O Corinthians divulgou nesta quinta-feira o balancete referente ao mês de abril de 2026 e apresentou um déficit acumulado de R$ 168,048 milhões nos quatro primeiros meses do ano. O resultado é cerca de 130% superior aos R$ 72,9 milhões previstos no orçamento para o período.
Segundo a diretoria, o desempenho negativo das contas está diretamente relacionado à ausência de negociações de atletas na primeira janela de transferências. O orçamento previa arrecadação líquida de R$ 75 milhões com vendas até abril, mas o clube optou por postergar as operações em razão da disputa da Libertadores e da estratégia de valorização dos jogadores.
Em seus comentários no balancete, a administração reiterou a expectativa de realizar aproximadamente 25 milhões de euros líquidos (R$ 148,4 milhões) em vendas na janela do meio do ano, considerada fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas para a temporada.
"A expectativa da Administração é realizar, na janela do meio da temporada, cerca de 25 milhões de euros líquidos em negociações de direitos federativos, montante necessário para o cumprimento da meta orçamentária estabelecida para o exercício", escreveu o Corinthians em relatório.
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— Corinthians (@Corinthians) June 18, 2026
O documento também aponta que despesas extraordinárias contribuíram para o aumento do déficit. Entre elas estão o pagamento da premiação referente ao título da Copa do Brasil de 2025 ao elenco profissional, no valor de R$ 32,5 milhões, além de R$ 6,1 milhões em tributos incidentes sobre a remessa internacional realizada para quitar a obrigação com o Santos Laguna pela contratação do zagueiro Félix Torres.
De acordo com a diretoria, caso esses fatores não tivessem impactado o resultado e as vendas previstas de atletas tivessem sido concretizadas, o déficit acumulado seria de R$ 54,4 milhões, abaixo dos R$ 72,9 milhões estimados inicialmente no orçamento.
Apesar do resultado negativo, o Corinthians arrecadou R$ 273,159 milhões em receitas operacionais brutas entre janeiro e abril, montante superior aos R$ 243,1 milhões previstos. Os patrocínios representaram a principal fonte de receita do período, com R$ 91,2 milhões, seguidos pelos direitos de transmissão, responsáveis por R$ 81,692 milhões, e pela arrecadação com jogos, que somou R$ 37,1 milhões.
Por outro lado, os custos e despesas operacionais alcançaram R$ 272,2 milhões no quadrimestre. A maior parte do valor foi destinada ao pagamento de pessoal, incluindo salários e encargos trabalhistas, que totalizaram R$ 198 milhões. O clube ainda desembolsou R$ 43,364 milhões com despesas gerais e administrativas e R$ 18 milhões com serviços de terceiros.
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As despesas financeiras também seguiram pressionando as contas do clube. Entre janeiro e abril, o Corinthians registrou gastos de R$ 77,6 milhões nessa rubrica, encerrando o período com déficit de R$ 168,048 milhões.
O balancete mostra ainda uma redução no caixa do clube. Em 30 de abril de 2026, o Corinthians possuía R$ 14,5 milhões em caixa e equivalentes de caixa, contra R$ 26 milhões registrados no encerramento de 2025. O patrimônio líquido permaneceu negativo em R$ 942,8 milhões, configurando passivo a descoberto.
A diretoria informou que realizará uma revisão orçamentária no meio do exercício, conforme previsto no estatuto do clube, para atualizar as projeções financeiras para o restante da temporada.