Campeão na base, Felipe revela bastidores e objetivos com a camisa do Corinthians

Tiago Salazar - São Paulo,SP

22-12-2021 07:00:26

Na última segunda-feira, Felipe foi titular no Allianz Parque, comemorou o título do Campeonato Paulista Sub-17 pelo Corinthians em cima do Palmeiras e fechou com chave de ouro uma temporada marcante para ele no âmbito individual.

Em 2021, o centroavante de apenas 17 anos, mas que chama atenção pelos 1,80 metros, disputou jogos pelas categorias Sub-17, Sub-20, Sub-23 e até pelo profissional.

"Um ano maravilhoso para mim, para currículo, experiência, tendo muito tempo lá com caras que são ídolos para mim: Cássio, Gil, Jô, Fagner... E desço para a base, para jogos com o Sub-20 e Sub-23, com caras que são importantes para mim, porque eu, como atleta, como menino ainda, não posso escolher onde quero jogar. Eu tenho de ir lá e jogar. Tenho de mostrar o que tenho para mostrar", comentou o jogador nesta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.

No Paulistão Sub-17, Felipe marcou sete gols em 11 partidas. Ele tem contrato até outubro de 2023, não tem pressa, mas sonha em ser goleador da equipe principal do Timão em breve. Para chegar lá, pelo menos não precisará passar por novo "trote", algo bastante importante para tímido paulista de São Bernardo do Campo.


Leia a entrevista completa de Felipe à Gazeta Esportiva:

Como que foi ganhar esse título paulista pelo Sub-17, tão importante e tão festejado pelos torcedores?

"Um título muito importante para todos nós do grupo, um grupo que se dedica muito e, para cada um, o título foi muito importante, porque após o primeiro jogo, muitos desacreditaram da gente. Perder em casa, clássico, campo ruim, jogo complicado... Mas, o grupo, comissão técnica, nós sempre acreditamos. E, claro, a Fiel é muito importante. Mesmo não estando lá, nas redes sociais eles sempre estiverem presentes e foi fundamental para nós".

Como foi a preparação após perder a primeira final, como a comissão técnica trabalhou com vocês?

"A comissão foi muito pontual. Eles foram fundamentais para a gente. Nos treinos, passaram tudo que a gente tinha de fazer. Passaram tudo deles. E, no pré-jogo, já no hotel, a gente teve um vídeo. E, depois, todos (da comissão) saíram da sala e falaram: 'vocês fiquem aí e só saiam quando vocês tiverem certeza que vocês vão ser campeões'. Tivemos um papo entre nós, atletas, e aquilo fortaleceu muito o grupo. Todos saíram da sala crendo que tudo poderia ser possível em campo. Todos saíram dali, olhando um para a cara do outro, confiando, tendo fé que dava, mesmo sendo no Allianz Parque, um time forte deles, mas aquilo fortaleceu muito o grupo. Estávamos confiantes de que dava, sim".

Muita gente lembrou do Paulistão de 2018, porque foi o mesmo roteiro. Onde você estava naquele dia?

"Em 2018, eu estava em casa, assistindo com meu pai e com a minha mãe, uma criança louca, corintiana, pulando em casa. Mas, sempre tem essas comparações, coincidências. Mas, antes do jogo, nós nem vimos muito isso, nem pensamos. A gente só estava muito focado no nosso jogo, em ir lá e matar o jogo".

Quando você foi chamado para treinar com os profissionais, todo mundo comentou sobre o seu tamanho...

"Eu sempre fui mais alto que os outros da minha idade, mas essa força eu fui ganhando há pouco tempo, fui ganhando mais postura também"

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E de que maneira te ajudou aquele período no elenco principal, que tipo de dicas você recebeu?

"É totalmente diferente. Estar lá me agregou muito, foi muito importante, porque depois de estar lá eu virei outro atleta, outro homem, outro jogador. Lá, quando fui, a comissão era sensacional. Sempre fizeram trabalho comigo pós-treino. Fora isso, o próprio Jô sempre vinha e mim e falava algo, me dava dicas sobre posicionamento. Foi muito bom para mim, virei outro atleta".

O ano está virando. Quais são seus objetivos a curto prazo?

