Corinthian-Casuals atrai populares em bate-bola na Praça da Sé

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Reduto de artistas de rua, vendedores ambulantes e religiosos fervorosos em São Paulo, a Praça da Sé ganhou uma nova atração na tarde desta quarta-feira. Os jogadores do Corinthian-Casuals, que disputarão um amistoso festivo com o Corinthians no sábado, foram ao local e bateram bola por aproximadamente 15 minutos com um agrupamento de populares.

O time chegou à Praça da Sé com mais de duas horas de atraso, já que demorou além do previsto em um evento matinal com crianças de uma escolinha de futebol do Corinthians, em Itaquera. Quando o ônibus da delegação britânica enfim apareceu na região central de São Paulo, no entanto, ninguém pareceu dar muita atenção. Com exceção de alguns motoristas, que reagiram com buzinas à manobra do veículo para estacionar em frente à Catedral Metropolitana.

Sem se importar com o barulho, o goleiro Danny Bracken foi o primeiro a desembarcar. Após três dias no Brasil, ele já estava com a pele branca da face bastante queimada – tratou de proteger os olhos com óculos escuros –, mas continuava a agir como turista. Fez um longo reconhecimento visual da Praça da Sé antes que os seus companheiros iniciassem um bate-bola.

Jogadores ingleses fizeram a alegria de corintianos, maloqueiros e sofredores na Praça da Sé

Jogadores ingleses fizeram a alegria de corintianos, maloqueiros e sofredores na Praça da Sé - Credito: Helder Júnior/Gazeta Press

Apontado como a maior promessa do Corinthian-Casuals, o pequeno Mahrez Bettache deixou o ônibus em seguida, vestido com o uniforme marrom e rosa do time amador da Inglaterra. Ele caminhou calmamente entre outros transeuntes, com uma bola debaixo do braço direito, na direção do monumento que determina o marco zero do São Paulo.

Lá chegando, Mahrez começou a fazer embaixadinhas. “Eita, p...!”, gritou o primeiro curioso que viu a cena. O jogador inglês revelado pelo Fulham, de 20 anos, encarou a exclamação com um elogio e passou a fazer lances de mais habilidade. Seus companheiros logo se juntaram à brincadeira – alguns também vestidos de marrom e rosa; outros com a camisa branca do Casuals; e um deles até com um calção azul do Corinthians Paulista.

Promessa do Corinthian-Casuals, Mahrez Bettache começou o bate-bola com uma série de embaixadinhas

Promessa do Corinthian-Casuals, Mahrez Bettache começou o bate-bola com uma série de embaixadinhas - Credito: Helder Júnior/Gazeta Press

“Quem esses caras pensam que são para ficar jogando bola aqui? Isso nem deve ser time profissional”, provocou um garoto, contestado por seus amigos. A maioria deles queria saber de que país eram os jogadores. “São da Alemanha. Não está vendo?”, comentou um senhor, triunfante. Os integrantes do Corinthian-Casuals que conseguiam se comunicar em português tentavam informar a origem daquele clube inglês que inspirou a fundação do Corinthians, em 1910, para quem estivesse interessado. “Mas rosa está mais para outro time daqui...”, sorriu um homem.

Com a desconfiança inicial dos populares superada, os atletas do Corinthian-Casuals se animaram e tocaram a bola com mais rapidez. Uma parte formou uma roda para trocar passes de cabeça, enquanto Mahrez tentava se destacar com as suas pedaladas. O artilheiro Jamie Byatt, desta vez mais tímido, filmava tudo com o seu tablet.

Naquele momento, as pessoas que estavam na Praça da Sé foram convidadas a participar da pelada. Até um pregador religioso, de Bíblia em mãos, perdeu alguns fiéis para a brincadeira. Ainda mais porque quem se atrevesse a dar um toque na bola ganhava aplausos empolgados dos jogadores. O meia Ross Defoe foi além e ainda arriscou um grito: “Vai, Corinthian!”. A partir de então, ele acabou envolvido em algumas conversas que misturavam inglês e português – e ninguém se entendia.

Algumas pessoas até pararam de rezar para ver o time amador em ação na região central de São Paulo

Algumas pessoas até pararam de rezar para ver o time amador em ação na região central de São Paulo - Credito: Helder Júnior/Gazeta Press

Passados os 15 minutos, o Corinthian-Casuals encerrou o bate-bola com uma sessão de fotos com quem estava por perto. O primeiro dos curiosos da praça foi até premiado com uma bola, o que lhe deixou com um sorriso permanente no rosto. “Isso é produto de qualidade, hein, mano? É importado”, valorizou um amigo. O garoto mais crítico também já tinha se convencido: “Eles farão um jogão com o Corinthians, cara. Sabem jogar. Acho que vou assistir”.

Ainda havia quem não tivesse gostado da exibição dos ingleses, agora já de volta ao ônibus. “O que é isso? Eles fizeram a alegria dos maloqueiros daqui!”, protestou um sujeito, apressando o passo, irritado. Mas não eram apenas os maloqueiros da Praça da Sé que estavam felizes com o rápido encontro com o Corinthian-Casuals. Os corintianos e sofredores também.

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