Caso Nike: Polícia Civil conclui inquérito e descarta crime no Corinthians

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(Foto: Divulgação/Corinthians)

Por Thais Bueno e Murilo Gomes

A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito que investigava supostos desvios de materiais esportivos da Nike nos almoxarifados do Corinthians e descartou a existência de crime no caso. O relatório final, assinado pelo delegado Cesar Antonio Borges Saad, afirma que não foram encontrados elementos suficientes para comprovar furto qualificado ou a atuação de uma organização criminosa dentro do clube.

A investigação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade) e ouviu dirigentes, funcionários, ex-integrantes do clube, representantes da Nike e pessoas que comercializavam produtos ligados ao Corinthians em plataformas digitais.

Apesar de afastar indícios criminais, a Polícia Civil apontou uma série de falhas administrativas e fragilidades nos mecanismos de controle interno do clube, especialmente no gerenciamento de estoque e rastreamento dos materiais esportivos. A informação foi inicialmente divulgada pelo Estadão e confirmada pela Gazeta Esportiva, que teve acesso ao documento.

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“Não foram produzidos, até o presente momento, elementos probatórios suficientes aptos a individualizar autoria delitiva específica relacionada à prática do crime de furto qualificado pelo abuso de confiança”, concluiu o delegado no relatório.

Segundo a apuração, o almoxarifado do CT do Corinthians chegou a operar sem um sistema adequado de controle entre 2024 e 2025. A auditoria interna realizada pelo clube encontrou nove não conformidades, sete riscos operacionais e recomendou mudanças nos procedimentos internos.


Durante os depoimentos, o vice-presidente Armando Mendonça admitiu problemas históricos no controle de estoque e afirmou que sugeriu a implementação de auditorias independentes, assinaturas digitais e novos mecanismos de fiscalização. Já Rafael Salomão, ex-gerente administrativo do clube, relatou que o CT não possuía controle eficiente de entrada e saída de materiais após mudanças estruturais ocorridas em 2024.

A investigação também analisou anúncios de uniformes e materiais do Corinthians vendidos em plataformas digitais. Pessoas ouvidas pela polícia afirmaram que os itens comercializados pertenciam a coleções pessoais ou haviam sido adquiridos legalmente.

A Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil, informou à Polícia Civil que a responsabilidade pela guarda e distribuição dos materiais esportivos passava a ser exclusiva do Corinthians após a entrega dos produtos ao clube. Segundo a empresa, não foram identificados indícios concretos de desvio.


Politicamente, a conclusão do inquérito representa uma vitória para Armando Mendonça, citado anteriormente em uma auditoria interna produzida pelo departamento de tecnologia do clube. Após a divulgação do relatório, o dirigente afirmou que foi alvo de perseguição interna.

“A conclusão da Polícia Civil coloca ponto final em toda esta armadilha política que foi criada internamente. Um trabalho que foi feito de forma irresponsável e que não visava melhorar os procedimentos do Corinthians. Tinha como única intenção prejudicar a minha imagem. Irei até as últimas consequências para reparar o dano que me foi causado”, declarou por meio de sua assessoria de imprensa.

O relatório final foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que agora decidirá se arquiva o caso ou se solicitará novas diligências.

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