Por André Costa e Tiago Salazar
O Corinthians foi condenado a pagar quase R$ 60 mil a Luiz Fernando Monteiro de Moraes, ex-funcionário do Departamento de Tecnologia da Informação do clube. O nome do analista foi citado na auditoria interna que apontou um suposto desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike.
A sentença foi proferida pela juíza Angela Favaro Ribas, da 78ª Vara do Trabalho de São Paulo. Na condenação, à qual a Gazeta Esportiva teve acesso, a magistrada entendeu que Luiz foi alvo de retaliação e determinou que o Corinthians pague R$ 59.110,00 ao profissional por danos morais, horas extras não registradas e devolução de descontos rescisórios. A decisão ainda cabe recurso.
Por outro lado, a juíza também rejeitou parte dos pedidos apresentados por Luiz e aplicou uma multa por "litigância de má-fé" ao ex-funcionário.
Entenda o caso
Em novembro de 2025, uma auditoria interna realizada pelo Corinthians identificou possíveis irregularidades na distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike. A sindicância, solicitada pelo presidente Osmar Stabile, foi liderada por Marcelo Munhoes, ex-diretor do Departamento de Tecnologia da Informação.
Um dos principais alvos da auditoria foi Armando Mendonça, vice-presidente do clube. O relatório apontava que o dirigente, responsável pela gestão dos materiais desde maio de 2025, teria retirado 131 itens adicionais que não estariam incluídos na cota prevista.
No entanto, dias após a divulgação do relatório, Armando se manifestou e apontou supostas falhas na auditoria. Ele afirmou ter tido acesso ao documento, que citava três profissionais como responsáveis pelo trabalho: Marcelo Munhoes, Reginaldo Nascimento e Luiz Fernando Monteiro de Moraes.
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Luiz Moraes, porém, enviou um e-mail ao vice-presidente do Timão afirmando que não havia participado da elaboração do relatório e que sequer tinha conhecimento de seu conteúdo. Ao descobrir que seu nome havia sido incluído no documento, o profissional decidiu notificar extrajudicialmente Marcelo Munhoes e o Corinthians, alegando que não havia participado do trabalho nem autorizado que seu nome fosse associado à auditoria.
Após a contestação, uma nova versão do documento teria sido elaborada, com a retirada do nome de Luiz da lista de auditores. Diante do ocorrido, o analista decidiu acionar o clube na Justiça. Na ação trabalhista, o Corinthians foi condenado a pagar quase R$ 60 mil ao ex-colaborador.
O que diz Luiz Moraes?
A Gazeta Esportiva procurou Luiz Fernando Moraes, que enviou uma resposta à reportagem. Ele alegou ter sido "demitido injustamente por não compactuar com um trabalho político" e por "agir de forma profissional".
"Acredito na Justiça e sei que o dano moral que sofri será reparado conforme decisão judicial. Sempre exerci meu trabalho com profissionalismo, sem participação política e visando o melhor para o clube. Não compactuei com um trabalho político, sem base técnica, e, por agir de forma profissional, fui injustamente dispensado pelo diretor da área", declarou o ex-funcionário do clube.
A versão de Munhoes
A reportagem também entrou em contato com Marcelo Munhoes, ex-diretor do Departamento de Tecnologia da Informação, desligado do quadro de funcionários do Corinthians neste mês. Ele afirmou que Luiz Moraes integrou inicialmente a equipe responsável pela auditoria, mas não formalizou suas discordâncias perante a gestão, optando por procurar diretamente o vice-presidente Armando Mendonça.
Sobre a demissão, Munhoes alegou que o desligamento de Luiz foi motivado por questões de "ingerência e indisciplina". Segundo ele, o profissional também teria admitido que não assinou o relatório por receio de sofrer medidas judiciais por parte de Armando Mendonça. Por fim, o ex-diretor contestou a versão de que a demissão teria sido uma retaliação política. Confira abaixo a resposta completa:
"O Sr. Luiz integrou inicialmente a equipe responsável pela auditoria de materiais esportivos da Nike. Entretanto, não formalizou suas discordâncias perante a gestão do Departamento de Tecnologia, encaminhando sua manifestação por e-mail diretamente ao vice-presidente Armando Mendonça, sem a inclusão de seus gestores no e-mail em questão, classificando o trabalho como 'político'.
Segundo relatos de testemunhas, o próprio Sr. Luiz Moraes teria mencionado que já mantinha conversas com o vice-presidente sobre o assunto antes dessa manifestação.
Quanto ao desligamento, conforme os depoimentos prestados na ação trabalhista, as justificativas apresentadas pela gestão envolveram questões de ingerência e indisciplina, corroboradas por testemunhas da defesa.
Na ocasião da demissão, diante de seu superior direto e de um representante do RH, o Sr. Luiz afirmou não ter problemas pessoais com a gestão do departamento. Relatou ainda que sua decisão de não assinar o relatório decorria do receio de sofrer medidas judiciais por parte do vice-presidente, semelhantes às posteriormente adotadas contra outros integrantes da equipe de auditoria, que receberam notificações extrajudiciais.
É fundamental, portanto, distinguir as alegações do ex-colaborador dos motivos apresentados pela gestão para seu desligamento, bem como das declarações públicas atribuídas ao próprio vice-presidente, que teria caracterizado a demissão como retaliação e ato 'político'."
O Corinthians também foi procurado pela Gazeta Esportiva, mas optou por não comentar o caso.
"O Sport Club Corinthians Paulista não se manifestará sobre o assunto, uma vez que se trata de um processo em andamento na Justiça", informou o clube.