Análise: Corinthians se afunda em crise após nova derrota e vai à pausa ameaçado pelo Z4

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(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

O Corinthians até encontrou forças para reagir após um primeiro tempo preocupante, mas voltou a ser vítima dos problemas que têm marcado sua temporada na derrota por 3 a 1 para o Fluminense na tarde do último domingo, na Neo Química Arena, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Timão sofreu com a fragilidade defensiva nas transições em velocidade do adversário e voltou a amargar uma derrota frustrante, a quarta seguida dentro de casa. O resultado ampliou a pressão sobre elenco, diretoria e comissão técnica, mas reforçou a sensação de que a crise corintiana vai muito além do que seria uma simples troca de treinador — o que não aconteceu, uma vez que Diniz foi bancado por Marcelo Paz, diretor de futebol.

Como foi o jogo?

Primeiro tempo: Corinthians com dificuldades em meio à clima tenso

Fernando Diniz foi obrigado a mexer na equipe após a lesão no joelho de Gabriel Paulista. O técnico, porém, surpreendeu na decisão e preteriu Tchoca para voltar a escalar o jovem Iago Machado, de 17 anos, como titular. As novidades não pararam por aí. Raniele, suspenso no meio de semana, retornou ao 11 inicial, assim como André, recuperado de uma lesão muscular e que começou no banco contra o Estudiantes. Mesmo diantes das ausências, o treinador apostou em força máxima com o que tinha à disposição para tentar quebrar o jejum no Brasileiro e na temporada.

O Corinthians começou tendo um pouco mais da posse de bola em relação ao Fluminense. Contudo, mesmo longe do campo, era possível sentir a ansiedade dos jogadores para dar uma resposta à torcida após a eliminação na Libertadores no meio de semana. O início alvinegro foi um pouco cauteloso demais, tomando cuidado para encaixar a marcação pressão e buscando encontrar espaços na defesa do time carioca principalmente pelo meio, mas errando passes e perdendo a bola em zonas perigosas, gerando campo para transições em velocidade do rival.

O clima na Neo Química Arena era de pura pressão. As organizadas protestaram antes mesmo da bola rolar e ficaram de costas na entrada da equipe em campo, entoando cânticos de cobrança. Dentro de campo, também foi possível sentir a tensão dos atletas. Por volta dos 20 minutos, o Corinthians enfrentava mais dificuldades para sair jogando e parou na defesa bem postada do Fluminense, que cortou praticamente todas as tentativas de passes em profundidade do Alvinegro para dentro da área.

Embora o Timão tivesse mais a posse, as chances mais agressivas dos primeiros 25 minutos foram do Fluminense, que encontrava espaços facilmente na linha defensiva alvinegra, sobretudo na entrada da área. Com 16 minutos, Serna partiu em velocidade, invadiu a área e bateu para defesa de Hugo Souza. E foi em uma dessas oportunidades que o Timão sofreu mais um gol na temporada. Lucho Acosta cruzou nas costas da zaga do Corinthians, Hulk atacou o espaço em profundidade e completou para as redes.

Mesmo depois do gol, a torcida corintiana reforçou o apoio e seguiu cantando alto. O time, porém, não acompanhou dentro de campo e seguiu errando muito, com decisões precipitadas na saída de bola e nas tentativas de construir jogadas ofensivas. O Fluminense explorava a linha alta defensiva do Corinthians com muita facilidade, colocando atletas de muita agilidade para partir em velocidade e encontrando espaços pelos lados do campo, com a subida ao ataque dos laterais do Timão. Fato é que a tentativa de pressão exercida pelo Alvinegro esteve desorganizada, e o rival começou a trabalhar a posse com mais tranquilidade quando a teve. Prova disso foram as faltas cometidas pela equipe da casa na saída de bola tricolor.

Em resumo, o primeiro tempo do Corinthians não poderia ter sido pior. O clima nervoso na Neo Química Arena transformou-se em apreensão dentro de campo, e o Timão, depois de um início que parecia promissor, teve um desempenho péssimo em casa. Além de não ter criado uma jogada de perigo sequer, o Alvinegro sofreu o primeiro gol com 25 minutos e poderia, inclusive, ter ido ao intervalo com uma desvantagem de pelo menos três gols devido às grandes chances criadas pelo Fluminense. É possível dizer até mesmo que os donos da casa saíram no lucro com a derrota por somente 1 a 0.

