não chegou a um consenso com o treinador.
A preferência por um acordo curto está ligada ao calendário político do Corinthians. O mandato do presidente Osmar Stabile termina no fim deste ano, quando estão previstas as eleições, e o dirigente não pretende firmar um compromisso que ultrapasse o período de sua gestão.
Essa condição tem dificultado a busca por um novo comandante. Desde a demissão de Diniz, o Corinthians consultou outros profissionais, entre eles Luis Zubeldía, mas tem encontrado resistência à proposta de assumir a equipe somente até dezembro, em meio à luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Diante da dificuldade para avançar nas negociações com um novo treinador, o Corinthians já trabalha com a possibilidade de ter um técnico interino à beira do campo no clássico contra o Palmeiras, no próximo domingo. A diretoria pretendia contratar o substituto de Fernando Diniz antes do Derby, mas a demora nas tratativas deve frustrar os planos do clube.
Punição não impede negociação
Internamente, a diretoria alvinegra entende que há alternativas para lidar com a suspensão de Ramón. Caso o argentino seja contratado e precise cumprir a pena, seu filho e auxiliar, Emiliano Díaz, poderia comandar a equipe à beira do campo durante sua ausência.
Além disso, o departamento jurídico do Corinthians sinalizou que existe a possibilidade de reverter a punição.
Ramón recebeu seis jogos de suspensão e multa de R$ 50 mil por uma declaração machista durante sua passagem pelo Internacional. A condenação ocorreu em 30 de janeiro, pela Terceira Comissão Disciplinar do STJD, após uma entrevista concedida em novembro de 2025, depois de um jogo contra o Bahia.
O treinador foi enquadrado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de atos discriminatórios. Durante o julgamento, reconheceu o erro e pediu desculpas. A decisão foi tomada em primeira instância, com possibilidade de recurso ao Pleno do tribunal.
Ramón segue como favorito
Apesar da falta de acordo sobre o prazo do vínculo, Ramón permanece como a principal opção do Corinthians. O conhecimento do clube e de boa parte do elenco, além da experiência em momentos de pressão, pesa a seu favor.
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Outro nome bem avaliado é o de Sylvinho, que comandou o Timão entre 2021 e 2022. O treinador realizou recentemente um bom trabalho à frente da seleção da Albânia, mas sua contratação exigiria uma negociação mais complexa. Além disso, sua passagem anterior pelo Corinthians terminou de maneira conturbada, sob fortes protestos e vaias da torcida.
Já Juan Pablo Vojvoda, nome de confiança do executivo de futebol Marcelo Paz no Fortaleza, a princípio, está descartado.