Cássio se despediu do Corinthians no último sábado, por meio de uma entrevista coletiva no CT Dr. Joaquim Grava. Além de falar pela última vez como jogador do clube o qual defendeu por mais de 12 anos, o goleiro recebeu diversas homenagens da diretoria e de torcedores, dentre elas, um espaço na calçada da fama do Parque São Jorge.
Ao término do evento, o atleta tirou o molde de suas mãos, que ficarão expostas no Memorial do Corinthians. A peça será colocada na calçada, ao lado da marca dos pés de outros ídolos e personalidades do clube.
A marca das mãos de Cássio que será eternizada no Parque São Jorge (Foto: André da Silva Costa/Gazeta Press)
O tributo, porém, acontece com dez anos de atraso. Em 2014, o Timão chegou a anunciar em seu site que o arqueiro iria entrar para a calçada, mas mudou os planos e acabou não prosseguindo com a ideia.
Naquele ano, o clube informou que Cássio e Paolo Guerrero, heróis do título mundial de 2012, receberiam a homenagem. A ideia de conceder a honraria a dois jogadores em atividade pela equipe, porém, teria sido rejeitada por dirigentes e conselheiros do Corinthians.
Na época, alguns torcedores também não gostaram da iniciativa e chegaram a reclamar na parte reservada a comentários no site do Timão: "Isso é um absurdo! Calçada da fama, apenas para jogadores que já pararam. Nunca sabemos o dia de amanhã. Vai que o Guerrero encerra a carreira nos Porcos. Essa diretoria está fazendo m...", postou um dos leitores.
Os dois até compareceram a um evento no auditório do Parque São Jorge e receberam placas comemorativas do clube, mas não foram incluídos na calçada da fama, como planejado inicialmente.
O Corinthians chegou a confeccionar as peças, flagradas pela reportagem da Gazeta Esportiva atrás da cortina do palco do auditório. No entanto, a honraria, prevista para aquela noite, acabou sendo adiada por "questões logísticas", de acordo com o Timão.
Placas em homenagem a Cássio e Guerrero que seriam incluídas na calçada da fama, mas foram vetadas pela diretoria do Corinthians (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
A nota que havia sido publicada no site oficial do Corinthians, inclusive, foi atualizada. "Em outra data ainda não definida a dupla entrará para a calçada da fama do Timão", informava o texto. A honraria, porém, nunca aconteceu.
Guerrero, aliás, acabou deixando o clube de maneira conturbada logo no ano seguinte. Ele pediu para deixar o clube e acabou assinando com o Flamengo, o que gerou revolta entre os corintianos. A irritação se deu pois, meses antes, ele havia dito que "no Brasil, só jogaria no Corinthians".
O goleiro Cássio, por sua vez, permaneceu durante anos no Timão e conquistou ainda mais títulos. Na última semana, entretanto, ele antecipou a rescisão de seu contrato com o clube e encaminhou acerto com o Cruzeiro. Em entrevista, o jogador disse acreditar no fim de seu ciclo.
Embora tenha causado desconforto nos torcedores pela saída repentina, o arqueiro recebeu mais de uma homenagem em sua despedida. Além de entrar para a calçada da fama, ele ganhou placas das duas principais organizadas do Corinthians, a Gaviões da Fiel e a Camisa 12, como uma forma de agradecimento pelos serviços prestados. O presidente do clube, Augusto Melo, também anunciou que ele ganhará um busto no Parque São Jorge.
Cássio é esperado em Belo Horizonte nesta semana para assinar por três anos com o Cruzeiro. Ele, porém, só poderá defender o time mineiro em julho, quando reabrir a janela de transferências.
O camisa 12 encerra sua passagem pelo clube do Parque São Jorge com 712 jogos disputados e nove títulos: Mundial e Libertadores (2012), Paulistão (2013, 2017, 2018 e 2019), a Recopa Sul-Americana (2013) e Campeonato Brasileiro (2015 e 2017).
Além disso, ele é o segundo jogador que mais vestiu as cores preta e branca do Corinthians nos gramados, só atrás de Wladimir (806). Foram 316 vitórias, 217 empates e 179 derrotas debaixo das traves alvinegras.