"Após esse grande título, eu tenho uma expectativa de ir para a Copa São Paulo que vai ter agora. Ainda não saiu a lista, mas espero ir e fazer um grande campeonato e, se Deus quiser, logo a logo, voltar ao profissional".

Como jogador, além do Jô, em quem você se espelha?

"Tem o Jô, que eu sempre vi quando era criança. Fora ele, tem o Adriano Imperador, pelo estilo de jogo, por ser canhoto, alto e forte. Eu via vídeo dele, tudo, porque sempre falam pelo meu porte físico, meu jeito de jogar. Outro também que não tem como não falar é o Ronaldo Fenômeno, ídolo, craque. E dos tempos atuais são Haaland e Cristiano Ronaldo, que é meu ídolo maior. Agora que ele virou mais atacante, é um exemplo de atleta a se seguir".

Eu sei que você é um cara muito ligado à família. Como eles receberam esse seu ano tão promissor?

"Meus pais estão sempre juntos comigo, eles sempre me cobram de tudo, porque querendo ou não, sou garoto ainda, não tem o que dizer, o que impor. Eles sempre estão juntos comigo, tudo que eu faço eu sempre abro com eles, e com meu irmão, que é meu parceiro. Tudo que tenho de problema eu falo com ele, é um cara que está sempre falando comigo e que sempre pega mais no meu pé quando tem jogo que não vou bem, quando faço algo que ele não acha legal, quando eu não vejo que estou errado, quando tiro o pé do chão, eles sempre me cobram para ser o cara mais humilde possível, sempre estar com o pé no chão".

Conta um pouco da sua trajetória no futebol...

"Comecei com seis anos no Clube Mesc, em São Bernardo, até que com sete anos eles me chamaram para jogar salão no Sub-9. Fiquei lá jogando, não sabia nada dessa vida, mas sempre ia, treinava, até que com 11 anos eu fui para o FutTalentos, que é um time aqui da Zona Leste, aí fiquei nesses times assim que não jogam Série A, até que fui para o São Caetano com 11 anos. Com 12 anos, surgiu de eu fazer a minha peneira no Corinthians. Foi aí que eu passei, dei tudo que eu pude, e estou aqui até hoje".


E a longo prazo, o que você espera para sua carreira?

"Espero fazer muitos gols pelo Corinthians, meu foco está aqui no Corinthians. Sempre sonhei em estar no profissional do Corinthians. Não tem como ver algo fora disso. Me vejo fazendo gol para a torcida, fazendo gol na Arena, fazendo gols importantes, gols de títulos, fazendo história no Corinthians. Esse é meu plano e não vejo algo fora disso".

Estou vendo que você é um cara bem tímido. Fico imaginando como foi passar pelo "trote" no profissional?

"Nossa... (risos) Foi complicado. Primeiro jogo que eu fui foi contra a Ponte Preta. E foi do nada. Sete atletas pegaram covid e ai eu estava todo bobo na janta, foi quando eles começaram: 'olha o trote, olha o trote'. Na hora eu pensei: 'Meu Deus' (risos). Fiquei muito tenso, fiquei assustado. Eu estava de boa, comendo. Aí tive de subir na mesa e, do nada, está o Jô me fazendo pergunta, o Cássio falando de música, o Gil falando para eu fazer tal coisa. Foi algo que foi bom pra mim, mas espero não passar de novo. Espero que não quando subir de novo (risos)".

E como você lidou com essa alternância toda, ir ao profissional, voltar à base...? Imagino que outros garotos, aqueles que nunca foram ao profissional, devem ter te procurado para perguntar...

"Sim, eles chegam. Todo treino eles vêm e perguntam: 'como é lá? Como o Cássio faz tal coisa? Como o Gil joga?'. Mas, para mim, foi muito tranquilo, porque meus pais estão sempre comigo e eles sempre falam: 'tudo na hora certa e no momento certo'. Então, eu tenho muita fé que tudo vai sair na hora certa. Se não hoje, se não amanhã, eu sei que tudo vai dar certo, no momento certo. Claro que tem cara que lida com isso de boa e tem cara que lida com isso de maneira pior, que fica meio tenso, mas no clube não teve nenhum cara que ficou mal. Eles sabem fazer muito bem essa transição. Você sobe, desce, sobe para fazer treino, não teve nenhum problema com isso".

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