Análise: Vítor Pereira escala mal e é o pior em derrota do Corinthians para o Cuiabá

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(Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Por Marina Bufon

É preciso tempo para um técnico de futebol conseguir trabalhar seu elenco, entender as individualidades de cada jogador, o país novo (ou cidade) para onde se mudou... Para se fazer uma análise de um trabalho, é preciso também ter tempo, já que há uma série de elementos para se levar em conta e que fazem a equação ser mais difícil do que apenas aquilo que se vê dentro de campo.

Deixo aqui claro: sou defensora do trabalho de Vítor Pereira, de suas ideias, sua ambição, seu projeto a longo prazo. Porém, na noite da última terça-feira, o português foi o principal culpado pela derrota do Corinthians por 1 a 0 para o Cuiabá. Foi uma das piores atuações da equipe, contra um adversário frágil, que ainda não havia vencido em casa no Brasileirão e estava na zona de rebaixamento.

Para piorar, o Corinthians colocou em risco a liderança da competição, já que Palmeiras e Atlético-MG, que somam apenas dois pontos a menos (18 contra 16 dos rivais), ainda jogam na rodada. Para alguns, a primeira colocação é/era uma ilusão e será/seria bom perdê-la logo, mas discordo: os pontos conquistados mesmo jogando mal fazem parte da conquista de um campeonato.

A noite errada começou com uma escalação incoerente. Apesar de ter inúmeros desfalques - Fagner, João Victor, Maycon, Jô, Willian e Luan -, havia opções no banco para não começar com três zagueiros, algo que o técnico tentou recentemente e não deu certo. Ele, aliás, disse que retornaria ao esquema do 4-3-3 justamente por isso.

O Corinthians fez um péssimo primeiro tempo. A única jogada de perigo aconteceu em uma cabeçada de Gustavo Silva, aos cinco minutos. E só. Faltou criatividade no meio-campo e sempre parecia haver menos jogadores corintianos, seja quando o time atacava ou quando se defendia.

Os números mostram isso, aliás: foram apenas três chutes a gol (dois certos), contra sete do Cuiabá (três certos) e, claro, um gol sofrido. O placar, até então, mostrava-se justo.

No intervalo, VP promoveu as entradas de Júnior Moraes, Lucas Piton, Giuliano e Renato Augusto nos lugares de Robson, Bruno Melo, Du Queiroz e Adson, em uma clara demonstração de que reconheceu que errou - tanto com nomes quanto com o esquema. Assim, Piton fez a lateral-esquerda, enquanto Mantuan ficou na direita - o camisa 31, para mim, foi o melhor em campo.

Parecia ter havido uma leve melhora nos primeiros 15 minutos, mas, aí sim, foi uma ilusão. Nada mudou, aliás, algumas coisas pioraram, até: Júnior Moraes parece não ter entrado no duelo, enquanto Cantillo esteve desligado em alguns momentos.

O Cuiabá, então, se fechou e adotou a estratégia de apostar em contra-ataques, que aconteceram em ao menos três oportunidades. O meio-campo continuou lento e sem funcionar, e as saídas de Adson e Du, a meu ver, não deveriam ter acontecido - Mosquito e Cantillo deveriam ter saído.

Não era para o Cuiabá ter vencido por mais, 1 a 0 foi o suficiente. Não era para o Corinthians ter sofrido tanto - para criar, para se defender, para tentar reagir. Talvez alguns testes não devam mais ser repetidos. Outros, quem sabe, melhor deixar de lado e fazer o "básico".

Obviamente que esta análise é individual, ou seja, não mina nenhum trabalho que foi feito até aqui, mas tenta colocar luz em problemas que podem ser evitados no futuro, a começar no próximo sábado, no jogo contra o Juventude, em casa. A sequência que vem a seguir é dura, com clássicos e duas decisões, de Copa do Brasil e Libertadores.

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