Fernando Diniz morreu abraçado às próprias convicções no Corinthians. Demitido após a derrota para o Internacional, nesta quarta-feira, no Beira-Rio, o treinador deixa o clube depois de uma sequência de sete derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.
Mais do que os resultados, porém, chama a atenção a maneira como o técnico insistiu em escolhas que já não funcionavam, mesmo diante dos sinais de que seu trabalho estava em declínio.
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Desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo, Diniz não conseguiu encontrar soluções para os problemas do Corinthians. O time sofreu uma queda de rendimento, acumulou atuações ruins e viu a zona de rebaixamento se aproximar perigosamente.
Em entrevistas coletivas, o treinador reconheceu diversas vezes as dificuldades da equipe, mas, na prática, pouco fez para mudar o cenário. Ou melhor: até tentou mudanças, mas sem abrir mão de suas principais convicções.
O maior exemplo disso é Rodrigo Garro. O argentino atravessa uma fase ruim há bastante tempo, com atuações discretas e pouca contribuição ofensiva. Ainda assim, permaneceu como peça praticamente intocável no esquema de Diniz.
Mesmo quando o rendimento do meia pedia uma passagem pelo banco de reservas, o treinador preferiu insistir em sua titularidade, independentemente da função desempenhada.
A partida contra o Internacional foi o retrato dessa insistência. Durante a preparação, Diniz testou alternativas e decidiu abandonar o esquema com quatro meio-campistas para utilizar um trio de ataque formado por Kaio César, Memphis Depay e Yuri Alberto.
No meio, porém, em vez de sacar Garro, optou por recuá-lo para atuar como uma espécie de segundo volante, ao lado de Raniele, com Breno Bidon mais adiantado. Mudou a formação, mas preservou sua convicção.
A escolha cobrou seu preço. Garro teve uma atuação desastrosa no Beira-Rio, falhou na marcação do primeiro gol do Internacional e entregou a bola ao adversário dentro da própria área no lance do segundo.
É claro que a crise do Corinthians não pode ser resumida ao desempenho de um único jogador, mas a insistência no argentino simboliza a dificuldade de Diniz em reconhecer quando suas ideias precisavam ser revistas.
O treinador teve tempo, oportunidades e respaldo da diretoria para buscar alternativas. Mesmo pressionado pelos resultados, recebeu um voto de confiança e pôde aproveitar a pausa para a data Fifa na tentativa de reorganizar a equipe.
As mudanças, porém, não foram suficientes para alterar o rumo do trabalho. Faltou a Diniz a capacidade de se reinventar, de abrir mão de determinadas escolhas e de entender que, em momentos de crise, insistir nem sempre é sinônimo de convicção. Às vezes, é apenas teimosia.
Diniz deixa o Corinthians sem vencer no Brasileirão há dois meses e ameaçado pela zona de rebaixamento. No momento, a equipe alvinegra ocupa a 16ª colocação, com 32 pontos, apenas um a mais que o Internacional, que abre o Z4.
Ao todo, o treinador comandou o Timão em 33 partidas oficiais, com 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas - 47,5% de aproveitamento.