Segundo tempo: Timão reage, mas é punido por pequenos erros

Diniz mexeu no intervalo para tornar o Corinthians mais ofensivo em busca do resultado. O treinador tirou Iago Machado e colocou Gui Negão, recuando Raniele para atuar de fato como um zagueiro ao lado de Gustavo Henrique. Com isso, o ataque passou a ter um centroavante de referência. A mudança funcionou inicialmente, com o Timão mais ofensivo e criando uma grande oportunidade para empatar, desperdiçada na pequena área por Gustavo Henrique, que pegou mascado na bola e recuou para Fábio.

Diferente do primeiro tempo, o Corinthians voltou com tudo para cima do Fluminense, criou volume e empilhou ao menos três chances consecutivas, empatando o jogo com méritos na Arena. Memphis ganhou no corpo da zaga do Flu, emendou um voleio e, no rebote de Fabio, Gustavo Henrique se redimiu e empurrou para o fundo das redes. O empate encheu o Corinthians de ânimo, e o time alvinegro mostrou uma postura muito diferente do primeiro tempo, equilibrando as ações, voltando a competir e não deixando o rival respirar.

Muito da melhora do Corinthians passou, também, por Memphis, que pareceu retomar um pouco da confiança com a participação em gol e voltou a chamar a responsabilidade do jogo para si. Contudo, o Timão não conseguiu transformar esse volume em gols, e foi castigado na primeira chegada do Fluminense no segundo tempo. Na única escapada do Tricolor carioca, Hulk finalizou da entrada da área e a bola desviou em Gustavo Henrique, matando Hugo Souza e voltando a castigar o time da casa.

Por fim, Diniz voltou a mexer no time com 35 minutos do segundo tempo, tirando André para colocar Lingard e empilhando atacantes na reta final. Poucos minutos depois, o treinador veio para as últimas mudanças, já desesperadas, para tentar buscar o empate: Matheus Pereira e Pedro Raul entraram nas vagas de Breno Bidon e Memphis. Em situação delicada no Brasileiro, o Corinthians se lançou totalmente ao ataque e, claro, se abriu na defesa — isso com os principais atletas já exaustos. O bom segundo tempo que o time corintiano vinha fazendo foi por água abaixo.

Foi em meio a este cenário que o Corinthians levou um contra-ataque fatal e viu o Fluminense fechar o caixão na Neo Química Arena. Sim, fechar o caixão. Essa é a sensação com a qual o torcedor do Corinthians saiu do estádio. Um cenário de terra arrasada, da qual é difícil acreditar que o clube, como um todo, encontrará uma saída. A culpa recaiu sobre Fernando Diniz e também sobre o elenco, que não estão isentos da responsabilidade, é verdade, mas a diretoria alvinegra também tem sua parcela de culpa no grave momento vivido pelo Timão, tanto dentro como fora de campo.

Resta saber, agora, se Fernando Diniz, bancado pela diretoria e respaldado pelo elenco, conseguirá encontrar soluções para este Corinthians, que se encontra em uma profunda crise em um momento crítico do ano. Para isso, o treinador terá a seu favor uma pausa de 15 dias, que promete ser crucial para o Timão nesta altura da temporada, uma vez que o time chega à data Fifa ameaçado pelo Z4.

Situação na tabela

O resultado foi péssimo para o Corinthians, que amargou a sexta derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro e o sétimo jogo de jejum no geral entre todas as competições. O Timão permaneceu na 14ª colocação da tabela, com 32 pontos, e ficou somente a três de distância do Grêmio, primeiro time na zona de rebaixamento.

Próximos jogos do Corinthians

Internacional x Corinthians (29ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 07/10 (quarta-feira), às 19h30 (de Brasília)
Local: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)

Palmeiras x Corinthians (30ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 11/10 (domingo), às 17h30 (de Brasília)
Local: Nubank Parque, em São Paulo (SP)

 

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